Assim que o último arco luminoso do sol laranja local desapareceu abaixo da linha do horizonte, o Vampiro Luciphaeros despertou em meio às trevas gélidas preenchendo sua cripta.
O sinistro compartimento era sem janelas, e hermeticamente fechado. Além disso, sua localização era estratégica, no exato centro geométrico da gigantesca Nau Empírea negra... de fato, tão longe quanto possível da superfície exterior - e de qualquer luz solar porventura lá incidindo.
Mesmo assim, de certa forma, o mundo lá fora ainda era “enxergado” por Luciphaeros. Ou, melhor dizendo, por uma parte de seu ser que era incorpórea e inconsciente.
O Campo Perceptual. Uma emanação mística continuamente irradiada pelo corpo de Luciphaeros, mesmo quando sua mente desaparecia por completo no sono negro e sem sonhos dos Vampiros, indistinguível da própria Morte.
Etéreo e fantasmagórico, o Campo passava sem qualquer esforço através da colmeia de pisos e paredes de Eternstehl preenchendo o interior da hidronave. Mesmo o de outra feita quase impenetrável casco exterior de Aegium Negativo era trespassado como se fosse ar rarefeito.
De lá, o Campo ainda se propagava por milhas e milhas, em todas as direções... e nas três dimensões. De fato, ele alcançava as camadas inferiores da estratosfera indo por cima, enquanto que, na direção oposta, ele atingia o fundo do mar - indo, aliás, bem além dele, penetrando profundamente na própria rocha maciça da crosta oceânica.
Finalmente, a partir de certo limiar, o Campo por fim enfraquecia, para logo em seguida desaparecer por completo... vencido pela distância, e somente por ela.
Ao longo de todo esse vasto alcance, o Campo percebia em detalhe todas as distribuições relevantes de matéria e energia. Assim, foi fácil para ele detectar o exato instante em que o horror indescritível da luz solar direta foi segura e completamente oculto abaixo da distante linha onde o mar parecia encontrar o céu.
Então, com uma espécie de “vida” própria, o Campo decidiu que era chegado o momento adequado de despertar sua... fonte. Luciphaeros então abriu seus olhos.
Seus hórridos, tenebrosos olhos...
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