Anne esfregou os olhos. Não acreditou no que via. Podia jurar que antes de desmaiar a porta estava trancada, suas roupas estavam ali e seu pé. Ela inclinou um pouco a cabeça, olhou melhor... Fechou os olhos e os abriu novamente. Além de tudo seu pé estava enfaixado novamente, ainda que não houvesse nenhuma única gota de sangue por ali.
Ela se levantou, apoiando no box e na parede e caminhou para fora do banheiro. Foi até a cozinha. A janela estava aberta novamente e a coruja ainda estava lá.
Confusa, apenas espantou a coruja e fechou a janela. Bebeu um copo d'água e pensou em ligar para alguém. Com certeza havia alguém ali na casa. Pegou o telefone fixo. O fio estava cortado, mas ainda fazia aquele som de chamada ocupada, e ao fundo se ouviam sussurros que diziam: "Solte o celular! Pule da janela! Acabe logo com isso!".
Ela deixou o telefone cair. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela correu na direção do quarto, ainda assustada, a ponto de enfartar. Lembrou-se que ainda estava semidespida.
Ao chegar no quarto viu todas as gavetas do guarda-roupas jogadas no chão, totalmente vazias. A cama estava sem o lençol, o travesseiro sem fronha, a janela aberta. Ao olhar pela janela antes de fecha-la, notou que sua cortina roxa estava jogada lá embaixo, rasgada. Fechou rapidamente a janela. Olhou se não havia nada debaixo da cama de baixo ou sobre a beliche.
Não havia nada.
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