Um baile. Não. O baile real do inverno. Que outro lugar seria o mais péssimo para matar um príncipe? Melhor, o Príncipe de Everyland. Como eu adoraria saber quem enviou essa maldita carta “requisitando as minhas mais belas artes” por 30.000 possunts. Pior, ao lado de um longo, rodado vestido rubro com uma nota que declarava que era perfeito para uma donzela como eu. Donzela? Estamos na Era Mediana? Será impossível correr com ele, embora possa acobertar o sangue. Ainda sim, preto é a minha marca registrada tal qual a Morte. Morte, sim, meu nome artístico para esta noite infernal.
Assasinato em uma das mais majestosas festas. Não só majestosa, mas, também, segura. Tudo é cronometrado, regrado e protegido. Como eu poderia ver a vida se esvair de seus olhos? Veneno é muito feminino, mas de difícil rastreio. Adagas deixariam marcas e gritos se instaurariam em questão de segundos. Um acidente. Posso fazer que pareça um acidente. Uma misteriosa moça leva o príncipe.. não, não…. é levada pelo príncipe para o bosque real. Em algum momento, ele escorrega do penhasco enquanto se beijam. Ninguém poderia culpar a adorável donzela que não poderia recusar um nobre. Certo? Não tenho tanta certeza.
Meia-noite. Está na hora.
Carruagens. Elas são tão extravagantes, mas o melhor para hoje. Felizmente, uma estava me esperando em frente à minha casa. É tão complicado andar com essa roupa sem a sujar com na terra. Só não é mais complicado do que vestir o corset preto por cima e o amarrar. Ao menos, isso me protege e consigo esconder equipamentos. Coloco minha adaga no cinto preso em minha coxa direita, enquanto posiciono dentro de meu corpete o frasco com um veneno feito a partir da flor trombeta-de-anjo. Deixo a pesada saia retornar ao chão à medida que a solto. Estou pronta.
Dirijo-me para minha carruagem de madeira robusta com decorações em ouro. Isso vale mais do que a minha vida. Escondo meu rosto com o capuz da minha capa e não ouso olhar o rosto do cocheiro. Ninguém precisa saber como eu me pareço além do nosso querido, daqui-a-pouco-morto príncipe. Não é mesmo?
Quanto mais nos aproximamos da cidade, cada vez mais os barulhos da natureza são substituídos pelos da vida urbana. As luzes inundam a cidadela. Estamos perto. Muito perto. Tão perto que a porta já está sendo aberta e eu ergo minha mão para ser guiada até o salão principal.

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