PRÍNCIPE DE EVERYLAND
― Sem chance. ― meneei minha cabeça, em desaprovação ― Se eu me vestir desse jeito, não me respeitarão.
― É exatamente assim que demonstrará a sua masculinidade e, portanto, soberania.
― Charles, eu devo ir. ― balancei a corrente de meu relógio de bolso na frente do rosto do homem ― Está na hora. Já passou da meia-noite!
― Se descer todo fofinho, não conseguiremos o que desejamos.
― Eu não quero atrair nobres para a minha corte.
― Nossa, Blanc, nossa corte. ― Enquanto me guiava de volta para a sala de vestimentas formais, Charles Nikant sorria ― Estamos juntos nessa. Então, vista-se.
― Não sei como ainda te tolero. Dez anos?
― Dez anos. Muita coisa! Não mude de assunto e ande logo, pimposo. Não temos todo o tempo do mundo só porquê você é príncipe!
Meus olhos reviraram de tal forma que os pude sentir fitando meu próprio cérebro. Melhores amigos desde a infância são, bem, os melhores e os piores. Charles conseguia me perturbar mais do que jamais pensei ser possível. Ele deve estar se divertindo. Sabe como essa é uma data que me estressa.
Seguindo as dicas de meu parceiro de sofrimento, desabotoei parte de minha camisa para revelar um pouco de meu peitoral. Troquei a minha gravata longa por uma curta, estilo borboleta com o broche que herdei de minha mãe. Meu paletó simples foi trocado por praticamente uma capa feita com tecido na cor Coelho Branco ― ou seria Toque de Inverno? ―. Ele caía até meus calcanhares. Eu me sentia usando um vestido e, diga-se de passagem, eu amei. Era confortável na medida certa. O colete era só um pouco mais escuro e destacava a minha cintura, como planejado. Eu me sentia bem olhando no espelho. Finalmente. Até que Nikant se apressou e repousou suas mãos em meus ombros.
― Viu? Eu disse que você ficaria melhor assim. ― lentamente, ele se colocou em minha frente ― Confie em mim.
― Les, sem mais brincadeiras. Por favor. Olhe o horário.
Charles suspirou, fechando seus olhos. Ele pensou em algo. Eu sei que está considerando se deve me contar ou fazer. O que será que está aprontando? Todas as minhas perguntas sumiram quando seus dedos encontraram meu cabelo ondulado perfeitamente arrumado. Ele desalinhou minhas mechas e deixou mais volumoso. Não é como se eu não gostasse. É que ele, literalmente, modificou praticamente tudo em mim. Removeu qualquer coisa que me fizesse parecer sério, responsável, sábio… dócil.
― Você precisa estar com um ar mais de “acabei de fazer sexo e comando essa porra toda, porque eu sou o príncipe”, entende?
― Você quer que eu pareça uma prostituta real. É isso?
― Não. Claro que não. Quero que você atraia mulheres… ― fez uma longa pausa ― homens e afins. Você sabe. Todas as almas, sem exceção.
― E eu preciso mesmo estar assim?
― Você precisa irradiar confiança, poder e sensualidade sem que seja questionado. Isso, sim.
Eu, simplesmente, bufei. Eu sabia que ele estava certo e não teria motivo para discutir. Afinal, já estávamos atrasados. Tudo bem que um baile apenas começa assim que a realeza está presente. Mesmo assim. Nesse momento, é essencial demonstrar cumplicidade com regras e etiquetas. “Sem parecer um cachorrinho com o rabo entre as pernas, Blanc”, como sempre me lembra Les. Preciso de uma entrada fenomenal e assim farei: pelo palco.
E que a noite comece.
Autor: E aí? O que acharam do Les? Bom, agora, vocês sabem um pouco mais sobre o príncipe.

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