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Secrets - Versão em Português

CAPÍTULO SETE - SAN

CAPÍTULO SETE - SAN

Aug 31, 2026





   I wanna do it again, but this can be us. We can't live like this, baby, we need something new. I Wanna do it again, but we can't end up crying alone. I wanna, I wanna, I wanna..." 

   I wanna - NEIGHTZ



   INT. LONDRES - CAFETERIA - DIA

   Uma cafeteria aconchegante, com iluminação natural entrando pelas janelas. O som baixo de conversas e da máquina de espresso preenche o ambiente.

   Atrás do balcão está Joonho com seu uniforme simples, expressão gentil e um pouco cansada. Ele coloca um copo de café no balcão.

   JOONHO
   Aqui está, um café gelado médio.

   A Cliente (30), elegante e visivelmente irritada, pega o copo e dá um gole. Imediatamente ela faz uma careta.

   CLIENTE
   Isso está gelado.
  
   Joonho pisca, surpreso.

   JOONHO
   Essa é a função de um café gelado, senhora

   CLIENTE
   Quero um café gelado, mas não tão gelado assim.

   Alguns clientes na fila começam a observar. Entre eles está Luke com a mochila nas costas, esperando sua vez, ele bate seus pés no chão.

   JOONHO
   Se quiser posso fazer um café quente, sem problemas.

   CLIENTE
   Não. Eu quero um café gelado, mas quente. 

   LUKE 
   Mas então isso seria um café quente, não?
   (da fila, tentando ajudar)

   A cliente se vira bruscamente para ele.
   
   CLIENTE
   Eu não estava falando com você.

   Luke levanta as mãos, constrangido.

   JOONHO
   Senhora, por favor, me dê um minuto que eu—

   De repente, num impulso de frustração, a cliente joga o café para frente.

   O líquido atinge Joonho em cheio no rosto e na camiseta. Ele congela, olhos fechados, café escorrendo pelo queixo.

   Silêncio absoluto na cafeteria.

  Joonho olha para o balcão, onde avista a garrafa de água. Ele pega o copo. Abre a tampa, se vira em direção a cliente e joga a água em direção a ela.
   
   A cliente puxa Luke para frente, se escondendo atrás dele, e Luke é atingido pela água.
   (Plano fechado na água escorrendo pelo caderno nas mãos de Luke)

   Dei um riso leve conforme Kang estacionava o carro em frente ao café onde passaríamos o primeiro dia de gravações. Não podia negar, tinha parte de mim que estava com certo receio de gravar ao lado de Alexei, mas o e-mail que Lucien enviou para Aiko na noite anterior me deixou muito mais tranquilo.

   Os planos para o primeiro dia de gravação tinham mudado, e em vez da cena mais íntima entre Luke e Joonho, iríamos gravar a cena da cafeteria.

   Por mais que o restante do calendário de gravações tenha permanecido igual, Lucien achou que seria melhor gravarmos a cena mais íntima no último dia de gravações, pois seria melhor para a equipe da edição apenas cortar a cena gravada em vez de gravarmos a mesma cena duas vezes.

   Gravar ao lado de Alexei continuava sendo um desafio, mas saber que eu poderia jogar água na cara dele seria uma diversão à parte.

   — Será que posso tirar algumas fotos pro Instagram nesse cenário? — questionou Aiko, olhando a entrada através da janela do carro.

  Pensava na mesma possibilidade conforme desci do veículo, observando os painéis transparentes que davam uma visão privilegiada da parte de dentro do café. Contudo, mal tive tempo de olhar os detalhes do lugar, já que um grito eufórico chamou minha atenção do outro lado da rua. A limitação marcada pela fita amarela impedia a aproximação de um grupo de garotas e outros curiosos.

   Uma delas, que usava uma camiseta com a foto do Junseo, levantou sua mão, chamando por meu nome. Estampei um sorriso fechado conforme acenei em resposta, foi quando notei que aquelas que a acompanhavam provavelmente não eram fãs, pois pareciam estar ali muito mais por suporte a amiga do que vontade própria.

   — Quanto tempo temos até o maquiador chegar? — me virei para Aiko, que olhou em minha direção, e então por cima de meu ombro. 

   — Pode ir, estamos alguns minutos adiantados — ela voltou seu olhar para o celular. — Kang, não deixe ele demorar muito — avisou por fim, caminhando até a entrada.

   Me virei em direção a elas novamente, que agora pareciam mais atentas quando me aproximei. Logo a garota, a que claramente era uma fã, esticando o celular em minha direção, esbanjando um sorriso entusiástico.

   — Meu Deus! Eu te amo, San! — proferiu. — Posso tirar uma foto com você?

   Sorri em resposta, me aproximando da faixa que nos separava.

   — Claro, podemos sim.

   Em um movimento rápido, a fã colocou seu braço em volta de meu pescoço, me puxando para um abraço caloroso, no qual tentei corresponder mesmo evitando tocá-la muito.

   Desde o dia em que abracei um fã como abraçava aqueles próximos de mim — o que para mim era a forma correta de corresponder a um abraço — acabou sendo mal visto nas redes sociais, causando uma confusão por conta da minha mão nas costas da jovem fã.

   Na época acabei sendo acusado por inúmeras pessoas por usar da minha fama para me aproveitar das pessoas. Por mais que isso nunca tenha sido verdade, tornou-se inevitável evitar certo contato com os fãs. Por mais que minha vontade fosse corresponder os abraços, pois a grande maioria era caloroso demais para ser ignorado, apenas levava a mão na parte de cima das costas, evitando que meus braços rodeassem a pessoa.

   Com o fim do abraço, me posicionei ao lado da garota, levando meus braços para trás, pois sua amiga já estava com a câmera em minha direção. Com seu sinal, a garota voltou sorridente para o lado de sua amiga.

   — Meu Deus, ficou linda — exclamou ela. — Você é incrível, San. Mal posso esperar para assistir o filme.

   — Obrigado — acenei em sua direção. Suas amigas, então, se aproximaram também.

   — Posso? — indagou a da esquerda, com um sorriso tímido.

   — Claro — me ajustei novamente, ficando entre as duas, que logo sorriram em direção à câmara.

   Kang deu um toque em meu ombro, algo que logo entendi.

   — Preciso ir, mas fico feliz por terem vindo — Acenei em direção a elas conforme caminhei em direção ao café.

   Meus ombros pesavam quando entrei na cafeteria com Kang ao meu lado. O cheiro de café e manteiga na chapa me atingiu em cheio, trazendo certo conforto. Por outro lado, o lugar estava uma correria, com pessoas da produção ajustando iluminação, outros prestavam mais atenção à posição das câmeras e outros detalhes.

   Mais ao fundo, próximo ao balcão de onde deveria ser a recepção do lugar, Aiko conversava com um rapaz de cabelos claros e olhos azuis que achei que era impossível existir alguém com aqueles tons de olhos. Me aproximando, tive ainda mais certeza disso, pois ficou nítido que eram apenas lentes, pois apesar do novo visual e até mesmo uma tatuagem nova no braço, reconheci aquele rosto familiar como o de Peter, o maquiador que cuidou da maquiagem do NEIGHTZ quando fizemos nosso último show em Londres.

   Ele parecia calmo, mas tudo isso mudou quando me avistou.

   — Ah, meu Deus, finalmente. Achei que iria fazer eu me atrasar também — comentou ele dando um passo em minha direção, me puxando pelo braço antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. — O que vocês famosos tem que não sabem ser pontuais, em?

  — Mas eu cheguei no horário certo — me defendi, encarando o relógio prateado em meu pulso para ter certeza que não estava enganado. — Na verdade, estou 15 minutos adiantado.

   — Não estou falando de você, San — comentou, só então vi que Peter me arrastava para os fundos do lugar, onde uma bancada improvisada de maquiagem estava montada.

   No instante seguinte, eu estava sentado em frente a um espelho rodeado por luzes.

   — Não estou entendendo — murmurei, me sentando no lugar indicado por ele.

   — O Alexei — resmungou ele. — Aquele idiota está atrasado. Tô há quase meia hora aqui sem fazer nada, só esperando aquele paspalho chegar.

   Sorri levemente.

   — Finalmente alguém que me entende nesse lugar — comentei.

   Peter ergueu uma sobrancelha.

   — Não gosta do Alex, é? — ele riu. — Se ele não fosse amigo da Alicia, juro que já teria enterrado ele também.

   — Alícia? — indaguei, curioso.

   Peter foi até uma bolsa branca, onde revirou o que estava dentro até achar um frasco transparente do que imaginei ser a base.

   — Sim, minha prima. Não lembra dela? 

   Ah, a prima dele… pensei.

   — Lembro sim — me ajeitei na cadeira. — Como ela está? Ainda estão trabalhando juntos?

   — Não, não. Ela desistiu da maquiagem, agora ela… — Peter despejou o líquido no dorso da mão, usando um pincel para dar uma breve misturada. — É, não lembro com o que ela está trabalhando agora. Acho que está fazendo algo em uma editora, não tenho certeza.

   — Pelo menos agora não vai furar o olho de ninguém — brinquei, me lembrando da história que ele me contou na última vez que nos encontramos na Coreia, antes de todo o desastre acontecer.
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Secrets - Versão em Português
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Para San Yoon, conseguir o papel principal no aguardado filme Segredo entre Almas era a oportunidade de provar que podia ir além do sucesso como Idol e se consolidar como ator.

Para Alexei Carter, um aclamado e extravagante ator britânico, era apenas mais um passo em sua carreira impecável.

O único obstáculo? O que o diretor chama de "química perfeita", San e Alexei definem como uma tortura sem fim.

Forçados a cumprirem um rigoroso contrato e a encenarem cenas de intensa intimidade, eles travam uma guerra silenciosa nos bastidores para não deixarem o orgulho arruinar a produção.

No entanto, longe dos holofotes, o Inyeon — a invisível força do destino — começa a agir em segredo. Conforme a linha entre atuação e realidade se apaga, a atração fingida ameaça se tornar perigosamente real.

Encurralados por desejos que juravam não sentir, San e Alexei precisarão descobrir: o sentimento que os consome faz parte do roteiro... ou o destino finalmente os alcançou?

Em Secrets, o segredo não está no que os holofotes não podem iluminar, mas nos sentimentos que apenas uma rivalidade pode trazer à tona.

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