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Um Suspiro de Esperança

A Entrevista - parte 1

A Entrevista - parte 1

Aug 12, 2022

Naomi cresceu em uma família cheia de prestígios. Seu pai, com apenas vinte anos de idade montou uma empresa de joalheria, sua empresa cresceu e cresceu até se passarem cinco anos e puf, ficou milionário. Sua mãe, com vinte e cinco anos de idade, se tornou a maior escritora de seu país, recebendo milhares de cartas e tendo uma vida farta de dinheiro. Seu tio materno se tornou médico-cirurgião com apensa vinte e três anos de idade.

Bom, já podia ver que sua família nunca precisou e nunca precisaria de se preocupar com dinheiro.

Uma completa mentira.

Antes, a família de seu pai era pobre. Tão pobre que eles tinham que viver apenas de mingau e de vez enquando um copo de leite. Seus avos paternos se sacrificaram para manter uma vida ao menos um pouco decente para seu pai, mas falharam miseravelmente. A família de sua mãe nem se fala. Sua mãe não sabia ler nem escrever até seus dez anos, ela só poderia comer uma vez por dia e ainda era obrigada a dividir com seu único parente de coração bom; o tio de Naomi. Seus avos maternos eram uma praga com sua mãe, eles a torturavam dia e noite, fisicamente e psicologicamente.

Foi um verdadeiro milagre as duas famílias prosperarem a tanto.

Mas a verdadeira história não é isto.

A história é que-

- Filha, já está na hora de arrumar um emprego e viver sua vida.

- Sim minha querida, não podemos te sustentar e te mimar pelo resto de nossas vidas.

- Idiota, até eu já tenho um emprego fixo e você não!

-"Querem me expulsar de minha própria casa?!"

- Espera, espera, espera! - Naomi abanou suas duas mãos rapidamente na tentativa de expulsar todo seu nervosismo. - Vocês estão me expulsando?!

- O que?! - O homem alto, com olhos puxados e pequenos, seu nariz e boca finos e barba bem feita exclamou enquanto arregalava bem os olhos, surpreso pela palavra "expulsar". - Querida, é claro que não!

"Então me diga o que significa tudo isso!" Pensou Naomi enquanto balançava a perna indicando para seu pai continuar.

- Nós não estamos te expulsando, só queremos que você... - A frase morreu na garganta. Ele não podia dizer "Só queremos que você tome uma atitude" ou "Só queremos que você siga seu rumo" ou ainda pior "Só queremos que você não se torne uma fracassada na vida". Não importa o que ele dissesse, ainda sairia como uma tentativa carinhosa ou não de expulsar sua filha.

Naomi ficou indignada. Tudo bem que talvez ela não fosse fácil de conviver e que ela também não ajudava muito em nada, mas ainda assim! Ela é ou não é a filha?!

Uma mulher alta, com sobrancelhas finas e olhos espertos a encarou por um momento antes de suspirar.

- Filha, você... - Outro suspiro e ela desistiu, saindo do quarto completamente bagunçado. Mas antes de cruzar a porta, ela varreu seu olhar pelo quarto e novamente suspirou mostrando uma expressão cansada. - Olha a situação do seu quarto...

Naomi olhou ao redor e seu rosto corou levemente. Ela abaixou sua cabeça e levantou um pouco seu olhar para encarar a mulher que ainda estava parada na porta.

- Isso é porque eu não estou tendo muito tempo...

- Não está tendo tempo? - Uma mulher que tinha olhos redondos e espertos, expressão suave com suas sobrancelhas longas, seu nariz e boca finos olhou-a com deboche.

"Cala essa sua boca imunda, sua cobra!" Naomi pensou se controlando para não voar até sua irmã mais nova e a dar um soco no meio do rostinho perfeito.

- Que foi? Agora todo mundo vai conspirar contra mim é?!

- Minha querida, arrume um emprego.

E assim os três sairam.

Naomi se jogou na cama com seus quatro membros estendidos, desleixados.

Como pode isso?!

Por que diabos ela tem que trabalhar sendo que já é mais que rica?!

Qual era o maldito problema de sua família?!

Desistindo de pensar mais, ela se levantou em um único pulo olhando ao seu redor e percebendo que realmente estava uma bagunça

Mas, afinal, por que ela tinha que limpar?

Por que eles não simplesmente contratavam uma empregada?!

Ela abriu seu closet se deparando com uma pilha de roupas bagunçadas.

"Isso deve ser por causa daquela festa...."

Sua festa de aniversário, uma semana atrás. Ela estava desesperada procurando por uma roupa que a agradasse, mas no final acabou que ela não encontrou nada e só comprou um conjunto novo.

"Acho que vou deixar isto pra depois."

Ela andou até a sua cama, decidida a arrumar, mas então se deparou com mais de três edredons empilhados, travesseiros empoeirados e desorganizados, lençol sujo e ursos de pelúcia por toda a parte.

"Ah, isso deve ser porque eu fiz uma pequena festa de pijama..."

Quatro dias atrás, Naomi não se contentou só com a festa de aniversário e convidou suas cinco amigas para uma festa do pijama.

"Bom, vou ver outro lugar primeiro."

Ela caminhou até sua cômoda que parecia ser a mais fácil de limpar, mas quando ela passou perto, percebeu que a cômoda estava encardida em um preto profundo.

"O que é isso?!"

Olhando ao redor, ela só achou que todas as coisas estava totalmente sujas e desorganizadas.

Pegando uma toalha do chão encharcada com algum líquido desconhecido, ela fez uma careta lamentando.

- Que merda...

Depois de quatro horas terem se passado, Naomi finalmente terminou de arrumar seu quarto.

Sem se importar em tomar banho para tirar todo o suor e descansar, ela desceu as escadas de sua casa indo para a sala de star, e encontrando sua irmã.

- Credo, você tá fedendo. - Sua irmã tampou o nariz com os dois dedos e abanou com a outra mão como se estivesse sentido o pior cheiro de sua vida.

Naomi não se importou em dar à sua irmã nem mais um único olhar, passando direto para a porta que levava à sala de jantar. Dando um olhar ao redor, percebeu que nem sua mãe e nem seu pai estavam ali, então resolveu finalmente olhar para a sua irritante irmã mais nova.

- Onde está o pai e a mãe?

- Eu não vou falar com gente suja. - A mulher continuou abanando com a mão, mas tirou a outra do nariz para pegar o celular no bolso.

- Fala logo. É urgente. - Naomi tentou parecer séria, mas era óbvio que não tinha nada de urgente.

- É mesmo?

- Por que você tem que ser tão insuportável?!

- Talvez eu tenha puxado você?

- Vê se cresce, Nair. - Naomi subiu novamente para seu quarto para finalmente tomar um banho.

"Injusto."

Era o que Naomi pensava a todo momento.

"Injusto. Injusto. Injusto."

"Muito injusto!"

Sentada na banheira de porcelana totalmente branca, seu conteúdo cheio de água e espuma, Naomi se sentiu relaxada, mas ainda assim estava nervosa.

Como ela poderia achar um emprego assim tão de repente?!

Tentando parar de pensar sobre o assunto, ela pegou seu celular ao lado da banheira e rolou para achar alguma fanfic de seu filme favorito; Titanic. Achando uma fanfic um tanto peculiar, ela resolveu lê-la, mas se arrependeu extremamente depois de apenas três parágrafos.

Além da escrita ser péssima, ainda tinha uma parte que a autora escreveu que Naomi achou um completo absurdo.

"Nos dias em que ele me olhava, ele finalmente entendeu. Ele entendeu que eu morri, mas eu sempre o estive observando. Me aproximei dele e selei meus lábios nos dele. Nunca que deixava esta chance me escapar! Me aconcheguei em seus braços e mordi seus lábios. Eu tava ansiando por este dia. Esperei ele por mais de mil anos, meu amor eterno, mas mortal, eu o amo com todas minhas forças, nunca te deixarei. Eu o olhei por um tempo e nossos olhos se cruzaram.

- Você... Ainda é gay?

- Não. Eu não sou mais. Antes eu era, mas agora eu não sou. Por você.

Que bom. Pensei enquanto o abraçava forte.

- Obrigada por ser assim, eu te amo.

- Eu também te amo."

Ainda tinha muito mais pra se ler, mas os olhos de Naomi já estavam sangrando com isto, ela não conseguia mais olhar para tamanha falta de noção.

Com seu senso de justiceira transbordando, Naomi passou para os comentários querendo escrever uma crítica, mas quando leu o que as outras pessoas diziam ela quase teve uma parada cardíaca e leu novamente para ter certeza de que não estava vendo coisas.

Depois de confirmar que ela não estava ficando doida, Naomi percebeu um comentário mais idiota que o outro.

"Aiiiiii, que lindo, eu amei, como ele pode ser tão lindo assim??"

"Caralho, a cena do hot foi a melhor, chorei e não foi pelos olhos."

"Você escreve muito bem, parece que eu viajei até aí!"

"Os personagens são super bem desenvolvidos, tudo acontece tão naturalmente, eu adorei."

"Faz uma segunda temporada, por favor????"

"Gostei tanto, se você escrever mais uma eu com certeza irei ler!"

"Já tô te seguindo!"

Naomi estava desacreditada pensando seriamente em qual o problema dessa geração. Depois de um tempo perplexa, ela finalmente começou a digitar.

"Eu não gostei. Este enredo está todo cheio de buracos, os personagens são mal desenvolvidos, a escrita está complicada... Eu poderia dizer todos os defeitos que eu achei em apenas UM PARÁGRAFO, mas eu não quero perder muito meu tempo. O que eu mais quero criticar aqui é: Você é uma péssima pessoa. Mesmo não te conhecendo ainda eu sei, e não adiantar você negar. Você colocou "Você ainda é gay?" e depois ainda colocou "Não sou mais." Não sei se você sabe, mas não tem como uma pessoa deixar de ser homossexual, ela nasce assim! Essa foi a minha maior indignação. Me perdoe se eu estiver sendo rude, mas no primeiro parágrafo já começou como um grande pedaço de merda. "Ain, ele só roubou um beijo dela, não precisa fazer tanto alarde" Você tem problemas de cabeça?! Sério?! Essa fala foi uma das piores também! Não sei como em apenas alguns parágrafos você já conseguiu me deixar enojada, mas vou continuar. No segundo parágrafo: "Ou você mata sua mãe, ou você mata seu pai, é uma decisão por amor." "Eu sei. Eu te amo, mas... Ah, eu vou matar meu pai e minha mãe! Não vou poupar esforço para demonstrar o quanto eu te amo!" O pior nestas duas falas não são nem a questão matar, mas sim que você especificou que nenhum dos dois tinham problemas de cabeça e narrou dizendo que eles estavam completamente sã, ou seja, você está praticamente incentivando pessoas a demonstrarem seu amor para seus amados deste modo. Isso não é uma coisa boa ok?! E nesse terceiro parágrafo você me vem com essa de "deixar de ser gay"?! Isso é sério?! Odiei esta fanfic e irei denunciar. Espero que ninguém mais leia este lixo."

E assim que ela apertou o "enviar", ela soltou o ar que nem percebeu estar segurando.

Ela soltou o celular ao lado da banheira rapidamente, pensando que ao invés de distrair, ficou mais estressada ainda.

Olhando um pouco para a lâmpada no teto, ela se lembrou que quando mais nova ela era apaixonada por um menino da escola.

No mesmo momento em que ela estava lembrando dos acontecimentos passados, uma notificação chegou em seu celular tirando-a de seus devaneios, mas logo sua expressão calma se tornou uma surpresa, com os olhos arregalados e sua boca aberta em um perfeito "O" ela saltou da banheira fazendo água espirrar por todo o canto. Agora ela teria que limpar toda está bagunça, mas ela não pensou muito sobre isso, pois a notificação que ela achara que fosse inofensiva, se provou o maior choque em sua vida.

O menino em que ela estava pensando agora mesmo; Alex. Ele... enviou uma solicitação de amizade?!

Naomi não teve muito tempo a mais para pensar sobre, porque houve barulhos de batidas na porta de seu quarto. Ela se lavou rapidamente antes de envolver uma toalha ao redor de seu corpo e então deixou seu celular de lado, mas antes aceitando a solicitação.

Ela abriu a porta de seu quarto e viu duas figuras paradas em pé; Era seu pai e sua mãe.

- Sua irmã disse que você estava procurando por nós, querida.

- A-ah! É me-mesmo! - Naomi ainda estava um pouco pasma pelo o que acabara de acontecer, seu rosto já estava vermelho pensando que isso poderia ser um sinal.

Naomi achou estranho seus pais terem dado uma importância às palavras de sua irmã, mas não queria pensar sobre.

- Filha? Você está bem? - Sua mãe ergueu a mão, querendo checar se Naomi estava com febre, mas a mulher de repente pulou em susto afastando a mão.

Naomi respirou fundo antes de voltar a falar.

- Então, mãe, pai, o que vocês querem?

Os dois se olharam antes de olharem confusos para a mulher de toalha em suas frente.

- Mas não era você que estava nos procurando?

Naomi já havia esquecido de tudo o que havia acontecido. Quando sua mãe a lembrou, ela não pôde evitar se sentir subitamente desanimada.

- Ah, é mesmo... - Naomi abaixou o olhar e suspirou antes de erguer a cabeça com confiança. - Eu arrumei meu quarto!

- ...

- ...

- O que foi? Por que vocês dois estão me olhando assim?

Já era a hora da última refeição do dia e as duas irmãs já estavam sentadas à mesa, esperando a comida.

Naomi não entendia o porquê de seus pais amarem tanto comer em família. Desde pequena, eles sempre tiveram essa obsessão que para as filhas era totalmente sem sentido.

Sua mãe chegou com uma forma que continha dentro frango grelhado enquanto seu pai carregava uma jarra de suco em sua mão direita e na esquerda uma panela de arroz simples.

- Mãe, você não disse que comeríamos peixe hoje? - Naomi perguntou, distraída.

- Me desculpe filha, não achei o que eu queria, então resolvi fazer uma comida mais simples hoje.

Todos já tinham se servido com o que queriam.

Naomi pegou tudo o que tinha, deixando de lado apenas a salada, mesmo com sua mãe insistindo que ela deveria comer algo saudável. Nair apenas colocou um pouco de arroz e preencheu o prato com frango. Seus pais colocaram de tudo no prato deles e finalmente eles serviram-se o suco.

Nair e Naomi estavam prestes a abocanhar uma colherada, quando sua mãe as olhou com reprovação.

- O que é isto? Vamos agradecer pela comida!

E assim os quatro deram as mãos e agradeceram.

Naomi também não entendia o porquê disto. Não era como se outro alguém colocasse a comida na mesa, seus pais conseguiram comprar e fazer tudo com seu próprio esforço, então por que eles deveriam agradecer?

Deixando este pensamento de lado, Naomi apenas suspirou antes de dizer "Obrigada" e alcançar seus talheres para saciar sua fome.

- Querida...

Ela sabia.

Sabia que todos estavam estranhos.

Desde sua irmã mais provocativa que o normal até seus pais dando alguma importância para o que sua irmã dizia.

Tinha alguma coisa que eles queriam dizer, mas estavam relutantes a isso.

E Naomi poderia quase adivinhar o que era.

- Pai...

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Creator

Eu escrevo esta mesma história no Wattpad e no SpiritFanfics com o nome de usuário @eliote_elii

Sou nova aqui e fiz tudo bem corrido, então me desculpem a qualidade ruim, mas prometo que irei melhorar!

Desculpem os erros e espero que tenham gostado!

Obrigado para quem chegou até aqui!

Aceito críticas construtivas!!

#romance #familia #lgbt

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Por muito que a vida não nos seja entregue com um final certo, com o passar dos anos percebemos o quão bom é a incerteza que a mesma carrega.

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