MEDRE, GAROTA
Uma história sobre partir e ser perseguida.
Escrito por Juliana Resende
* * *
Copyright © 2026 Juliana Resende. Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou distribuída de qualquer forma sem a autorização prévia por escrito da autora.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens e acontecimentos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.
* * *
CAPÍTULO VINTE E CINCO — Vigiando
Dois dias depois de eu contar pro Lucas, o Ethan veio à cafeteria de novo.
Mesma mesa. Mesmo livro. Mesma hora. Mesma gorjeta de vinte.
Dessa vez a nota dizia: Ele não te conhece do jeito que eu conheço.
Joguei fora.
Disse pra mim mesma que joguei fora.
Conferi o caderno no ônibus pra casa. Estava no bolso de trás, onde eu vinha guardando.
Eu tinha duas notas agora. Disse pra mim mesma que isso não significava nada.
* * *
O que eu não sabia — o que eu só ia saber depois — era que durante esse mesmo período, o Lucas tinha estado fazendo uma coisa por conta própria.
Ele tinha notado o Ethan observando meu prédio.
Não tinha me contado.
Tinha decidido, na lógica privada dele, que o jeito de me manter segura era observar o observador.
Tinha instalado uma pequena câmera de vigilância no corredor do lado de fora da minha porta. Tinha dito pra si mesmo que era pra ele poder ver se o Ethan voltasse. Tinha dito pra si mesmo que estava me protegendo. Não tinha me perguntado se eu queria ser protegida desse jeito.
Ele estava observando a porta pela qual eu entrava e saía todo dia.
Estava observando todo mundo que vinha me ver.
Estava, do jeito mais bem-intencionado e quebrado possível, fazendo uma pequena versão da coisa da qual eu tinha corrido.
Ele ainda não sabia. Eu ainda não sabia.
A gente estava prestes a descobrir.
* * *

Comments (0)
See all