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O Desconhecido da Mansão Valentine

01- Sussurros. Existências ocultas. (Pt-br)

01- Sussurros. Existências ocultas. (Pt-br)

May 17, 2021

Uma distinta mansão renascentista, pálida e de muitos cômodos, estava enraizada em um terreno gigantesco nos arredores de uma metrópole que poderia tê-la engolido há décadas, porém parecia concordar em manter-se longe da propriedade misteriosa. Por muito tempo o lugar não chamava atenção alguma, passando pelas décadas sem mudar nenhum de seus detalhes e até seus bosques foram negligenciados e se tornaram inexploráveis.

Contudo, quando foi inesperadamente vendida para a família de sobrenome Valentine, a mansão passou por uma reforma completa. Toda a fachada e interior estavam revigorados, sem perder seu estilo. Seus gramados foram nivelados e aparados. O lago foi despoluído e revivido com novos peixes. Os bosques foram limpos e organizados. Mas a maior mudança para quem morava no mesmo bairro foi que a propriedade se tornou mais inacessível. Isolando-a da vizinhança toda, construíram muros ao seu redor, câmeras foram instaladas em diversos pontos, novos portões de entrada e saídas surgiram em pontos cardiais, possibilitando a saída furtiva para ruas diferentes, e, principalmente, qualquer um via a constante vigia de seguranças sérios.

Tanto mistério, e sem informação nenhuma dos moradores ou empregados, muitos vizinhos apenas imaginaram que historias aconteceriam dentro da mansão. Tudo que sabiam era que um homem de negócios chamado Valentine era seu dono. Assim, a mansão também recebeu seu sobrenome nas conversas sobre o lugar, e a vizinhança estava certa em não perturbar.

Quando tinha apenas cinco anos, Prince Valentine era um solitário menino que acreditava que havia fantasmas da mansão. Em algumas noites, as vozes ecoavam no silencio absoluto, muito distante, mas para os ouvidos de uma criança assustada e completamente sozinha no enorme quarto, elas pareciam rodear sua cama em meio à escuridão e começaram a atormentá-lo.

O caçula Valentine havia crescido sem a mãe. E seu pai estava sempre ocupado, porém tinha preocupação e tempo disponível para sua filha primogênita se precisasse. Não havia quem ouvisse Prince sobre seu medo das assombrações e lhe confortasse naquelas noites assustadoras, então com o tempo ele aprendeu que só restava trancar a porta de seu quarto e se vestir com a fraca armadura de suas cobertas, fingindo e dizendo para si mesmo que nada daquilo era real e, muitas vezes, foi assim que caia no sono; principalmente se chorasse quando o medo se tornava intenso demais e as vozes risonhas de crianças se tornavam monstros fantasmagóricos em sua mente perturbada.

Seu medo era provado por que ele, sendo seguido constantemente pela babá, já havia explorado todos os quartos e corredores e concluído que não existiam outras crianças em toda a mansão. Havia apenas ele e sua irmã, Qüeen, os dois filhos do senhor Valentine. Mesmo a babá, que sempre esteve com ele e parecia deixá-lo fazer o que quisesse, não era capaz de lhe dar um aconchego materno quando o menino se via no pesadelo dos fantasmas, na verdade ela só fazia algo minimamente afetivo quando tinha alguém importante olhando.

Assim como a mansão parecia por fora, por dentro ela era sempre fria e solitária. Sua decoração e mobília em grande quantidade faziam uma tentativa de deixá-la receptiva. Mas fracassavam diante da distancia entre a família dona e dos poucos empregados domésticos que a mantinham em ordem.

Desde que Prince se entendia como gente, só conhecia aquele ambiente. Com um pai distante e cercado apenas de empregados discretos, o pequeno menino havia se adaptado à solidão e ao silêncio, brincando, aprendendo e imaginando coisas, sozinho. Talvez, alguém de fora até duvidasse que o garotinho de cabelos escuros não fosse capaz de conversar direito aos seis anos de idade, mas ele era suficientemente normal e os psicólogos atestaram isso. Sua educação e jeitos eram refinados pelas lições concisas e efetivas nos encontros com o pai, apesar de ocultos pela pouca sociabilidade.

E foi em uma noite nessa idade, em seu quarto na ala leste, que o pequeno Valentine não teve tanto medo dos fantasmas...

Estava quase cochilando quando ouviu os risos de crianças ecoando mais nítidos e próximos de seu quarto. Subitamente, ele ficou curioso e se sentou na cama devagar, queria saber por que eles pareciam se divertir numa casa tão sem graça. Logo escutou passos macios correndo pelo seu corredor e sumindo rapidamente. Seu coração disparou e levou alguns minutos até ter coragem e curiosidade suficiente para ir investigar. Abriu uma pequena fresta da porta do quarto e espiou até decidir ir atrás das crianças fantasmas, com todo cuidado. As batidas de seu coração eram altas e fortes enquanto analisava cada sombra mal iluminada pelos candelabros de luz amarelada dos corredores. Inspirando o máximo que podia a cada respiração para encobrir seu medo, foi procurando em todas as direções. Escutou atentamente os mínimos sons, mas não encontrou, nem ouviu algum fantasma. Prince sabia que era tarde e voltou para seu quarto mais frustrado do que assustado, sem deixar de pensar o que faria se realmente encontrasse as assombrações naquela noite. Imaginou que se fosse um menino morto, pudesse estar rindo com eles, correndo pelos corredores escuros da mansão e se divertido juntos, em paz.

...

― Olga? ― o menino murmurou para a babá, interrompendo-a quando estavam juntos na biblioteca e ele estava deitado em um tapete, ouvindo-a ler uma história de dois irmãos abandonados em uma floresta. ― Por que não posso brincar com minha irmã?

A mulher observou-o por cima do livro:

― Você já sabe a resposta, Prince ― respondeu sem animo. Os olhos do pequeno, que variavam de verde ao cinza de acordo com seu humor, a encararam sem expressão, porém insistentes. Ela suspirou: ― Sua irmã é doente, precisa ser poupada e não teria disposição para aguentar uma criança agitada como você. Não faria bem para ela. E ela estando bem, seu pai fica feliz.

― Então... Eu sou ruim para ela? ― disse preocupado.

A mulher suspirou novamente:

― Não é bem assim.

― Mas... Então por quê?... Eu... Eu só queria ficar mais tempo com ela... ― choramingou o menino, cobrindo o rosto com as mãos ― Queria... Rir junto... ― lembrou-se sozinho da diversão dos fantasmas. ― Brincar de varias brincadeiras...

― Ah! Prince! Pare com isso, agora! Você já ouviu tudo de seu próprio pai. Já está crescido o suficiente para aceitar isso. Quer mesmo irritá-lo com esse tipo de conversa insistente?

Com um rápido tremor o menino calou-se e conteve o choro. Limitando-se a balançar a cabeça em negativa para respondê-la. Logo, sem ser mandada, a baba simplesmente retornou a ler o livro para ele em tom alto suficiente para não ser facilmente interrompida.

A história do curto passado de Prince já pesava nos ombros dele. Ele tinha entendido que era uma tradição importante da família Valentine que cada geração só houvesse um descendente, para que as riquezas se acumulassem e os negócios ficassem nas mãos de apenas uma pessoa. A adorável Qüeen era a primogênita, foi planejada para ser uma mulher bela, inteligente e perfeita no futuro e que herdaria todos os negócios que o senhor Glória Valentine administrava, inclusive aqueles que as leis desconheciam. Ou, ao menos, era isso o que o pai deles imaginou quando descobriu que a esposa estava grávida da menina.

Após o nascimento da pálida ruivinha, o plano parecia se concretizar, mas quando ela completou um ano os pais descobriram que a menina tinha uma doença ainda desconhecida e que seu sangue extremante raro dificultava mais um tratamento. Porém, o senhor Valentine, com sua personalidade obstinada, continuou devotado à única filha, disposto a fazer qualquer coisa para que no futuro ela fosse um líder exemplar, controlando todos os esquemas por trás de seus negócios de fachada e até unificando a família com a de outro poderoso homem ao casar-se. Queen viveu uma vida quase normal e próxima dos pais até os quatro anos, passando por uma rotina de tratamento que buscavam retardar ou acabar com os efeitos da doença, e nesse tempo a garotinha demonstrou uma personalidade cópia da do pai, o que o deixou mais insistente em salvá-la de vez e ele até incentivou que a mãe também fizesse algo.

Prestes há completar cinco anos, Queen teve uma fase difícil com sua doença. O senhor Gloria apostou em todos os meios que encontrou para recuperar a saúde da menina antes que fosse tarde. E foi nesse momento que o nascimento de Prince aconteceu apenas pelo desejo de Nicole, a mãe deles. Ela teve esperança de que o próximo filho tivesse o mesmo sangue e pudesse trazer uma cura para a doença de Queen, mas o menino não era compatível, apesar de saudável.

O senhor Valentine, que nos nove meses quase tinha perdoado a esposa por ter quebrado a longa tradição de sua família, viu o menino como um desgosto por não ser útil para salvar sua herdeira e não conseguiu evitar tratá-lo como um reserva, mal o deixando conviver com a irmã que a cada ano piorava um pouco mais.

...

Em um dia de verão entediante, o pequeno Prince decidiu fugir da babá para se divertir e se escondeu em um armário na área dos empregados, um lugar que ele normalmente não andava e isso só dificultaria a brincadeira de esconde-esconde para a Olga.

E foi escondido que ele conheceu mais algumas informações do por que o pai não o tratava como tratava a filha.

― Você viu a foto de seis anos do pequeno Prince? Aquela o senhor mandou colocar na sala de estar ― falou uma jovem empregada, distraída. ― Ele está tão lindinho! E cresceu tão rápido! ― riu. ― Ele fica ótimo em qualquer fotografia, não acha? A pose e a expressão dele parecem certinhas, mesmo sem querer! Ah, não consigo deixar de admirá-lo nos retratos quando estou limpando a sala. É uma graça!

Escondido, o menino ficou bastante curioso sobre quem na casa pudesse gostar dele ao ponto de fazer um comentário carinhoso como aquele.

― É sim ― concordou outra voz. ― Ele está ficando muito parecido com a mãe também. E isso faz o senhor Valentine lembrar-se de muitas coisas do passado... Mas... Aquela deve ser a última foto dele que vai ficar exposta na casa.

― O quê?! Como assim? ― disse a primeira, espantada. ― O senhor Valentine vai fazer alguma coisa com ele?

― Ah, eu não sei... Quem nesse mundo sabe o que realmente aquele homem louco faz ou pensa? O menino nunca foi desejado de verdade por ele. Depois que a esposa dele morreu, ele só manteve Prince sobrevivendo nesta casa por que... Bem, se a filha não sobreviver, ele vai precisar de um herdeiro legitimo. Mas o louco também tem muita fé que vai deixar Qüeen saudável a qualquer momento.

― E a mãe dele? Ela gostava dele, não é?

― Ah, pobre mulher... Ela amou o menino, sim. Quando estava em sua barriga, mas aquilo podia estar misturado com a esperança que ela tinha para sua filha. Depois a senhora Nicole acabou sendo contaminada pelas palavras do senhor Valentine, se sentido culpada e talvez até se arrependido. Nos seus últimos dias viva, estava tão perturbada e triste que não conseguia ficar com o garotinho por muito tempo.

― Foi um acidente de carro, não? O que matou ela...

A outra suspirou, assumindo um tom mais cauteloso:

― Foi quase isso. O acidente a fez ficar no hospital entre a vida e a morte. E quando pareceu que estava levando tempo demais, ela se foi de repente. Uma situação suspeita para muitos empregados, mas não passou disso, ninguém mais conversou sobre ela dentro dessa casa. Contudo, o que importa é que ela foi para uma vida melhor que a que estava tendo.

De repente, a voz da babá de Prince surgiu no cômodo, cortando o silêncio que as duas empregadas fizeram:

― Vocês, desocupadas, me ajudem a achar o menino! Deu naqueles miolos se esconder de mim! Vamos!

E foi assim que Prince Valentine descobriu como sua mãe o deixou nesse mundo e começou a suspeitar que ele fosse mesmo um erro, já que seus pais achavam isso.

Cosmonaut
Cosmonaut_Morello

Creator

Uma mansão e um jovem herdeiro solitário, que não compreende as coisas aos seis anos. Drama.

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Durante algumas noites quando tinha seis anos, Prince Valentine ouvia vozes de crianças na mansão. Enquanto crescia, o mistério desses fantasmas continuava.
Sem mãe e com um pai obcecado apenas em curar a filha mais velha, Prince é solitário e se desespera quando finalmente surge outras crianças. Contudo é impedido de conhecê-lo por que eles estão envolvidos com os negócios do seu pai (?).

O drama começa logo no primero capítulo com a origem do menino. A herança do magnata está em jogo até o fim dessa história. E uma amizade se torna um elo da trama.

Prince, já adulto, é um dançarino que é obrigado a voltar para a mansão que não lhe deu boas lembranças. Os mistérios do lugar o atinge novamente, atiçando que ele ache uma reposta depois de anos e para salvar seu amigo.
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