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Meu Animatrônico Favorito

Capítulo único.

Capítulo único.

Sep 18, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Blood/Gore
  • •  Physical violence
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Desde que foi anunciado que um restaurante de animatrônicos iria ser aberto na cidade, minha irmã, Clara, sempre insistiu pra gente ir na inauguração.

Eu não dava nada pra esse novo estabelecimento, mas minha irmã sempre gostou desse tipo de robô desde que começou a jogar aqueles jogos de terror com animatrônicos.

À noite, no dia da inauguração do restaurante, todos nós nos preparamos pra ir. Eu vesti apenas uma blusa estampada do meu personagem favorito, que também era minha paixão, Akumaru do jogo “Blazing Hearts”, um short, e uma sandália comum. Clara já chamou todo mundo para a gente ir. Nós entramos no carro, e sairmos de casa minutos depois.

Enquanto o carro dirigia até o novo restaurante, eu estava distraído olhando pela janela perdido em meus pensamentos. Estava pensando em Akumaru, e me imaginando tendo relações amorosas e sexuais com ele.

Além dele ser meu personagem favorito, eu também era extremamente apaixonado por ele. Tanto que até criei um yumesona pra me desenhar com ele.

Eu sempre gostei de yumeshipping, principalmente porque tenho o costume de me apaixonar pelos meus personagens fictícios favoritos. Então sempre dava um jeito de me shippar com eles.

Enquanto estava distraído com meus pensamentos sobre o Akumaru, minha irmã ficou me chamando diversas vezes. Quando ela aumentou seu tom de voz, eu finalmente sai do transe e me virei pra ela.

- Você está me escutando? – perguntou ela.

- Er...não... – respondi com um pouco de vergonha.

- Estava pensando no Akumaru de novo?

- Bom,... – respondi corado.

- Você é muito esquisito, sabia? – disse Clara – Você vive se apaixonando por personagens fictícios. E ainda é nos vilões.

- Como é que eu posso dizer? Os vilões tem um charme que jamais você entenderia.

- Eca! Imagina se apaixonar por um cara que te mataria.

- Pelo menos, ele não existe – respondi – Logo, o Akumaru faria algum mal pra mim.

Nossa conversa foi interrompida após nossa mãe dizer que estávamos perto de chegar no restaurante.

Ao chegar no estabelecimento, vimos que o estacionamento estava completamente lotado, já que era o dia da inauguração. Minha mãe disse que eu, Clara e meu pai podíamos descer logo que ela já vinha após encontrar um outro lugar pra estacionar o carro.

Assim que descemos do carro, Clara já foi arrastando eu e meu pai pra dentro do restaurante totalmente animada. O local estava cheio de crianças e responsáveis que as acompanhavam. Todo aquele barulho me incomodava, pois eu odiava lugares com muito barulho. Só vim porque minha irmã insistiu que todos nós fôssemos.

Nos sentamos em uma mesa, que milagrosamente estava vazia, pois boa parte das crianças e dos responsáveis só queriam saber do parquinho que tinha ali e do show de animatrônicos que iria acontecer em um palco durante a inauguração em algumas horas.

Minha mãe veio logo depois e se sentou ao lado do meu pai. Enquanto isso, uma garçonete se aproximou de nossa mesa, e nós pedimos uma pizza metade pepperoni e metade calabresa, e algumas bebidas.

Após fazermos o nosso pedido, a garçonete se afastou da mesa e Clara ficou conversando conosco sobre diversas curiosidades sobre animatrônicos e sobre o quanto estava feliz em estar em um local com esse tipo de robô.

Minutos depois, nossa comida chegou e nós comemos com entusiasmo. Por causa de tanto barulho no local, minha bateria social tinha se esgotado rápido, e por isso, eu só queria ficar sentado na mesa esperando a hora de ir embora, mas Clara insistiu pra eu assistir o show de animatrônicos com ela.

Depois de mais alguns minutos, uma apresentadora subiu ao palco anunciando que o show de animatrônicos iria começar. Muitas crianças se aglomeraram em frente a ele enquanto Clara me puxava pra ir junto.

E assim, os tais animatrônicos apareceram cantando diversas músicas infantis. Eram um tatu-bola no centro, uma arara-vermelha à direita, e uma tamanduá-bandeira à esquerda.

Por alguma razão, o animatrônico tatu-bola me chamou a atenção. E por incrível que pareça, aquele animatrônico recarregou as minhas energias. Eu senti o meu coração batendo forte ao vê-lo. O Akumaru já não era mais o meu interesse romântico, e sim aquele robô.

Eu olhava toda a apresentação dos animatrônicos vidrado especialmente no tatu-bola. Depois deles tocarem mais algumas músicas infantis, a apresentadora apresentou todos os robôs que estavam ali presentes no palco. Eram Zeca, a arara-vermelha, Duda, a tamanduá-bandeira, e por fim, Bolinha, o tatu-bola, ao qual, eu estava completamente apaixonado.

Depois de um tempo, as cortinas do palco se fecharam e todos os animatrônicos se desligaram. Eu ainda estava vidrado em Bolinha, enquanto Clara falava sobre o quanto aquele show foi incrível.

 

Após chegar em casa, eu pesquisei sobre A Turma do Bolinha, que era o nome do grupo de animatrônicos do restaurante, e descobri que ele tem um fandom bem grande no Brasil.

Passei a acompanhar diversos artistas de fanarts e li diversas fanfics sobre eles. E ainda criei meu novo yumesona: Tobias, o gato-do-mato, para poder me shippar com o Bolinha.

Muitos fãs de A Turma do Bolinha diziam que eu era “esquisito” por estar me shippando com um dos personagens, mas pessoalmente não me importava com isso, principalmente porque já fui chamado de esquisito diversas vezes por ser yumeshipper.

Sempre que tinha alguma oportunidade, eu sempre ia para o restaurante ver o Bolinha outra vez. Em um certo dia, Clara foi convidada pra ir à uma festa de uma amiga da escola dela, que iria acontecer exatamente no estabelecimento que tinha os animatrônicos de A Turma do Bolinha. Eu logo aceitei acompanhar minha irmã assim que meus pais pediram pra ir.

E assim que começou o show dos animatrônicos, eu fui direto para o palco só pra ver o Bolinha. Por incrível que pareça, também haviam um monte de pessoas da minha idade que também se prepararam pra vê-los. Eram fãs mais velhos de A Turma do Bolinha, mas não me importei muito com eles, o que importava mesmo era que o meu robô favorito estava no palco.

De repente, eu escutei alguém me chamar: Cauã!

Me virei para todos os lados e não encontrei ninguém. E a voz continuou me chamando: Cauã!

Não sabia o que estava acontecendo, nem sabia quem estava me chamando.

- Quem ta aí? – perguntei em voz alta, o que fez com que uma pessoa da plateia me olhasse estranho.

Cauã. Sou eu, o Bolinha. Estou conversando na sua mente.

“O quê!?” pensei alto “É você mesmo, Bolinha?”

Sim, sou eu respondeu a voz Me encontre atrás do palco depois que todo mundo sair. Eu irei fazer com que você fique comigo pra sempre.

“Não estou entendendo” respondi em pensamento “Você é só um animatrônico baseado em um personagem fictício que eu gosto muito. Você não deve ser real”.

Eu sou tão real quanto você, Cauã respondeu a voz E irei ficar com você pra sempre. Então, por favor, assim que todo mundo sair daqui, me encontre atrás do palco.

Eu não estava acreditando naquilo. O meu personagem favorito estava me pedindo pra ficar com ele? Isso parecia estranho, mas ao mesmo tempo era fascinante. Imagina poder ficar com o personagem que você tem crush? A solução parecia tentadora.

Mas não podia ficar aqui por muito tempo quando todo mundo saísse. Principalmente porque eu ainda estava acompanhando a minha irmã. Então, decidi que iria voltar pra cá de noite assim que todo mundo da minha casa estivesse dormindo.

 

Chegou a noite, e sai de fininho de casa pra ir direto pro restaurante. Não podia pegar um táxi ou um motorista de aplicativo pra não criar suspeitas. Então, eu simplesmente decidi que iria até lá a pé, o que foi bem cansativo e bastante perigoso, afinal eu estava caminhando sozinho no meio da noite, mas no fim, acabei chegando ao local em meia hora.

Eu invadi o restaurante entrando pelos fundos e já fui direto para dentro do palco dos animatrônicos. Assim que cheguei lá, me dei logo de cara com Bolinha, o que deixou meu coração bater forte.

Por instinto, simplesmente o abracei, e senti que o animatrônico me abraçou de volta. Ou seja, ele tinha vida própria, o que me deixou surpreso, mas não me importava. Afinal, eu estava interagindo com meu personagem favorito na vida real. Isso seria um sonho para os yumeshippers.

Levantei o rosto e vi que Bolinha estava olhando pra mim. De repente, ele me levantou como se eu fosse uma criança pequena, e vi que os outros dois animatrônicos também se mexiam por conta própria e se aproximavam de nós.

Fechei os olhos e fiz um biquinho, esperando que Bolinha pudesse me beijar de volta, mas ao invés disso, senti os dois outros animatrônicos puxarem ambos os meus braços. E eles puxavam forte, fazendo com que eu sentisse dor, mas era uma dor tão forte que pareciam que eles queriam me decepar, e foi exatamente isso que aconteceu.

Meus dois braços simplesmente foram arrancados sem mais nem menos. Podia sentir meu sangue sendo jorrado para todo lado. Bolinha me derrubou no chão enquanto ficava sem entender o que tudo aquilo significava. Ele então pegou minhas duas pernas e puxou com a exata mesma força dos outros dois animatrônicos até arrancá-las de meu corpo.

Eu agora estava sem braços e pernas. Sentia muita dor e gritava desesperadamente por ajuda enquanto lágrimas caíam desesperadamente de meu rosto. Bolinha logo segurou minha cabeça com as duas mãos e puxou com força. É isso, eu estava prestes a morrer.

Bolinha então conseguiu decapitar minha cabeça de meu corpo e desde então, não consegui mais dá um suspiro de vida.

 

Quando acordei, percebi que estava tudo diferente. Ao mesmo tempo que não entendia o que estava acontecendo, afinal eu acabara de morrer, inclusive pelo meu personagem favorito.

Olhei pra baixo e percebi que agora eu tinha um corpo metálico e robótico. Podia muito bem reconhecer aquele corpo: era uma versão animatrônica do meu yumesona, Tobias, o gato-do-mato.

Podia sentir Bolinha se aproximando de mim dizendo:

- Agora você estará junto comigo pra sempre.

Sim, de fato estarei junto com ele pra sempre dadas às circunstâncias. Mas eu ainda morri de forma extremamente gráfica por ele e pelo os outros dois animatrônicos. Então não sabia dizer se aquilo era uma coisa boa ou ruim.

Por um lado, eu estarei ao lado do meu personagem favorito pelo resto da minha vida. Mas por outro, não estarei mais presente na vida de minha família que me amava muito. Eles com certeza perceberão o meu desaparecimento, mas jamais irão me encontrar, porque agora todo o meu corpo estava dentro de um animatrônico.

Hybrid_Choko
Choko Owl

Creator

#horror #LGBTQIA #animatronic #yumesona #yumeshipping #yumeship #yumeshipper #first_person

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