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Secrets - Versão em Português

CAPÍTULO QUATRO - ALEXEI

CAPÍTULO QUATRO - ALEXEI

Aug 10, 2026



INT. LONDRES - CASA LUKE - QUARTO - NOITE

Joonho está deitado na cama, observando Luke parado em frente a ele.

LUKE
Tem certeza disso, Joo?

Joonho percorre sua atenção no corpo seminu de Luke.
(Lembrar os maquiadores de fazer queimadura próximo ao umbigo do Alexei)

JOONHO
Acho que—
(Olha para os olhos de Luke)

Joonho levanta e percorre sua mão pelo corpo de Luke.

JOONHO
Acho que tenho mais do que certeza.

Joonho puxa Luke contra ele, beijando-o.


— Merda — resmunguei, deixando o roteiro de lado.

Meu corpo se arrepiava em angústia só de imaginar gravar aquela cena, como se eu tivesse voltando no tempo e caindo naquela noite, onde tudo o que meu eu do passado desejava era passar por aquela multidão de fãs e enterrar minha cabeça no lugar mais escondido que eu pudesse encontrar.

Bufei baixo, encarando o teto. Meu pescoço queimou conforme a vergonha se alastrou pelo meu rosto. Desviei a atenção para as páginas do roteiro.

No livro, a história entre Luke e Joonho começava com eles no futuro, mais especificamente com Luke finalmente aceitando que o que ele sentia por Joonho ia muito além de apenas dois amigos aproveitando a juventude. Não eram apenas os dois personagens se entregando ao prazer carnal uma última vez, mas aceitando seus sentimentos pela primeira vez desde que se conheceram.

Era o início e o fim.

Em questão de atuação seria de fato uma cena difícil, pois eu teria que entregar não apenas o prazer que Luke sentiu — mesmo que não explicitamente —, mas também entregar o medo dele, pois ele sabia que aquela era a última vez que veria Joonho.

Na sala da minha casa, sentado naquele sofá enquanto a chuva mais forte caía do lado de fora, não conseguia entender como eu iria entregar tudo aquilo. Internamente reconhecia minha capacidade de entregar uma atuação digna daquela cena, mas, como fazer isso quando San seria a porra do meu Joonho?

Só de imaginar ser tocado por ele daquela forma descrita no roteiro, meus pelos arrepiavam-se, fazendo aquele calor percorrer minhas veias mais uma vez. E de repente, minha cabeça estava de volta naquele show.

— Não pensa nisso! — disparei, tapando meus ouvidos como se isso fosse o suficiente para afastar os pensamentos.

Como ator e um cara bissexual não via problema algum em ser tocado por outro homem. Homens já fizeram muito mais do que apenas me tocar, seja em cena ou quando eu era solteiro e me permitia ter certas experiências. Contudo, San estava longe de ser um homem no qual queria perto de mim, o que fazia o primeiro dia de gravações gerar ansiedade.

Não vou negar que a maioria das cenas que iríamos gravar em Londres seriam mais fáceis, já que logo após a cena no quarto a história entre Luke e Joonho começava como dois rapazes que se odiavam. Interpretar que eu odiava San seria fácil como respirar, mas agir como se o amasse seria como buscar ar puro em meio à erupção de um vulcão. Na verdade, seria como ter que transar com um velho caindo aos pedaços enquanto milhares de pessoas nos assistiam de camarote.

Fechei meus olhos, respirando fundo conforme fiz o possível para me livrar de qualquer lembrança que ameaçava tirar minha paz.

Eu ainda tinha quatro dias até o início das filmagens, então não tinha motivo para me estressar com algo que sequer tinha começado ainda.

— Seja profissional, Alexei — falei para mim mesmo. — Seja profissional…

Repeti essa frase duas vezes até meu celular vibrar em meu bolso, e então o toque tomou conta de tudo. Observei o nome de Ayla no mesmo instante em que um sorriso leve surgiu em meu rosto, como se de alguma forma soubesse que fosse ela antes mesmo de ver seu nome.

— Oi, amor, já chegou?

Olhei para o relógio na parede à minha frente.

— Sim, tem uns 40 minutos. Já está vindo?

— Não — lamentou ela. — Desculpa, vou precisar cancelar hoje. Tivemos um problema com o último episódio do roteiro, vamos ter que escrever tudo do zero.

Soltei o ar com peso, levando a mão até a nuca.

— Porra, eu achei que…

— Desculpa mesmo, Alexei. Prometo que compenso depois, ok? Preciso ir agora, te amo!

— Te amo…

Ela desligou.

Encarei a tela do celular. 49 segundos de ligação…

Um gosto estranho invadiu minha boca ao compasso em que um peso silencioso caiu sobre meus ombros. Até 4 meses atrás ainda era comum ficarmos vários minutos em uma ligação, mesmo quando era apenas para avisar algo simples como um atraso ou simplesmente porque sentíamos a falta um do outro.

Agora era… escasso.

Não sabia se era alguma carência da minha parte, que sentia falta de quando a relação se mantinha presente de forma natural, sem esforço ou compensação desnecessária. Ao mesmo tempo, me perguntava se aquilo era comum, pois muitas vezes ouvi dizer que relacionamentos chegavam a um estágio onde tudo caia no limbo do cotidiano. As coisas esfriavam, mesmo que o amor ainda se fizesse presente de alguma forma. Era quase isso que sentia estar acontecendo com a gente.

Tentando me distrair, entrei no histórico de ligações até achar o nome da Alicia.

— Oii, meu amooorrrr — prolongou Alicia ao atender, me fazendo rir com seu entusiasmo natural. — Como está? Como foi a reunião, em? Já começou a pegação com o San? Ele é cheiroso? Puff, óbvio que ele é, não sei porque perguntei algo assim.

Revirei os olhos. Com tantos cantores por aí, Alicia foi escolher ser fã do pior entre eles.

— Não te liguei para ficar falando dele — avisei. — Na real, queria ver se não quer jantar hoje. Eu pago.

— É óbvio que você paga, o milionário aqui é você, não eu — disse ela em um riso debochado. — Mas só aceito se me falar como foi na reunião.

Suspirei, coçando minha têmpora.

— Você sabe que chantagem não combina com você, não é?

— É pegar ou largar.

— O máximo que posso fazer é te mostrar uma foto do babaca que tiramos com o elenco hoje. É pegar ou largar.

— Espera, uma foto inédita do San!? — gargalhei, pois tinha certeza que Alicia estava gritando em seu quarto enquanto dava pulinhos de entusiasmo. — Ok, Alex, agora eu quero tudo. A foto e a fofoca também. Vem me buscar em 30 minutos!

— Ei, eu não…

Antes que pudesse protestar, Alicia desligou na minha cara, me deixando incrédulo. Ri sozinho, sabendo que ela era a única capaz de me fazer sorrir com algo envolvendo o traste do San.

[...]

Ao som de Say Your Name, meus ouvidos doíam como se Alicia não fosse capaz de escutar outra coisa a não ser NEIGHTZ — o que infelizmente era acompanhado de uma adolescente presa no corpo de uma mulher de 25 anos, que gritava dentro do meu carro como se estivesse em um show.

Não fazia nem dois minutos desde que tinha pegado ela na porta da sua casa, mas parecia que estava trancado naquele carro há horas.

— Vamos lá, Alex! — gritou tentando me incentivar.

Parei no semáforo, tendo a impressão que do lado de fora as pessoas na calçada se perguntavam o porquê da música alta e uma doida balançando no passageiro.

Levei o dedo ao painel conforme notei o olhar julgador de um senhor que passeava com seu cachorrinho de pelos dourados. Amava ver coisas fofas como aquela.

— Não ouse fazer isso — ameaçou ela, mas isso não me impediu de abaixar o volume.

— Eu sei que é sua favorita, mas estamos chegando no restaurante e tem gente olhando.

— Você parece um senhorzinho, sabia? Cadê o Alexei que gostava de dançar por aí nas baladas até tarde da noite?

— Ele está cansado, e quer paz hoje.

Ela revirou seus olhos.

Quem não a conhecia podia facilmente ver Alicia como aquelas mulheres imaturas e que realmente agiam como se fossem adolescentes. Porém, Alicia era, na maioria das vezes, apenas extrovertida — mas quando se tratava de seus ídolos ela era meio… extravagante.

— E o San? — Indagou, balançando os ombros em minha direção. — Quero minha foto. Anda, me mostra.

Balancei a cabeça em um riso baixo, grato por ela ter ficado mais tranquila. Aproveitando o sinal vermelho, entrei rapidamente na galeria em busca da foto que Lucien me enviou pouco depois de terminarmos a reunião com o elenco.

Devo admitir, pensei que a reunião seria pior do que realmente foi, o que era um alívio.

— Só tiramos essa — falei, lhe entregando o celular.

Alicia ficou observando a foto conforme avancei no sinal, seguindo em frente pela Whitehorse Rd.

— Caramba, que inveja que estou de você, Alex. Imagina só a sorte que é trabalhar do lado desse deus aqui.

Revirei os olhos, passeando a língua pela bochecha. Me olhei no retrovisor, dando uma checada no visual. Apesar de amar meus cabelos pretos, às vezes questionava-me se não deveria mudar novamente o visual, como fiz na minha última participação na adaptação de Fallen Dragons.

— Vocês ficam fofos juntos.

Obviamente eu estava fofo na foto, mas San estava muito mais como um filhote de camundongo… Ok, não acho que ofender os camundongos comparando eles ao San seja apropriado.

— Me manda essa foto, quero colocar no papel de parede do meu celular.

Olhei para frente, vendo o carro prata avançar.

— Pode tirar seu cavalinho da chuva, Alícia, não posso compartilhar essa foto.
Fingi não notar seu olhar quando virei a direita, tendo a visão da entrada do restaurante ao final do quarteirão.

— Alexei, me envie essa foto — repetiu ela.

Dessa vez notei melhor seu olhar convencido, como se eu fosse fazer aquilo só por que ela queria. Ri com escárnio quando encarei ela, então aquele maldito sinal em seu rosto me deixou levemente assustado: Alícia elevou sua sobrancelha esquerda, abaixando seus óculos de armação vermelha, o que combinava muito com seus cabelos castanhos.

Ela não deu muitos toques na tela antes de voltar a falar conforme digitava em seu celular:

— Aos fãs do Alexei, que tal verem como ele fica fofo usando minha camiseta da Barbie Butterfly com esse belo corte de cabelo que eu chamo de “Mamãe, tenho algo pra te contar…” — concluiu ela fazendo aspas com os dedos da mão direita.

— Você não seria maluca de…

Ela virou sua tela em minha direção, me fazendo frear com tudo quando vi a tela do falecido twitter, onde Alícia havia anexado a foto mais vergonhosa que tinha minha e realmente digitava aquela legenda.

— Quantas curtidas você acha que essa foto pega em 1hora no X, Alexei? 50 mil pelo menos?

O carro atrás de nós buzinou, me fazendo engolir em seco conforme continuei os últimos metros do percurso.

— Eu te odeio, Alícia. Muito.

— A decisão é sua. Me fazer feliz com um novo papel de parede, ou ficar sem falar comigo por 1 semana enquanto essa foto vergonhosa viraliza.

Estacionei em frente ao restaurante, do outro lado da rua, soltando o cinto antes de pegar meu celular, enviando a foto. Com o som do sino, Alícia abriu um sorriso largo, cancelando a publicação.

— Um dia, Alícia Smith, eu juro que vou descobrir sua senha e apagar essa foto do seu celular.

— Ei, você não pode fazer isso, eu não teria como te chantagear mais — disse em uma alegria juvenil antes de virar sua tela em minha direção. — Olha, ficou fofo.

Respirei fundo, ignorando a ânsia de vômito e a vontade de jogar o celular dela para fora do carro na esperança de algum motorista passar por cima do aparelho três vezes e deixá-lo em pedaços.

Porém, não o fiz. Por outro lado, peguei minha carteira e desci do carro, lamentando até minhas últimas células por ter aceitado ser sua cobaia durante seu surto após o término com o grande filha da puta que era seu ex. Maldito seja Gustav, o francês que foi um filha da puta com Alícia e que ainda atrapalhava minha vida.

Já falei que ele era um filho da puta? 

Como esperado do Villa Sapori, o restaurante italiano do meu primo (o clichê que é um meio italiano ser apaixonado pela comida italiana…), a entrada estava agitada, com um pouco mais de meia dúzia de pessoas na fila.

Esperei por Alícia antes de atravessar a rua, que por sinal não estava tão agitada assim. Na entrada, avistei Calum, o jovem rapaz de cabelos ruivos e um sorriso amarelado, saudando a dupla de mulheres que eu não sabia dizer se eram um casal ou amigas próximas.

— Aí, caralho — resmungou Alícia, puxando meu braço a tempo de evitar tropeçar na calçada.

— Esqueceu como se anda, é? — brinquei, fazendo-a semicerrar os olhos.

— Que tal ser menos palhaço e mais mordomo, hein?

Alícia entregou-me seu celular, baixando-se para ajustar algo no salto preto que usava.
Soltei o ar de forma dramática. Na entrada, Calum finalmente me viu se aproximar, elevando sua mão ao acenar em minha direção, e então aqueles na fila me avistaram.

Mesmo acostumado com o reconhecimento e a fama, às vezes me esquecia que uma simples aparição em um restaurante poderia ser um grande evento para aqueles que me reconheciam ou, para ser mais direto com o rapaz de cabelos curtos e maquiagem chamativa (de um jeito positivo), estavam ali porque sabiam que uma hora ou outra eu aparecia no restaurante do meu primo.

Heylly era um fã extravagante, mas do tipo que me alegrava em encontrar. Provavelmente já tinha tirado mais foto ao seu lado do que com meu pai em nossos encontros anuais. Não era exagero dizer que Heylly foi meu primeiro fã, ainda me lembrava de suas mensagens de apoio durante meu primeiro trabalho como ator, que por coincidência ou não, foi uma publicidade para a agência de modelos de sua mãe.

— Ah, olha só quem está aqui — murmurou Heylly, sorridente e com a voz levemente aguda.

— Até parece que não estava me esperando, não é? — brinquei, subindo os dois degraus que levava a entrada do restaurante, cujas luzes deixavam a pele negra de Haylly levemente amarelada. — Se veio atrás de uma entrevista para sua página, sinto lhe dizer que minha boca é um túmulo hoje.

Ele deu um riso breve, expondo o piercing prateado preso em sua gengiva.

— Me diz, quando vai parar de se achar tanto assim, em? Já disse, estou comprometido — falou expondo sua aliança de noivado.

— Ah, qual é, eu posso te fazer mais feliz que ele.

— O dia que você for um italiano legítimo, eu penso no seu caso, ok? — Haylly levou a mão até seu bolso, pegando o celular. — Meu pagamento por te aturar, vem.

Revirei os olhos ao me aproximar dele, levando minha mão até seu ombro e fazendo a careta mais ridícula que pude pensar no momento.

— Tá vendo, por isso as pessoas te acham mais feio pessoalmente — brincou Alícia ao se aproximar. — Ele sempre faz a melhor cara ao tirar a foto, e quando os fãs veem ele pessoalmente, ele fica com essa cara de quem apanhou.

— Muito engraçado, Alícia, já pode seguir a carreira de comediante. 

— Se for fazer um show, me avisa que eu faço questão de arrumar um compromisso no dia — comentou Haylly, me fazendo gargalhar junto a ele.

— Que tal o grupinho parar de travar a fila? — pediu Calum.

Me virei para trás, vendo um casal de cara fechada, um grupo de amigos levemente animados e um senhor de cabelos grisalhos que parecia tentar entender o que estava acontecendo.

— Desculpa gente — pedi, seguindo para o fim da fila. — Até mais, Haylly! E fala pro Marlon parar de postar aquelas fotos sem camisa, ele não precisa se exibir tanto assim.

— Num é? Eu falei isso pra ele hoje — comentou revirando os olhos, indo até a recepção onde Calum o esperava.
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henriquefr
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Achei fofo o Alexei achando que os arrepios dele são de angústia. A gente bem sabe o verdadeiro motivo :)

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Para San Yoon, conseguir o papel principal no aguardado filme Segredo entre Almas era a oportunidade de provar que podia ir além do sucesso como Idol e se consolidar como ator.

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Em Secrets, o segredo não está no que os holofotes não podem iluminar, mas nos sentimentos que apenas uma rivalidade pode trazer à tona.

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CAPÍTULO QUATRO - ALEXEI

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