É preciso sonhar para que eles se realizem. Está escrito na camiseta da garotinha à minha frente, com um unicórnio colorido ao lado das letras. Porém, penso que às vezes sonho até demais e nenhum deles se realizou ainda. Ou talvez, eu esteja sonhando errado.
Não tenho tempo para pensar melhor a respeito, porque minha vez na fila chega e a atendente me pergunta qual o meu pedido. Eu pago por um cachorro quente e um refrigerante que não está bem gelado, mas é doce o suficiente para me alegrar. Procurando meus pais na multidão, vejo meu irmão sentado na terceira fileira da arquibancada, conversando com um dos seus amigos.
Me espremo entre um grupo de pessoas, querendo chegar até eles e perguntar pelo papai e a mamãe. Um líquido ensopa a minha camisa ao mesmo tempo que uma garota grita e me segura pelo braço.
"Ei! Você não olha por onde?", ela esbraveja com o semblante furioso. "Me molhou toda, sua garota burra!"
"Desculpa", eu tento puxar meu braço e derrubo minha comida, querendo sair correndo. Mas a garota vestida de líder de torcida não deixa.
"Pensa que vai sair assim depois de estragar todo meu uniforme?", ela ri. Sua risada alta me assusta e eu paro.
"Lauren, solta a menina!", uma voz diz em minha defesa fazendo com que a garota obedeça no mesmo instante. Olho para trás e vejo um garoto muito alto, forte e que tem os olhos verdes mais lindos que já vi. "Ela não tem culpa se você fica empacando o caminho."
Lauren vai responder, com o rosto vermelho de raiva, quando ele continua: "Tudo bem com você?"
Levo alguns segundos para entender que ele se refere a mim. "Tudo!"
O vento frio me faz tremer pela roupa molhada e me abraço na tentativa de esquentar o corpo.
"Está com frio?", ele pergunta preocupado e abre a mochila que carregava nas costas, me entregando uma camiseta. "Aqui, coloque isso".
Eu pego, sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas. Visto sob minhas roupas e ela cai como um vestido longo no meu corpo.
"Obrigada", digo a ele, sorrindo. Ele está distraído, voltando a falar com a garota rude. Os dois discutem alguma coisa que não consigo entender e saem em seguida, ela seguindo ele sem parar de falar.
Ainda surpreendida com os acontecimentos, volto a seguir por onde ia. Vejo que meus pais voltaram e estão sentados com meu irmão. Vou até eles com cuidado para não esbarrar em mais ninguém hoje a noite.
"Alison! Já estava indo atrás de você, demorou muito!", minha mãe exclama quando me vê. Ela me olha mais profundamente e franze a testa. "Que roupa é essa?"
"Eu derramei refrigerante na minha blusa e um garoto me deu essa camiseta porque fiquei com frio", eu explico, escondendo a parte que molhei mais alguém. Mamãe me daria uma bronca por não prestar atenção no que estou fazendo.
"Liam Armstrong", meu irmão diz.
"O quê?", eu pergunto.
"É o nome na sua camisa. Jogador do outro time. Dizem que vai se tornar profissional.", Alex responde e seu amigo concorda, afirmando também que o viu jogar antes e ele é um dos melhores.
O jogo começa e eu não presto muita atenção, mas quando vejo o dono da camiseta que estou vestindo correndo pelo campo, ele tem a minha atenção.
Durante 1 hora, o vejo marcando pontos e fazendo Touchdowns, enquanto carrega a equipe com ele. Quando o jogo termina e eles ganham, a arquibancada grita por Liam Armstrong como se ele fosse um rei.
"Vou me casar com ele", eu digo orgulhosa.
Minha mãe ri, me abraçando. "Você não vai se casar aos 11 anos, mocinha."
"Ela não vai se casar nunca", papai afirma me fazendo rir.
Mais tarde, quando meus pais me colocaram para dormir e as luzes de casa se apagaram, eu me levantei e liguei meu abajur. Peguei meu caderno da escola e um lápis.
E lembrando da aula que tive na escola sobre poesia, escrevi um poema sobre um garoto com olhos verdes.

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