Há meio milênio, passou a existir uma ideia de o que seria o Drácula, um conde vampiro, um rei com instintos assassinos, um morto vivo que devora sangue. Mas isso não passa de idealizações, é um conceito somente imaginário. Drácula é na verdade um demônio, que oferece seus pactos àqueles que ele escolhe a dedo.
Nascida na região que hoje seria pertencente ao território da Romênia, vivia Lisa, uma jovem das madeixas claras, lisas e finas, quase transparentes, pele branca tal qual uma folha. Era uma das mulheres mais comumente vistas pela cidade, dividia sua rotina em vender o que plantava, e cuidar do seu corpo de menina nova.
Seu velho pai dizia: “Não se meta com os poderosos, minha filha”. A tal, não entendia a postura do longevo, mas concordava e obedecia, afinal, é uma dama educada, entretanto, Lisa nutria um desejo implacável de um dia, visitar os confins do castelo próximo a sua vila. Não entendia o motivo do medo de seu velho, e só queria ir a um dos jantares.
O conde Vlad Tepes costuma fazer jantares em que chama seus agregados, familiares, e raramente, convida os não filiados ao cargo da nobreza. Na tarde de certo dia, Tepes realizaria uma de suas ceias com o maior número de convidados já tidos dentre todas as celebrações, ele estava chamando todos os aldeões do vilarejo. A menina das madeixas douradas imediatamente foi consumida por uma ansiedade e excitação que não cabiam no peito, essa era a primeira vez que ela tinha uma chance de colocar seus pés nos azulejos do palácio.
Durante sua manhã, vendeu muito do que sua horta tinha para oferecer, mas além do ânimo, duas perguntas tomavam sua cabeça. A vila lidava com cada vez mais desaparecimentos, para onde iria ela se todos sumissem? Para quem ela venderia suas verduras? Como viveria sozinha? Além disso, por que o conde planejava um jantar no final da tarde? Todas as vezes que o dito organizou seus eventos, foram em sua grande maioria, durante a noite.
Com o horário de almoço chegando, Lisa saiu da feira e dirigiu-se à sua casa novamente, passou para pegar umas roupas e tomar um banho na cachoeira, voltando, terminou de se preparar para o evento e partiu, animada, com suas melhores roupas, e seu melhor penteado, escondida de seu velho pai.
Chegando ao palácio, tocou seus pés descalços pela primeira vez no chão frio e observou a mesa cheia, o salão cheio e o conde em sua imponente cadeira no último extremo da mesa, enquanto os nobres serviam os seus agregados. Lisa toma lugar no outro extremo, de frente para Vlad, distante dele.
Com o tempo Lisa saboreou as guloseimas e pratos finos que a nobreza degustava, mas ainda remoía o fato disso estar acontecendo durante a tarde. Mas logo um evento catastrófico tomou o salão.
Os céus se escureceram de uma hora para a outra, como se luzes tivessem se apagado dentro do castelo, Lisa, enquanto comia um peixe, olhou para o lado de fora, e viu o sol, furado, com um buraco no meio. Bom, foi ao menos o que a tal pensou logo de cara, a estrela tomava um formato de anel, olhou direto a imagem e um desespero tomou conta de sua mente. Voltou seus olhos claros ao assento de Vlad e não viu o conde sentado, só pôde enxergar chamas, tomando conta do palácio inteiro, carbonizando os aldeões.
Longe dali, o conde da Valáquia, Vlad Tepes III, ria histericamente, ele havia cumprido seu trabalho, coberto de sangue, mordia pedaços de um braço de forma humana, coberto de cinzas, o braço de Lisa, que perdeu sua vida no fogo, e bebia o líquido cor de vinho que dele escorria. A sua sede de sangue tinha acabado de aumentar, todos os sumiços na região aconteceram durante seus jantares, sendo ele a causa. Vlad enlouqueceu sob seu próprio ideal de paixão, sob sua própria obsessão por carnificina.
Observou o eclipse por boas horas, e ainda na escuridão ouviu um barulho na mata, olhando no fundo da mata densa, viu uma figura, de corpo alto e largo, com a pele cinzenta e dois chifres serrados, sem olhos, que vestia uma batina tingida de vermelho vivo, a figura diabólica abriu a boca e sussurrou por trás de seus dentes pontudos numa língua indecifrável, uma mensagem captada pelo conde. E Vlad perdia sua humanidade.
Neste dia, Drácula, o demônio vampiro, que permitia através de seus pactos que meros humanos se tornassem vampiros, criou o vampirismo, e todas as ideias por trás de tal entidade enigmática.
Esse é o especial de terror para este halloween de 2023! Através desse pequeno conto, será revelada a verdadeira origem do temido conde vampiro, o Drácula, e todo o surgimento do vampirismo dentro do universo da CGM.
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