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Além do Preto e Branco

Prólogo (1/5)

Prólogo (1/5)

Mar 13, 2021

Dizem que avião é um dos transportes mais seguros do mundo, onde pouquíssimos acidentes acontecem e, mesmo os que acabam acontecendo, raramente acabam sendo completamente fatais.

É legal de saber isso, mas saber não faz meu cérebro parar de pensar em coisas aterrorizantes.

Chega a ser algo irônico do órgão responsável pelo seu pensamento racional. Bem, talvez não tão irônico assim se lembrarmos que ele também é responsável pela nossa parte emocional.

A situação ficava ainda pior quando minha mente fazia contas rápidas e eu notava que minha viagem ainda aconteceria pelas próximas doze horas.

Por que esse lugar tem que ser tão longe?

Uma das aeromoças passa do meu lado. Ela era mais alta do que eu e tinha um penteado que segurava seus longos cabelos verde escuros. Talvez a maior ironia de todas era saber que alguém com um poder relacionado à terra tinha escolhido trabalhar no ar.

Pouco pensei no assunto, a chamando com um tom de voz mediano. Felizmente ela não teve problemas em me escutar.

-Sim, senhor. O que deseja?          

Nossos olhos se encontraram. Assim como seus cabelos, eles tinham a coloração verde floresta e brilhavam de forma fraca, o máximo que as luzes de cada assento conseguiam fazer sem a ajuda das luzes dos corredores, apagadas desde a decolagem.

É, eu tinha esquecido de comentar que minha viagem havia começado na madrugada. Duas da manhã para ser exato. Por conta do fuso horário do meu destino, eu sairia de noite e chegaria de noite.

Quem é que teve a brilhante ideia de por um horário desses para tal voo?

-Eu gostaria de um copo de água, por favor. – consegui dizer, após juntar meus pensamentos.

-Sem problemas. – ela sorriu, como provavelmente foi treinada a fazer. – Gostaria com gelo ou sem?

-Sem.

-Tudo bem. Aguarde um minutinho que eu já volto com sua água.

Ela não hesitou em sair a passos largos. Presumo que não fui o único a fazer pedidos naquele momento. Reclinei na minha cadeira e soltei um suspiro.

Um travesseiro servia para segurar a minha cabeça e achei uma boa ideia ter mais dois no meu colo. Não estava exatamente frio, então não vi necessidade para pegar o lençol que estava na minha mala. Também havia trazido meu notebook, mas não vi nenhuma tomada disponível e sua bateria não duraria mais do que umas duas horas se o usasse para o propósito que mais costumo fazer: jogar. Meu celular estava no meu bolso, mas sem sinal ele não teria nenhuma serventia além do que a de que ele já tinha no momento: ouvir música. Carreguei ele antes de sair, mas sabia que em algum momento eu teria que desligá-lo, ou chegaria a Yukopan sem poder me comunicar.

É, Yukopan. Um país do extremo-oriente, com aproximadamente oitenta e cinco milhões de pessoas. Sua capital era a cidade de Shihon e passarei lá como escala. Era o sétimo país no ranking do Índice de Desenvolvimento Geral e sua língua oficial era usada apenas em seu próprio país, o yukoponês.

Já estava cansado de saber todas aquelas informações que tinha tirado de pesquisas e mais pesquisas sobre o lugar. O próprio estudo do yukoponês foi quase uma tortura, principalmente por eles acharem ser uma boa ideia usar um idioma que não tinha absolutamente nada a ver com o toruguês. Mesmo após incessantes estudos por quase um ano, não acho que tenha a capacidade de me comunicar com um vocabulário muito além do de uma criança de oito anos. Quando eu dizia isso para a minha irmã mais nova, ela sempre respondia com “vê se não vai tentar fazer amizade pedindo pra brincar com as pessoas” e era uma piada muito ruim, mas sempre ria junto. Ah, Cecília. Sentirei saudades.

Isso me fazia lembrar o quanto essa viagem tinha tudo para ser terrível. É a primeira vez que me afasto da minha família. Eles ainda iriam me ajudar financeiramente, mas eles não estariam mais lá, sabe? Fico feliz pela existência da rede internacional, porque me ajudaria bastante em me comunicar... mas não era a mesma coisa.

Sempre diziam que eu era uma pessoa próxima demais a família e eu sempre ria em retorno, negando até a morte, mas pelo visto tais pessoas estavam certas o tempo todo. Tinha me despedido de todos eles há umas duas horas e meia atrás e já estava sofrendo com saudades. Irrisório.

Isso também me fazia pensar que eu não tinha a menor ideia de como falar “irrisório” em yukoponês.

-Aqui está sua água, senhor.

A voz da mesma aeromoça que eu havia feito o pedido dissipou meus pensamentos. Ela estendia sua mão que segurava um copo médio cheio do líquido transparente responsável por nos manter vivos. Seu sorriso era tão parecido com o que ela deu na primeira vez que nos comunicamos, que me fez imaginar quantas vezes ela precisava trabalhar com aqueles músculos faciais em um só dia. Peguei o copo em sua mão e agradeci.

-Obrigado.

Ela apenas se virou e continuou andando no corredor. Notei que outro passageiro já estava a chamando.

Dei o primeiro gole na água e foi difícil não expressar decepção. Estava em temperatura ambiente. Diabos, só porque não queria gelo não significava que não queria ela gelada.

Pensei em chamar a aeromoça novamente, mas ela já estava fora de visão. Aviões para voos internacionais eram enormes em sua maior parte e aquele não era uma exceção. Ao olhar para frente, vi outra funcionária, dessa vez de cabelos em tons violetas tão transparentes que eram quase brancos, mas resolvi não a importunar.

Eu não precisava de ajuda para aquilo. Gelo sempre foi minha especialidade. Era a razão de como havia conseguido aquela viagem, de como havia passado no teste para uma das escolas mais prestigiadas de Yukopan. De certo que não costumava usar com muita frequência, mas era somente como um copo cheio de água. Longe de ser um desafio para o meu vigor.

Sem hesitação, apenas gelei gradualmente o líquido. Meus olhos brilharam, mas não passou disso. Em apenas alguns segundos eu já tinha uma água no ponto que mais gostava: estupidamente gelada, logo antes de começar a empedrar. Bebi o resto do copo tão rápido que ainda não me sentia satisfeito, só que ao mesmo tempo sabia que não estava exatamente com sede.

Saber que ainda seriam mais longas quase doze horas para chegar era o que estava me deixando inquieto.

Por que fui confiar que a aeronave teria tomadas? Que estúpido.

Tirei o cinto e revirei a minha mochila que estava em um compartimento logo acima de mim. Não havia trazido muitas coisas para ler, até porque eu faria as compras de livros escolares em Yukopan, mas havia um em especial que serviria para ocasião.

Não foi difícil de achá-lo. Olhei para a sua capa e me deparei com o familiar “Curso de Yukoponês, nível avançado”, o mesmo livro que fez parte dos meus estudos nos últimos meses.

Sentei e comecei a folhear as páginas. Lembro que havia um dicionário nele e queria saber como falar “irrisório”.

igornsdm
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