Please note that Tapas no longer supports Internet Explorer.
We recommend upgrading to the latest Microsoft Edge, Google Chrome, or Firefox.
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
Publish
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
__anonymous__
__anonymous__
0
  • Publish
  • Ink shop
  • Redeem code
  • Settings
  • Log out

A Flor Negra da Cerejeira

O Encontro dos Opostos

O Encontro dos Opostos

Jan 09, 2026

Nos corredores da escola , os alunos conversavam entre si animadamente. Mais um dia de aula havia começado. Todos se reuniam em seus grupinhos já estabelecidos. Porém, uma figura destoava de tudo aquilo. Uma sombra, escura. Parecia um vulto, mas na verdade era uma pessoa. Seu nome? Ryotaro Sato.
Ryotaro sempre se destoava de todos. Enquanto as pessoas usavam roupas claras e bonitas, ele só usava roupas pretas, especialmente um moletom preto de touca erguida, que já estava meio desbotado. Desde o primeiro ano do colegial, nunca teve um único amigo. Tinham medo dele. Os poucos que tentaram fazer amizade com ele desistiram quando ele não os dava resposta a nada que perguntassem. Ryotaro tinha até mesmo um apelido entre os alunos, que ele nem se importava em ter.
— Olha lá, é o Fantasma Negro — disse uma garota, olhando com desdém.
— Não entendo o porquê dele estar aqui — disse um menino, rindo baixo. — Devia ir embora. Ninguém ia sentir falta mesmo.
Ryotaro nem se importava mais. Os comentários cruéis e olhares frios já não o atingiam. Tudo que ele queria era ir para sua sala e acabar logo com aquilo.
No outro extremo dos corredores, caminhava uma garota. Ela era a terceira mais popular do colégio, e todos gostavam dela. Era amiga de todos, até dos professores que ninguém gostava. Seu sorriso era contagiante, suas roupas sempre bem arrumadas e seus cabelos limpos e soltos, além de sempre serem claras. Seu nome era Aiko Takane. Ela era o total oposto de Ryotaro, já que vivia rodeada de amigos e pessoas que só queriam andar perto dela. Nunca se sentia sozinha.
Nesse dia, Aiko passava por um corredor quando viu a figura encapuzada de Ryotaro. Ao ver a reação dos amigos se fechar ao vê-lo, perguntou:
— Quem é ele, gente?
— Não conhece? — disse Mika, uma das suas amigas. — É o Fantasma Negro, Ryotaro. Melhor passar longe dele.
— Por quê? — Aiko perguntou, sem entender.
— Ora, porque ele é um esquisitão! — disse Ayase, outra dos seus amigos. — Qualquer um que passe perto dele fica mal. Ouvi dizer que ele dá azar só de chegar perto.
Aiko, porém, olhou mais para Ryotaro, que se aproximava de uma sala. Antes de entrar, ele lançou um olhar de relance para ela, e ela pode ver seus olhos: eram cinza. Não em sentido figurado, no sentido literal mesmo. Aquele olhar fez a menina sentir algo dentro de si, algo que dizia para ela se aproximar daquele garoto. Porém, não pôde pensar muito, já que seus amigos a puxaram para outro canto. Em sua sala, porém, Aiko não conseguia parar de pensar naquele garoto. Não conseguia entender o porquê dele ser tão isolado das pessoas. Então, estabeleceu um plano para tentar se aproximar dele.
Nos dias seguintes, Aiko seguia Ryotaro de forma escondida, tentando ao máximo não chamar atenção. Tinha vezes que ela tinha que fugir dos seus amigos só para o espionar. Ela se sentia uma stalker, é verdade, mas não dava muita importância a isso. Queria ver se ele pelo menos falava com alguém, dentro e fora do colégio. Porém, ninguém, absolutamente ninguém falava com ele. Isso a deixava ainda mais desconfortável e curiosa.
Foi quando, um dia, quando a aula havia acabado e o sol se punha, Aiko o observava por detrás de uma parede. Ele andava em direção a porta da saída, mas parou no meio do caminho. E então, ela ouviu a voz de Ryotaro, meio rouca, mas ainda assim firme:
— Pode sair de trás dessa parede, Aiko Takane.
A voz de Ryotaro era firme e até mesmo um pouco autoritária, mas carregava uma tristeza pesada e densa, como de alguém que desistiu de ser feliz há muito tempo. Ele sabia. Desde quando ele sabia?
— Como… — Aiko disse, saindo detrás da parede. — Como sabia que eu estava aqui?
— Eu percebi faz tempo — Ryotaro respondeu, colocando as mãos no bolso da blusa e olhando para ela de cima a baixo. — A questão é: por que uma das garotas mais populares do colégio ia dar bola pra mim, um mero fantasma? 
Aiko não sabia o que dizer. Por um momento, todas as suas habilidades sociais pareciam inúteis. Tinha certeza que, se dissesse que sentia pena dele, seria a pior das ofensas.
— Eu… — ela engasgou, procurando a verdade por trás de todo aquele emaranhado de curiosidade e intuição que sentia. — Eu te vi no corredor outro dia. Os outros disseram aquelas coisas e… eu…
— Já sei — Ryotaro interrompeu. — Ficou curiosa. Uma curiosidade mórbida, eu penso. Tá querendo ver o espectro de perto e contar para suas amigas?
— N-Não! Não é isso! — Aiko disse, sua voz falhando por um breve momento. — Eu só… quero entender. Por que você é tão sozinho, Ryotaro?
— Isso lá te interessa? — Ryotaro disse, estreitando os olhos, sua voz ficando levemente mais ríspida e seca. — Por que eu contaria isso para alguém que eu nem conheço?
Ryotaro virou as costas para ela, e começou a andar novamente para a saída. Aiko sentiu como se aquelas palavras tivessem sido como um soco no seu estômago. Ele tinha razão. Por que confiaria isso a ela, alguém que nem mesmo conhecia? Porém, sua determinação insistia em dizer para ela continuar tentando. Então, ela correu em sua direção, gritando:
— Espera!
Ryotaro parou, sem olhar para ela. Rosnando algo parecido com “o que agora?”, esperou o que ela tinha a dizer. Aiko desviou o olhar, e sussurrou:
— Eu entendo que… você não queira contar para mim. Você nem me conhece. Mas… eu quero ajudar. Quero que… você tenha amigos, sabe?
— E se eu estiver satisfeito sozinho? — Ryotaro rosnou.
— Ryotaro, ninguém merece ficar sozinho. Todos precisam de amigos, mesmo que seja só um. E eu sei que você concorda comigo!
Essas palavras fizeram Ryotaro tremer levemente, fazendo ele se lembrar de um momento em sua infância. Quando um garotinho, da sua idade, disse essas exatas palavras. Aquele havia sido seu melhor amigo, embora não conseguisse lembrar de seu rosto muito bem. Isso fez o lábio dele tremer levemente, e lágrimas se acumularem no canto dos seus olhos, que Aiko não viu.
— O que você… quer de mim, Aiko Takane? — Ryotaro sussurrou, tentando disfarçar a voz que começava a embargar.
— Eu… só quero te ajudar — Aiko disse, sua voz suave.
Ryotaro começou a caminhar de novo, não para se afastar, mas só para sair do colégio. Ao chegar na rua, Aiko estava do seu lado.
— O que me diz? — Aiko perguntou. — Quer que eu te ajude?
Ryotaro abaixou o olhar, não tendo coragem de olhá-la nos olhos, e suspirou. Ele ainda não se sentia pronto para uma coisa dessas, mas algo dentro dele dizia que ele devia ao menos tentar. Ryotaro estremeceu mais uma vez, e disse, sua voz meio falha:
— Eu não prometo nada. Mas… se quiser tentar, tente. Não vou te impedir.
Aiko sorriu novamente, feliz por ele ter dado pelo menos uma chance. Não era uma oficialização de amizade, mas já era alguma coisa.
— Obrigada — Aiko disse, inclinando a cabeça pro lado.
Ryotaro, ao vê-la inclinar a cabeça daquela forma meio boboca, não evitou um minúsculo sorriso de canto, que rapidamente apagou antes que ela notasse. Aiko então se despediu de Ryotaro e caminhou até a rua. Porém, o garoto viu um carro vindo em alta velocidade. Aiko parecia não o ter notado. Na mesma hora, correu até ela, e antes que ela pudesse pôr um pé na rua, ele a segurou pelo antebraço. O carro passou velozmente, fazendo os cabelos da menina voarem para o lado.
— C-cuidado! — Ryotaro gaguejou, puxando ela de volta para a calçada.
— Ryotaro… — Aiko disse, sentindo o coração disparado e a respiração rápida. — Você… me salvou.
Ryotaro soltou o braço dela, tão rapidamente que parecia ter se queimado ao tocá-la. Tentando manter a sua fachada de quem não se importa, desviou o olhar e disse:
— Qualquer um teria feito isso. Só fiz… o óbvio — e assumindo um tom um pouco mais autoritário e irritado, disse:
— Mas vê se não fica correndo na rua desse jeito! Vai saber o que aconteceria se eu não tivesse aqui!
Aiko olhou para ele, e reparou um pequeno rubor em suas bochechas. Naquele momento, ela soube que, por trás daquela máscara de rancor e frieza, ainda havia um jovem que desejava se reconectar.
— Mesmo assim… obrigada por me salvar — ela disse, sorrindo de forma genuína. — Fico te devendo.
— Tsc — foi tudo que Ryotaro conseguiu dizer.
— Bom, eu vou indo agora. Já tá bem tarde. Tchau, Ryotaro! Até amanhã!
Isso fez Ryotaro olhar novamente para Aiko, surpreso.
— Que?! Amanhã? — ele disse.
— Claro! — Aiko disse, se virando para ele e inclinando a cabeça. — Você disse que eu podia tentar. Então vou tentar! Até amanhã de novo!
E atravessou a rua, que agora estava deserta, acenando para ele enquanto corria. Ao vê-la desaparecer pela esquina de outra rua, Ryotaro ficou parado por mais alguns instantes antes de pôr novamente as mãos no bolso e resmungar:
— Essa garota é pra lá de esquisita.
E tomou seu caminho para casa, tentando esquecer o que tinha acabado de acontecer. Por que ele tinha a salvado? Por que simplesmente não tinha ido embora? Tentava se convencer de que qualquer um teria feito o mesmo, mas sabia que não. Provavelmente teriam apenas gritado. Alguns poderiam até rir. Então… por quê?
Enquanto isso, com Aiko, ela também tinha seus próprios problemas. Enquanto caminhava pelas ruas, encontrou alguns de seus amigos, que não sabiam o que Ryotaro fez. De fato, ela tinha tentado falar para eles, mas ninguém dava atenção. Porém, foi quando os amigos se despediram e seguiram seus caminhos que as coisas mudaram. Sozinha, Aiko começou a olhar para todos os lados, ficando tão apavorada quanto tinha ficado com o quase acidente. Seu coração bateu acelerado, tremia da cabeça aos pés, e começou a suar frio.
— Droga… — ela disse, apertando os braços. — Eu devia ter pedido pra minha mãe me buscar…
Foi quando que, após ela cruzar uma rua, encontrou com sua mãe, Misao, junto de seu irmão caçula, Masahiro. Ela, ao ver que a filha estava em completo pânico, correu até ela, chamando por seu nome. Aiko, ao vê-la, correu até ela também.
— Mãe! — ela disse, a abraçando com força. 
— Aiko — ela sussurrou, retribuindo o gesto. — Eu te disse pra não voltar pra casa sozinha.
— Desculpa… eu me esqueci — ela disse, começando a chorar.
Misao enxugou as lágrimas da filha com os polegares, e com o olhar que misturava alívio e preocupação, sussurrou:
— Tudo bem, filha. Já passou. Vamos pra casa agora?
— Sim… — Aiko sussurrou, se desvencilhando do abraço suavemente.
Masahiro puxou a barra da saia dela, curioso.
— Tá chorando, maninha? O que aconteceu?
— Tá tudo bem, Masahiro — Aiko disse, fazendo um cafuné no irmão. — Só foi um susto. Tá tudo bem agora.
O trio seguiu caminhando pelas ruas quase vazias, sob o brilho alaranjado dos postes. O vento frio batia nos cabelos de Aiko, mas já se sentia mais calma. Ainda assim, seus pensamentos insistiam em voltar para Ryotaro. Enquanto andava em silêncio, segurando a mão da mãe, se perguntou em pensamento:
“Ryotaro… por que você vive tão sozinho? O que aconteceu contigo?”
Já do outro lado da cidade, Ryotaro chegava em casa. Era um apartamento, localizado no centro de Tóquio. Ele morava no quinto andar do prédio. Ao entrar em casa, encontrou com sua mãe, Megumi, que trabalhava em um projeto arquitetônico. Seu pai, Ryu, ainda não havia chegado em casa. Megumi estava sentada no sofá, cercada por folhas e desenhos técnicos espalhados por toda a mesa de centro. A única coisa que se ouvia era o som do lápis riscando o papel. Quando Ryotaro entrou, Megumi levantou o olhar, tirando os óculos.
— Ryotaro? — chamou, surpresa. — Demorou, hein?
— Muito trânsito — Ryotaro respondeu, mesmo sabendo que ela soubesse que ele só voltava a pé. — E o pai? Onde ele tá?
— Deve estar voltando agora. Ele demorou no trabalho. 
Ryotaro deixou os sapatos no canto, e pegou o jantar na geladeira, indo comer em seu quarto. Lá, haviam poucas coisas, incluindo uma cama, uma escrivaninha, uma mesinha e um computador de mesa, além de pôsteres de animes nas paredes, mangás muito bem organizados e action figures de seus personagens favoritos. Enquanto comia, decidiu continuar a escrever uma história que andava escrevendo. Era uma história meio boba, que não tinha a intenção de publicar, mas que o deixava mais à vontade. 
Foi quando ouviu a porta da sala abrir. Teve certeza de que era seu pai, e decidiu ir o cumprimentar. Seu pai, Ryu, era um advogado sênior, e seus dias eram sempre muito cansativos. Logo, não o surpreendia que ele estivesse com uma cara exausta.
— Oi pai — Ryotaro disse, descendo as escadas e se recostando em uma parede. — Dia cansativo?
— Oi filho — Ryu disse, passando a mão pelo rosto. — É, bem cansativo. Meus clientes… são um saco. Sabe como é.
Ryotaro pensou por um instante. De fato, seu pai estava bem cansado e desanimado. Precisava fazer algo para o animar. Assim, estalou os dedos, tendo uma boa ideia, e entrou em seu quarto. Lá, pegou dois controles de videogame.
— Já sei o que vai te animar — ele disse. — Bora uma partida de Tekken?
— Não sei filho — Ryu disse, suspirando. — Não sei se tô no pique pra isso.
— Tá bem então. Mas já sabe o que eu vou fazer se recusar.
— Não ouse…
— Vai arregar, marreco manco?
— Agora você foi longe demais! Passa esse controle!
Megumi, na sala, olhava para toda aquela cena com um olhar de quem não entendia nada. De fato, ela pensava: “Tem vezes que eu simplesmente não entendo esses dois.”, mas logo deu um sorriso cansado. Ryu acabou rindo, fazendo até mesmo Ryotaro dar uma risadinha curta, sorrindo levemente.
— Ainda tem alguém bem humorado debaixo dessa carranca — Ryu disse, ainda rindo e encostando no ombro do filho.
— Aprendi com você — Ryotaro disse, sorrindo de uma forma que ele só sorria com os pais, e unicamente com eles. — Então, bora uma partida?
— Bora — Ryu disse, entrando no quarto e indo jogar com o filho.

ricaardovenancio
ricaardovenancio

Creator

Comments (0)

See all
Add a comment

Recommendation for you

  • What Makes a Monster

    Recommendation

    What Makes a Monster

    BL 76.3k likes

  • Arna (GL)

    Recommendation

    Arna (GL)

    Fantasy 5.5k likes

  • Blood Moon

    Recommendation

    Blood Moon

    BL 47.9k likes

  • Earthwitch (The Voidgod Ascendency Book 1)

    Recommendation

    Earthwitch (The Voidgod Ascendency Book 1)

    Fantasy 3k likes

  • The Sum of our Parts

    Recommendation

    The Sum of our Parts

    BL 8.7k likes

  • The Last Story

    Recommendation

    The Last Story

    GL 46 likes

  • feeling lucky

    Feeling lucky

    Random series you may like

A Flor Negra da Cerejeira
A Flor Negra da Cerejeira

144 views1 subscriber

Ryotaro Sato, o "Fantasma Negro" do colégio, é um pária envolto em sombras e silêncio, carregando o trauma da perda de seu único amigo. Sua existência é uma paisagem em preto e branco, onde a dor só se aquieta nos cortes discretos em seus pulsos e no som agressivo em seus fones. Ele é a cerejeira negra — uma beleza isolada e melancólica.

Do outro lado, Aiko Takane brilha. Popular, radiante e cheia de vida, ela é tudo que Ryotaro não é. Mas até a luz tem suas rachaduras: Aiko esconde uma autofobia debilitante, um medo paralisante da solidão que a assombra nas noites silenciosas.

Um ato impulsivo de heroísmo — Ryotaro salvando Aiko de um atropelamento — despedaça as barreiras entre seus mundos. Intrigada pela tristeza profunda do "Fantasma", Aiko decide atravessar o abismo social e descobrir o homem por trás da lenda. O que começa como curiosidade se transforma em uma conexão frágil e poderosa.

"A Flor Negra da Cerejeira" é uma jornada dupla de cura. É a história de Ryotaro aprendendo a viver novamente sob a luz paciente de Aiko, redescobrindo cores através de um gato resgatado — batizado com o nome de seu amigo perdido — e trocando a dor pela música, encontrando sua voz nos acordes distorcidos de uma guitarra. É também a saga de Aiko, que descobre que sua verdadeira força está em defender o que é certo, mesmo que isso signifique enfrentar o preconceito de suas amigas e proteger o garoto que todos rejeitam.

Enquanto isso, ameaças surgem. Takeru, um yakuza perigoso, traz um perigo tangível das ruas. E Mahina Hoshina, uma figura enigmática do passado de Ryotaro, semeia dúvidas com sua obsessão manipuladora, testando os alicerces desse novo amor.

Mais do que um romance, esta é uma narrativa sensível sobre luto, saúde mental e a coragem de florescer na adversidade. É um conto sobre como duas almas quebradas podem se tornar o porto seguro uma da outra, provando que até a flor mais sombria pode desabrochar quando encontra a luz certa.
Subscribe

22 episodes

O Encontro dos Opostos

O Encontro dos Opostos

33 views 0 likes 0 comments


Style
More
Like
List
Comment

Prev
Next

Full
Exit
0
0
Prev
Next