Bobinho (já que tenho hábito de dar um nome pros meus diários),
Você não é o primeiro diário que ganhei, e não sei se vai ser o último.
Esse é o sexto diário que ganhei, e provavelmente o segundo em que não vou escrever por alguns dias e esquecer de você, como 4 dos 5 diários anteriores.
Eu ganhei o primeiro aos 9 anos. Era um daqueles diários infantis, e chamei ele de Criança. Só escrevi por uma semana... Na verdade, eu fiquei mais concentrado em preencher as coisas que o diário perguntava e desenhar nele.
O segundo, Aniversário, eu ganhei no aniversário de 11 anos, e eu escrevi muito pouco nele; acabei esquecendo aquele diário na casa de uma prima e acho que foi roubado, pois uma semana depois a mesma disse que a casa foi invadida e levaram ele apenas.
O terceiro, Adolescente ,foi quando eu tinha 12 anos. Só escrevi por 10 dias e depois esqueci dele.
O quarto, Psicológico, foi quando eu tinha 13 anos. Digamos que naquela época eu não estava muito bem mentalmente e fisicamente... Escrevi naquele diário por muito tempo, até que um ano e meio depois aconteceu uma "coincidência" estranha e triste: quando fiquei bem mentalmente, o diário sumiu e só achamos seis meses depois, quando meu tio... Prefiro não mencionar.
O quinto, Natalino, foi aos 15 anos, no Natal. Escrevi por 8 dias e parei, pois no início do ano passado me mudei de casa e perdi o diário.
E hoje ganhei você.
Mentira, eu ganhei no meu aniversário. Mas eu não escrevi, por medo de acontecer alguma coisa ruim com você, então esperei um tempo.
Er... Bom, já que não aconteceu muita coisa interessante, vou contar sobre algumas pessoas.
A minha mãe se chama Amélia. Ela é uma mulher amarela, e a mãe mais incrível de todas! Ela sabe fazer um monte de coisa legal, como...
Desculpa, eu não sei como descrever isso. Depois que minha mãe se casou com meu pai, ela perdeu muitas habilidades que, segundo ele, "não são importantes para uma mulher". Mas ela sabe inventar muitas histórias, e isso ela nunca perdeu habilidades.
O meu pai é um monstro vermelho, que fuma e bebe. Ele sempre fica xingando minha mãe, e se ela não obedecer uma ordem dele, recebe uma surra. Quando acontece algo ruim com esse monstro, ele sempre coloca a culpa em mim por eu ser negro.
Ele fica falando coisas como "Como eu posso ter um filho de uma raça inferior?" e "Se eu não tive parentes pretos, como você pode ser dessa raça?"
Essa última frase mostra que ele é um mentiroso. Na verdade, ele é filho de uma mulher negra, mas depois que o pai biológico morreu, ela o deu para uma outra família. E não, eu não sei como ele é preconceituoso, sendo que a família adotiva nunca foi assim.
Quer dizer, talvez eles eram homofóbicos, mas minha avó paterna já falou que nunca deixaram isso explícito. Então, como?
Eu estudo na escola Marcela Badalotti, em Curitiba, e eu tenho duas inimigas: Aiko e Rosilene.
Aiko é uma garota muito alegre, mas sempre briga comigo por eu provocar ela. Eu estou tentando evitar, mas as vezes isso escapa. Acho que a culpa é minha: no dia que nós conhecemos, eu estava meio irritado por causa do meu pai e acabei descontando nela.
Já a Rosilene é uma garota que é tímida na maioria das vezes. Na verdade, eu não sou inimigo dela, eu só não vou com a cara dela mesmo.
Agora, tem uma garota que não estuda nesta escola ainda, mas eu já a conheço e amo ela: Rosalina. Ela é simplesmente a garota mais linda que já vi.
Ela nasceu com uma condição que aqui atinge 30% da população: Ela tem duas cores, apesar da marca (que perdemos quando nossos cabelos crescem) ser de uma. Ela tem cabelos lisos, lindos e marrom, com algumas mechas rosadas, e tem heterocromia: um olho rosa e outro marrom.
Eu a conheci no 8° ano, quando ela se mudou pra minha escola, e me apaixonei de imediato. Ela é tão linda, tão maravilhosa, tão incrível...
Infelizmente fomos para escolas de ensino médio diferentes, mas mantemos contato por telefone e WhatsApp. Espero um dia poder estudar com ela.
Enfim, agora, eu vou escrever uma coisa sobre o diário: acho que ninguém quer que seus segredos sejam revelados, mas ninguém falou em que momento querem que leiam. Então, eu só vou deixar que alguém leia se:
•Eu perder o diário e alguém encontrar depois de muito tempo. (Mais provável)
•Eu morrer (Espero que nunca ocorra isso)
•A Patrícia voltar pra cidade (talvez isso nem ocorra, mas se acontecer, só ela vai ler isso)
Enfim, acho que foi tudo isso que eu tinha pra falar.
No dia 11/10/2024, o que era para ser um dia normal acabou sendo o dia de um acidente grave: um ônibus que levava alguns estudantes para a escola Marcela Badalotti foi atingido por um caminhão desgovernado, causando a morte de sete jovens que estavam dentro, incluindo Lorenzo Lima.
Dois meses depois, a mãe dele, Amélia, retirava as últimas lembranças dele de sua casa, quando se deparou com um "caderno". Curiosa, ela resolveu ler o diário.
Ela só não esperava o que iria ler...
¡Avisos!
Esse diário foi levemente baseada no livro "Os papéis de Lucas", que é baseado numa história real.
Apesar de ser uma história de ficção, foi e é baseada em fatos reais.
Esse é um universo alternativo de um projeto que vou postar futuramente.
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