Meu nome é Samuel Fox, tenho 18 anos e eu vivo numa cidade bem pequena no meio do nada graças a droga dos meus pais que não querem nem saber de mim, só dá minha irmãzinha que é o anjo deles. Você pode estar ouvindo isso e pensar que eu a odeio, mas na verdade é o oposto, eu a amo, meus pais que são o problema. Moro praticamente sozinho com meus tios viajando toda a semana.
Eu meio que tenho um leve gosto por mistérios, ficção, fantasia, mitologias ou como muitos fanáticos chamam “anomalias.” Estou agora voltando para casa depois de passar na cidade comprando uns essenciais para passar por essa semana.
O ônibus para e o motorista grita para mim e para um outro passageiro que parece que está dormindo.
-Última parada Lostlorn florest!
Desço do ônibus me deparando com o caminho iluminado pelo meio da mata que meus tios tanto amam, não tem muitas pessoas aqui nesse lugar, só tem 1 casa na redondeza além da minha e ela está abandonada a anos. Vou indo bem tranquilo até que sinto uma presença atrás de mim, como se fosse um vulto. Me viro assustado, mas não tem ninguém.
-Olá, tem alguém aí?
Nenhuma resposta, sério a cada dia que fico aqui isolado eu sinto que fico ainda mais louco do que eu sou. Chego em casa e organizo todas as compras que fiz. Aqui não é tão ruim, tem dois andares, um quarto enorme só pra mim, um escritório com uma vista incrível e uma biblioteca cheia de livros de mistérios que como já disse são meus favoritos.
Logo eu recebo uma ligação dos meus tios.
-Alo?
-Oi Sam, então tudo bem aí em casa?
Esse é meu tio Bernard, ele é dono de não sei quantas empresas de negócios que eu não me importo nem um pouco.
-Sim tio, acabei de voltar da cidade com comida.
-Ah coisa boa menino, que bom que tu sabe se cuidar, se não ficaria uma situação chata para nós, Hahahaha.
Em outras palavras “que bom que eu sei sobreviver com o dinheiro de vocês para vocês poderem fazer o que quiserem sem se importar comigo.”
-É Hahaha...
-Bem só estou ligando para avisar que eu e sua tia vamos voltar nesse fim de semana pra largar umas coisinhas.
-Tá, claro, a casa é de vocês.
Ele termina a ligação e eu desligo meu telefone, pego alguma coisa que tinha sobrado na geladeira e como na grande mesa do salão sozinho. Em meu quarto me deito fechando os meus olhos cansado do dia monótono que tive de novo.
-Raposinha...
Ouço uma voz dessa vez de alguém bem no meu ouvido, me levanto rápido e pego a primeira coisa que vejo que posso usar para me proteger.
-Quem está aí?
Novamente um silencio ensurdecedor não havia ninguém no quarto, o que que tá acontecendo comigo? Volto pra cama e tento dormir, talvez isso tudo seja só da minha cabeça.
Abro meus olhos com uma forte luz do sol, em um campo cheio de flores azuis circundado por um lago e uma casa de madeira pequena mais ao fundo. Um sonho bonito para variar pelo que parece.
-Raposinha...?
Essa voz, de novo, mas está mais alta, me viro rapidamente e então eu o vejo.
-Quem é você?
É um homem de pele escura, de cabelos dourados, ele usa um terno amarelo, uma cartola preta e luvas da mesma cor. Ele olha para mim com aqueles olhos amarelos misturados com verde, e quando abre a boca vejo seus dentes que mais pareciam de um tubarão.
-Você não sabe quem eu sou?
Ele me pergunta confuso, o que é hilario se pensar que estou conversando com um estranho em meu sonho.
-Não. Eu deveria?
Vejo seu olhar decepcionado, mas logo ele começa a rir tão alto que parecia que o mundo todo o ecoava.
-Mas é claro que você não está me reconhecendo eu estou muito horrendo, talvez assim você saiba.
Ele então estrala os dedos fazendo seu cabelo criar novas mechas vermelhas brilhantes que dão espaço para dois chifres, seus olhos antes amarelos agora são vermelhos com uma linha amarela, abrindo ainda mais dois deles, fazendo sua aparência ficar de humana para sobrenatural em segundos.
-E agora sabe quem e o que eu sou?
Me apavoro com a transformação repentina dele dando alguns paços para trás, sinto um medo e uma vontade de gritar, mas não consigo é como se o ar tivesse saído dos meus pulmões.
-Você é um...um demônio?
Seu sorriso abre ainda mais e ele abre a sua boca revelando uma grande língua, melhorando ainda a sua aparência monstruosa.
-Exatamente, eu sou o Demônio da Mente e você vai me ajudar!
O campo que deixava o local mais tranquilo é engolido por chamas azuis e então tudo a nossa volta começou a apodrecer.
-Você é mesmo real, não é um pesadelo?
-O que você acha?
Em circunstâncias normais, as pessoas estariam completamente assustadas por ver um ser sobrenatural na sua frente, mas para mim isso apenas me intriga.
-O que você quer de mim?
-A resposta é muito simples, eu quero fazer um acordo com você!
-Por que eu faria qualquer coisa com você?
Essa historia está começando a me prender mais ainda, ele volta a sua forma humana e dá um sorriso que me faz arrepiar todo.
-Você vai. No final não vai ter escolha!
Ele começa a rir histérico indo em direção as chamas sumindo nas mesmas, tudo começou a desaparecer até um clarão azul me cegar completamente.
Acordo no chão caído com uma leve dor na minha cabeça.
-Nossa Sam serio que tu vai começar seu dia assim?
-Não sabia que você gostava de falar sozinho.
Olhando para cima eu vejo aquele homem dos meus sonhos em pé na minha frente com aquele sorriso de orelha a orelha, me levanto rápido procurando algo para me defender, mas tudo que acho é um travesseiro próximo a minha cama.
-Quem é você e como entrou aqui?
-Meu nome é Lucian Reegk e entrei pela porta.
-Não foi isso que eu... ah deixa, me diz o que você quer aqui?
Ele vai andando até uma poltrona que tinha no me quarto e se senta cruzando as pernas me observando sorrindo de cima a baixo.
-Eu já não te respondi isso? Um acordo contigo.
Eu não entendia o que aquele cara tinha na cabeça para entrar na minha casa assim, mas sei que não podia abaixar a guarda, vai que é um louco daquela cidade.
-Eu não sou um assassino, não da sua dimensão pelo menos.
-Como sabe o que eu estou pensando?
-Ah, isso é fácil de responder, eu sou o demônio da mente. Posso ler os pensamentos de qualquer um quando eu bem quiser além de outras coisinhas!
Ela solta uma risada mais controlada da que ouvi no meu sonho.
-Bom, agora podemos ir aos negócios?
Isso não tá acontecendo, não é real né?
-Que tal você só aceitar que sou de verdade um demônio que quer fazer um acordo contigo, eu sei que você não tem medo de mim e sim curiosidade!
Ele não está errado, eu adoro o lado paranormal e um demônio na minha frente é realmente incrível de se ter, quero saber mais, mas também me preocupo com minha segurança. Acho que não faria mal se eu aceitasse fazer isso, pela ciência. Lucian solta um leve sorriso.
-Então, temos um acordo?

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