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[NOVEL PTBR] Potentia

Track 01. a song is born

Track 01. a song is born

May 03, 2024


Potentia, uma habilidade que alguns indivíduos recebem dentro da etapa humana. Dentro do misterioso universo e seus incontáveis planetas, há aqueles que recebem esses poderes. 


Estas pessoas recebem a missão de ser responsáveis pela manutenção de seus mundos para que se mantenha a harmonia. 


Mas se é assim… por que alguém tanto chora?




Planeta Utopia, 12 de novembro



Naquela noite especial, Akiko, uma jovem de cabelos lilás e olhos azuis claros, corria apressada até o salão repleto de cristais e quartzo rosa.


De estatura média, Akiko usava um vestido drapeado com firmes babados nas laterais. Suas cores com efeito furta-cor combinavam com sua personalidade. Ao avistar o grupo de meninas, cumprimentou:


— Olá, meninas! Cheguei cedo, viram?


— Nossa, que surpresa, Akiko... — respondeu Naoko, debochando. 


Naoko tinha cabelos e olhos negros que contrastavam com sua pele clara. Seu traje longo de tons variados de azul e pequenos detalhes em branco remetiam ao mar.


— Você só chega cedo quando está curiosa — disse Miyu, olhando com seriedade. 


Miyu tinha pele negra, cabelos e olhos verdes. Em tecidos estruturados, o vestido imitava folhas de plantas e detalhes em pérolas lembravam o orvalho da manhã.


— Akiko está aqui? Estou atrasada? — brincou Megumi, dando uma risada contida.


Megumi era uma mulher alta de cabelos loiros ondulados. Seus lábios pintados com batom vermelho, fingiam espanto. A elegância se mostrava em seu vestido longo e fluido que contornava seu corpo com leveza, refletindo um brilho sutil.


— Ora, ora. Mas que surpresa, não é mesmo? — disse Sayuri, com um riso simpático.


A mais madura do grupo, Sayuri, exibia um sorriso simpático. Seus cabelos eram negros, curtos e ondulados, e seus olhos, azuis. Longo e leve, sua veste remetia à fluidez do vento.


— EI! QUE CONSPIRAÇÃO É ESSA? — reclamou Akiko, enquanto as outras colegas riam.


Durante as risadas e brincadeiras, uma pequena garota se aproximou pedindo licença de maneira tímida. Seu nome era Matsui, de cabelos avermelhados e ondulados nas pontas, presos em cada lado. Seu vestido era delicado, feito de organza com estruturas em formato de pétalas de flores.


— Mana! Vem! — convidou Akiko, olhando para trás. 


Ao lado da garotinha estava uma mulher alta, de cabelos na mesma cor dos de Akiko. Vestida nas cores do arco-íris, a Sra. Yajima, mãe de Akiko e Matsui, encarava sua filha mais velha:


— Cuide bem de Matsui, certo, Akiko? Não quero ver você correndo por aí. Não se sujem, não se atrasem... Você sabe que a festa dela é hoje à noite.


— Mãe! — reclamou Akiko. — Eu já entendi! 


Nesse meio tempo, Sayuri se aproximou da mãe de Akiko e encostou em seu ombro.


— Não se preocupe, Sra. Yajima. Eu cuidarei delas.


— Bom saber disso. Obrigada, Sayuri. Confio em você.


Logo, a Sra. Yajima olhou com carinho para suas filhas e se despediu:


— Bem, estou saindo agora. Até mais!


Depois que ela se retirou, houve mais um tempo de espera. De repente, uma luz surgiu do altar de cristais, moldando-se na forma de uma mulher e logo apresentando sua presença marcante. 


Alta, de pele morena e longos cabelos castanhos e ondulados. Usava um vestido preto assimétrico que mostrava sua imponência. De feição autoritária, ela encarava o grupo de jovens. 


— Boa noite a todas. Eu, Ayami, Potentia do Julgamento, estou aqui para conduzir todas vocês hoje — apresentou-se. Cada palavra parecia um comando. 


A pequena Matsui ficou confusa com a aparição repentina e perguntou de onde aquela mulher tinha vindo. Sayuri apontou na direção do núcleo de cristais, que brilhavam intensamente:


— Ela veio dali. Aquele lugar é como uma porta que conecta o nosso mundo a outros mais distantes. 


Ayami não se importou com aquela interrupção e continuou sua fala:


— Potentia de Utopia, vim mais cedo que o combinado, pois gostaria de convidar vocês sete para uma missão. 


— Mas, senhora… Nós estamos em seis, não tem sétima, não — corrigiu Akiko, usando toda a educação e formalidade que lhe era possível.


— Ah... é verdade. A sétima está na Terra — confirmou Sayuri.


— Ela foi pra lá de novo? — perguntou Naoko.


— Sim! Aino mora lá, faz tanto tempo que não nos visita — respondeu Megumi. 


Uma tensão repentina tomou conta do local, a expressão de poder e superioridade de Ayami rapidamente se desfez e ela franziu as sobrancelhas.


— Como? O que disseram? Por quê?


— Senhora Ayami!? Está tudo bem? — Megumi estranhou a mudança repentina e ficou preocupada. Perguntou, olhando para Ayami com o canto dos olhos.


— Eu decidi... — disse Ayami de maneira áspera, olhando para elas de cima para baixo. — Não quero mais a ajuda de vocês. 


Ela levantou sua mão em direção ao altar de cristais de onde veio. Os fios metalizados do vestido reluziam como faíscas, acompanhando o movimento. Uma energia escura se formava em sua mão.


Ayami disparou sua Potentia, uma esfera negra que logo tomou o local, e sua força atingiu o centro do altar. A velocidade com que aconteceu foi tamanha que não havia tido tempo das meninas perceberem o que acontecia. De repente, o vazio engoliu tudo à frente delas.


A grande explosão que ocorreu deixou um espaço naquele sistema planetário. Utopia havia deixado de existir. 


Ayami permanecia protegida dentro de um escudo arredondado e translúcido que envolvia todo seu corpo. Olhando para aquele nada, ponderou com desdém:


— Hum... É, talvez eu tenha exagerado.


Não havia compaixão nem arrependimento em seu olhar. Parecia plena, até sentir uma presença que, pouco a pouco, se aproximava. Rapidamente, alguém se aproximou de suas costas. Ela se virou, e uma expressão de espanto tomou seu rosto. 


A presença era de uma outra mulher de longos cabelos rosas que a encarava em silêncio.


— Você! — Ayami arregalou seus olhos, encarando-a.





Planeta Terra, 12 de novembro, noite



No mesmo instante em que o vazio se formava naquele canto do universo, no distante planeta Terra, uma jovem de cabelos longos, pretos, com franja, se revirava na cama, alheia ao que estava por vir, tendo problemas para dormir.


— Que droga! — murmurou, incomodada. — Que sensação estranha... Não consigo dormir.




Planeta Terra, 1º de março do ano seguinte



Numa espaçosa casa de dois pisos, localizada num dos bairros nobres da cidade, um despertador tocava freneticamente. Eram seis da manhã e hora de começar a rotina.


— Ah, não... Eu ainda estou com sono — reclamou um homem de cabelos e olhos negros, chamado Guang.


Sayuri, que estava deitada ao seu lado, não conseguiu conter o riso.


— Mas temos que acordar. Vou chamar as meninas. 


Sayuri levantou da cama e se dirigiu ao outro quarto, abrindo a porta silenciosamente para chamar as jovens:


— Bom dia, meninas! Hoje é o primeiro dia de aula, vamos acordar! 


No quarto havia duas camas simples e um beliche. Megumi já estava se espreguiçando e acordando. Naoko não estava no quarto, já havia se levantado e estava se arrumando.


— Bom dia, Sayuri — cumprimentou Megumi.


Na outra cama, a pequena Matsui estava dormindo profundamente. Miyu, que dormia na cama debaixo do beliche, sentava-se lentamente em silêncio, acordando aos poucos. E na parte de cima, Akiko escondia seu rosto debaixo do travesseiro e voltava a se cobrir.


— Não, não, não... — repetia como um mantra, indignada por ter que acordar tão cedo. 


Após três meses e meio do ocorrido em Utopia, as meninas tentavam levar uma vida normal em seu novo lar. Acostumada com a rotina, Sayuri já sabia o que fazer, e, num tom simpático, disse a todas:


— Vamos rapidinho. Guang precisa trabalhar e vai dar carona para vocês… Ah, e quem demorar vai ficar sem café da manhã.


— QUEEEEEEE?


Akiko levantou num pulo, assustada com a ideia de ficar sem comer pela manhã.


Não demorou para que todas ficassem prontas e tomassem um generoso café. Megumi, que não estava mais em idade escolar, pôde aproveitar esse momento para fazer sua rotina diária com tranquilidade.


— Vamos logo para o carro. Não vamos nos atrasar — chamou Guang.


Antes de ir, ele se aproximou de Sayuri e lhe deu um beijo, avisando que retornaria mais cedo naquele dia. 


O carro de Guang era espaçoso o suficiente para comportar ele e as meninas. A escola ficava no caminho, então deixou-as na frente e seguiu até o trabalho.


Chegando, elas desceram do carro e observaram o novo ambiente. O colégio tinha três pavimentos, a vegetação na entrada conferia um clima acolhedor e parecia ter muitos alunos.


Miyu possuía um gosto especial pelos estudos e estava animada, Akiko ficou impressionada com o tamanho da escola. Já Naoko, mais pé no chão, lembrou-as que era apenas um colégio e aquele exagero não era necessário.


Era o dia de estrear o uniforme escolar. A camiseta branca de malha com a estampa do logo da escola era solta e permitia os movimentos agitados das crianças e adolescentes. Os meninos usavam calça e as meninas costumavam usar saia, na cor vermelha. O padrão escolar também exigia meias brancas com tênis brancos ou pretos. 


Elas entraram no colégio e avistaram muitos estudantes aglomerados olhando as listagens de folhas espalhadas pelas paredes. O som dos alunos em conversas paralelas, misturado ao barulho incessante dos passos mostrava o quão caótico era aquele ambiente.


— Olha, Akiko, ali tem um grupo grande. Deve ser para ver as turmas — disse Miyu, enquanto apontava para o local. 


— Ahhhh, pode crer, vamos lá checar!


Elas conseguiram se aproximar das listas do primeiro ano do ensino médio e viram que estavam juntas na mesma turma, além disso, mais um nome na lista chamava atenção.


— Miyu! É o destino, estamos na mesma sala que a Aino!


— Deve, deve...


Miyu começou a observar em volta e identificou sua amiga, tocando no ombro de Akiko para perguntar:


— Akiko, aquela lá não é a Aino?


Akiko se virou, viu sua amiga e gritou, correndo escandalosamente em direção a ela:


— AINOOOOOO!!!


— MAS O QUÊ? — Aino congelou.


— Aino! Que saudades! Que lindo que tá seu cabelo! Como é bom ouvir sua voz fina como um gatinho miando!


Aino era alta, de ombros tensos, cabelos castanhos com finas mechas loiras, olhos escuros e pele bastante clara. Tinha a voz mais aguda que o normal. Sua preocupação na vida era manter sua reputação, pois não gostava de chamar atenção desnecessária. Algo que Akiko, com seu jeito espontâneo, não estava permitindo. Ela se pendurou no pescoço de Aino e não parecia que a largaria tão cedo.


— Eu tô passando vergonha... — reclamou Aino, mas não adiantou.


Passando ao lado, uma estudante viu a cena e decidiu se unir, pendurando-se no outro ombro de Aino. Akiko e ela acabaram por trocar olhares. 


— Olá, sou Akiko. Esta aqui é Miyu, muito prazer! Somos amigas da Aino. — Ela foi se soltando do ombro de Aino para se apresentar.


— Me chamo Yukino. Eu sou prima de terceiro grau da Aino.


Yukino era uma jovem de pele clara, cabelos longos, pretos e com franja, olhos castanhos e que vestia o uniforme escolar masculino.


— Nossa! Que legal conhecer uma parente da Aino aqui no plan…


Akiko foi subitamente interrompida por Miyu, que tampou sua boca.


— Que legal, Yukino! — Miyu sorriu sem graça. — E nos conte, como é a escola?


— A escola? Tá, vamos ver. Os professores até explicam bem. Alguns são legais. Mas tem algumas coisas que não são necessárias. Os eventos escolares e competições esportivas, por exemplo, não são exatamente o problema, mas fazem com que seja obrigatória a participação de todos porque vale nota para a equipe vencedora, mas no final, todos sempre ganham a pontuação. O que tá tudo bem, mas todo mundo briga porque pensa que não vai ganhar nada. E falando do pessoal, a maioria está numa fase chata. Parecem até que estão no cio. A preocupação deles se resume em quem consegue beijar mais pessoas em um dia... Mas tem um pessoal legal também — disse Yukino, sem pausar, mantendo sua expressão facial neutra.


Miyu e Akiko não conseguiram disfarçar a cara de espanto escutando a menina contar suas experiências naquele estabelecimento de ensino. Internamente, se questionaram se deveriam ter perguntado, mas logo pensaram que poderia ser um exagero dela.


Nesse meio tempo, Naoko, que era alta, facilmente se aproximou da lista de salas do último ano do colegial.


“302, tanto faz, não conheço ninguém mesmo”, pensou Naoko.


As meninas foram para suas salas assistir às aulas. Akiko não parava de pensar em como tudo era tão novo para ela. 


Durante suas atividades, a jovem devaneava, nunca tinha imaginado o quão cansativo seu primeiro dia de aula do ensino médio seria.


“Foi a manhã toda de aula. Esse primeiro dia foi bem cansativo. O primeiro professor nem se apresentou e passou o calendário de provas até o meio do ano. 


Os alunos ficaram falando mal uns dos outros durante a maior parte da aula. Não fiz nenhum amigo. 


Aino ficou babando pelo professor de matemática, várias garotas ficaram. Não consegui entender o porquê. 


Reclamaram que eu era muito clara e devia me bronzear para ficar bonita. Mas também reclamaram da Miyu porque era muito escura. Não entendi nada. 


Talvez Yukino tenha razão, isso é uma selva”. A mente de Akiko estava em loop infinito de pensamentos sobre aquela manhã, tão diferentes de seus dias em Utopia.

Yelmizuno
yelmizuno

Creator

Alguns nascem com um poder capaz de mudar o destino de um planeta. Outros apenas tentam sobreviver às consequências.

Após a destruição de Utopia, seis jovens são forçadas a recomeçar suas vidas na Terra enquanto procuram respostas para uma tragédia que jamais deveria ter acontecido.

Entre amizades, conflitos, mistérios e o cotidiano escolar, elas descobrirão que o passado continua à espreita — e que algumas verdades podem colocar o universo inteiro em risco.

Uma fantasia com drama, mistério e slice of life.

#josei #potentia #Magicgirl #Power #universe #portugues #Fantasy #mystery #drama #Sliceoflife

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helmoatayde
helmoatayde

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sei que sempre havemos de deixar passar um erro ou outro. Cosidere revisar o texo. Ex.: Regra do uso de Por que. Fico feliz de saber que tem gosto pela escrita.

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