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A Flor Negra da Cerejeira - O Fantasma Negro e a Princesa Dourada

O Encontro dos Opostos

O Encontro dos Opostos

Jan 09, 2026

— Olha lá, é o Fantasma Negro — disse uma garota, olhando com desdém.  

— Não entendo o porquê dele estar aqui — disse um menino, rindo baixo. — Devia ir embora. Ninguém ia sentir falta mesmo.  

— Não chega perto, amiga! — disse outra menina, afastando a amiga de perto. — Esse aí deve ter umas dez doenças diferentes!  

Nos corredores da escola , os alunos conversavam entre si animadamente. Mais um dia de aula havia começado. Porém, uma figura destoava de tudo aquilo. Uma sombra, escura. Parecia um vulto, mas na verdade era uma pessoa. Seu nome? Ryotaro Sato.  

Ryotaro sempre destoava de todos. Enquanto as pessoas usavam roupas claras e bonitas, ele só usava roupas pretas, especialmente um moletom preto de touca erguida, que já estava meio desbotado. Os poucos que tentaram fazer amizade com ele desistiram quando ele não os dava resposta a nada que perguntassem. Ryotaro tinha até mesmo um apelido entre os alunos, que ele nem se importava em ter: Fantasma Negro. Mas para o garoto quieto, os comentários cruéis e olhares frios já não o atingiam. Tudo que ele queria era ir para sua sala e acabar logo com aquilo.  

No outro extremo dos corredores, caminhava uma garota. As pessoas, ao verem ela, imediatamente abriram espaço. Um professor, ao vê-la, sorriu de uma forma diferente dos outros, como se ela fosse a filha que nunca teve. Um grupinho de amigas, assim que a viram, a cumprimentaram calorosamente. Seu nome? Aiko Takane. O oposto polar de Ryotaro.

Nesse dia, Aiko passava por um corredor quando viu a figura encapuzada de Ryotaro. Ao ver a reação dos amigos se fechar ao vê-lo, perguntou:  

— Quem é ele, gente?  

— Não conhece? — disse Mika, uma das suas amigas. — É o Fantasma Negro, Ryotaro. Melhor passar longe dele.  

— Por quê? — Aiko perguntou, sem entender.  

— Ora, porque ele é um esquisitão! — disse Ayase, outra amiga dela. — Qualquer um que passe perto dele fica mal. Ouvi dizer que ele dá azar só de chegar perto.  

Aiko, porém, olhou mais para Ryotaro, que se aproximava de uma sala. Antes de entrar, ele lançou um olhar de relance para ela, e ela pode ver seus olhos: eram cinza. Não em sentido figurado, no sentido literal mesmo. Aquele olhar fez a menina sentir algo dentro de si, algo que dizia para ela se aproximar daquele garoto. Porém, não pôde pensar muito, já que seus amigos a puxaram para outro canto. Em sua sala, porém, Aiko não conseguia parar de pensar naquele garoto. Não conseguia entender o porquê dele ser tão isolado das pessoas.

Nos dias seguintes, Aiko começou a olhar mais para Ryotaro, como se ele fosse uma ave exótica. Por conta dele, Aiko acabou recebendo mais de duas chamadas de atenção em uma única aula. 

— Aikozinha, o que tá dando? — Mika perguntou. — Você tá mais perdida que o normal.

— Só… pensando demais, gente — Aiko mentiu. Era a quarta mentira que ela dava na semana.

Mika e Ayase se olharam por um momento, com as sobrancelhas arqueadas. Elas sabiam que era mentira, mas decidiram não pressionar.

Foi quando, um dia, quando a aula havia acabado e o sol se punha, Aiko o observava por detrás de uma parede. Ele andava em direção a porta da saída, mas parou no meio do caminho. E então, ela ouviu a voz de Ryotaro, meio rouca, mas ainda assim firme:  

— Aiko… Takane. Sai… logo daí.

— Como… — Aiko disse, saindo detrás da parede. — Como sabia que eu estava aqui?  

— Eu… sabia faz tempo — Ryotaro respondeu, colocando as mãos no bolso da blusa e olhando para ela de cima a baixo. — Me diz: o que… você quer… comigo?

Aiko não sabia o que dizer. Por um momento, todas as suas habilidades sociais pareciam inúteis. Tinha certeza que, se dissesse que sentia pena dele, seria a pior das ofensas.  

— Eu… — ela engasgou, procurando a verdade por trás de todo aquele emaranhado de curiosidade e intuição que sentia. — Eu te vi no corredor outro dia. Os outros disseram aquelas coisas e… eu…  

— Ah tá — Ryotaro interrompeu. — Ficou curiosa. A velha… curiosidade. Tenho cara… de ave exótica?

— N-Não! Não é isso! — Aiko disse, sua voz falhando por um breve momento. — Eu só… quero entender. Por que… por que você…? 

— Não é… da sua conta — Ryotaro interrompeu, ríspido. — E nunca vai ser.

Ryotaro virou as costas para ela, e começou a andar novamente para a saída. Porém, a determinação de Aiko insistia em dizer para ela continuar tentando. Então, ela correu em sua direção, gritando:  

— Espera!  

Ryotaro parou, sem olhar para ela. Rosnando algo parecido com “o que agora?”, esperou o que ela tinha a dizer. Aiko desviou o olhar, e sussurrou:  

— Eu entendo que… você não queira contar para mim. Você nem me conhece. Mas… eu quero ajudar. Quero que… você tenha amigos, sabe?  

— E se eu estiver satisfeito sozinho? — Ryotaro rosnou.  

— Ryotaro, ninguém merece ficar sozinho. Todos precisam de amigos, mesmo que seja só um!  

Essas palavras fizeram Ryotaro tremer levemente, fazendo ele se lembrar de um momento em sua infância. Algo que o fez quase colapsar, mas ele se segurou no último instante.

— O que… você… quer de mim, Aiko Takane? — Ryotaro sussurrou, a voz falhando na última frase.  

— Eu… só quero te ajudar — Aiko disse, sua voz suave.  

Ryotaro começou a caminhar de novo, não para se afastar, mas só para sair do colégio. Ao chegar na rua, Aiko estava do seu lado.  

— O que me diz? — Aiko perguntou. — Quer que eu te ajude?  

Ryotaro abaixou o olhar, não tendo coragem de olhá-la nos olhos, e suspirou. Ele ainda não se sentia pronto para uma coisa dessas, mas algo dentro dele dizia que ele devia ao menos tentar. Ryotaro estremeceu mais uma vez, e disse, sua voz meio falha:  

— Faz… o que quiser. Não vou te impedir.  

Aiko sorriu novamente, feliz por ele ter dado pelo menos uma chance. Não era uma oficialização de amizade, mas já era alguma coisa.  

— Obrigada — Aiko disse, inclinando a cabeça pro lado.  

Ryotaro, ao vê-la inclinar a cabeça daquela forma meio boboca, não evitou um minúsculo sorriso de canto, que rapidamente apagou antes que ela notasse. Aiko então se despediu de Ryotaro e caminhou até a rua. Porém, menos de dois segundos após ela pôr o pé na rua, o garoto quieto puxou Aiko de volta pra calçada. Foi tão rápido que a menina não teve tempo de piscar, e só sentiu o vento balançando seus cabelos e o coração acelerado. Depois disso, veio o silêncio, pesado e denso.

— C-cuidado! — Ryotaro gaguejou.  

— Ryotaro… — Aiko disse, sentindo o coração disparado e a respiração rápida. — Você… me salvou.  

Ryotaro soltou o braço dela, tão rapidamente que parecia ter se queimado ao tocá-la. Tentando manter a sua fachada de quem não se importa, desviou o olhar e disse:  

— Só fiz… o óbvio — e assumindo um tom um pouco mais autoritário e irritado, disse:  

— Mas vê se não fica correndo na rua desse jeito! Vai saber o que aconteceria se eu não tivesse aqui!  

Aiko olhou para ele, e reparou um pequeno rubor em suas bochechas. Ryotaro também olhou para ela, e os olhos dele encontraram os dela, e esse olhar perdurou dois segundos a mais. Aiko logo desviou o olhar, olhando para o chão, e corando.

— Mesmo assim… obrigada por me salvar — ela disse, sorrindo de forma genuína, embora o sorriso fosse pequeno. — Fico te devendo.  

— Tsc — foi tudo que Ryotaro conseguiu dizer, cruzando os braços e virando o rosto.

— Bom, eu vou indo agora. Já tá bem tarde. Tchau, Ryotaro! Até amanhã!  

Isso fez Ryotaro olhar novamente para Aiko, surpreso.  

— Hã?! Amanhã? — ele disse.  

— Claro! — Aiko disse, se virando para ele e inclinando a cabeça. — Você disse que eu podia tentar. Então vou tentar! Até amanhã de novo!  

E atravessou a rua, que agora estava deserta, acenando para ele enquanto corria. Ao vê-la desaparecer pela esquina de outra rua, Ryotaro ficou parado por mais alguns instantes antes de pôr novamente as mãos no bolso e resmungar:  

— Menina esquisita.  

E tomou seu caminho para casa, tentando esquecer o que tinha acabado de acontecer. Qualquer um faria isso… né?

Enquanto isso, com Aiko, ela também tinha seus próprios problemas. Enquanto caminhava pelas ruas, encontrou alguns de seus amigos, que não sabiam o que Ryotaro fez. De fato, ela tinha tentado falar para eles, mas ninguém dava atenção. Porém, foi quando os amigos se despediram e seguiram seus caminhos que as coisas mudaram. Sozinha, Aiko começou a olhar para todos os lados, ficando tão apavorada quanto tinha ficado com o quase acidente. Seu coração bateu acelerado, tremia da cabeça aos pés, e começou a suar frio.  

— Droga… — ela disse, apertando os braços. — Eu devia ter pedido pra minha mãe me buscar…  

Foi quando que, após ela cruzar uma rua, encontrou com sua mãe, Misao, junto de seu irmão caçula, Masahiro. Ela, ao ver que a filha estava em completo pânico, correu até ela, chamando por seu nome. Aiko, ao vê-la, correu até ela também.  

— Mãe! — ela disse, a abraçando com força.   

— Aiko — ela sussurrou, retribuindo o gesto. — Eu te disse pra não voltar pra casa sozinha.  

— Desculpa… eu me esqueci — ela disse, começando a chorar.  

Misao enxugou as lágrimas da filha com os polegares, e com o olhar que misturava alívio e preocupação, sussurrou:  

— Tudo bem, filha. Já passou. Vamos pra casa agora?  

— Sim… — Aiko sussurrou, se desvencilhando do abraço suavemente.  

Masahiro puxou a barra da saia dela, curioso.  

— Tá chorando, maninha? O que aconteceu?  

— Tá tudo bem, Masahiro — Aiko disse, fazendo um cafuné no irmão. — Só foi um susto. Tá tudo bem agora.  

O trio seguiu caminhando pelas ruas quase vazias, sob o brilho alaranjado dos postes. O vento frio batia nos cabelos de Aiko, mas já se sentia mais calma. Ainda assim, seus pensamentos insistiam em voltar para Ryotaro. Enquanto andava em silêncio, segurando a mão da mãe, se perguntou em pensamento:  

“Ryotaro… por que você vive tão sozinho? O que aconteceu contigo?”  

Já do outro lado da cidade, Ryotaro chegava em casa. Era um apartamento no centro de Tóquio. Ao entrar, encontrou a mãe, Megumi, curvada sobre a mesa da sala, com um monte de desenhos técnicos e rabiscos inacabados. Só se ouvia o som do lápis batendo na mesinha.  

— Demorou — ela disse, erguendo os olhos por um instante.  

— Trânsito — mentiu ele, com a mesma naturalidade de quem respira.  

No quarto, o mundo finalmente se aquietava. Os pôsteres de animes nas paredes, os mangás alinhados com precisão, as action figures imóveis. Era o único lugar onde as vozes da escola não chegavam. Ryotaro pegou o jantar e se sentou diante do computador, os dedos pairando sobre o teclado da história que escrevia. Era uma história boba, de um herói que ninguém via, mas que salvava o mundo nas sombras. Nunca mostraria a ninguém. O garoto quieto ia começar a digitar, mas hesitou. Não estava com cabeça para escrever agora.

A porta da sala rangeu. Seu pai, Ryu, entrou com o rosto marcado pelo cansaço de mais um dia como advogado sênior.  

— Oi, pai — Ryotaro disse, descendo as escadas e se recostando na parede com as mãos nos bolsos.  

— Oi, filho — Ryu respondeu, passando a mão no rosto. — 

— Você parece mais cansado que o normal.

— Dia de clientes… complicados.  

Ryotaro o observou por um segundo. A expressão de Ryu era a de um castelo prestes a desabar. Sem pensar duas vezes, o garoto subiu as escadas e voltou com dois controles de videogame na mão.

— Bora uma partida de Tekken? — ofereceu, balançando um deles no ar.  

— Não sei, filho… — Ryu hesitou, a voz carregada de exaustão.  

— Tá bem. Mas já sabe o que eu vou fazer se recusar.  

— Não ouse…  

— Vai arregar, marreco manco?  

Um riso escapou de Ryu, um riso baixo, mas genuíno. Ele arrancou o controle da mão do filho. — Agora você foi longe demais!  

Megumi, da sala, ergueu os olhos para o barulho que vinha do andar de cima. A princípio, franziu a testa, mas logo um sorriso cansado tomou seu rosto. Eles eram tão bobos. Tão deles.  

Lá em cima, Ryotaro já estava sentado na cama, o controle nas mãos, pronto para a partida. Ryu se sentou ao seu lado e, antes de apertar o start, passou o braço pelo ombro do filho, puxando-o para perto.  

— Ainda tem alguém bem humorado debaixo dessa carranca — ele disse, com um sorriso afetuoso.  

Quando a tela do jogo explodiu em cores e socos, a casa finalmente pareceu aquecer. Por um instante, Ryotaro se permitiu esquecer os olhares da escola, o apelido cruel, o vazio que o cercava. Um sorriso acabou escapando de seus lábios.

---

Caramba, você chegou até aqui! Pode dizer aqui nos comentários o que você achou desse primeiro capítulo e também deixar um like? Já me ajudar bastante! Obrigado de coração :)

ricaardovenancio
ricaardovenancio

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Lyrcathi
Lyrcathi

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Love the premise!!

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