Na minha cabeça de girino, nunca imaginei que na minha casa estava acontecendo o apocalipse. Fiquei concentrado nos beijos do Diogo. Ele tirou a camisa para ficar mais à vontade, eu só usava uma toalha. Não tinha jeito, a gente acabou transando na sala do George.
Eu me sentia bem ao lado do Diogo, ele me passava segurança. Na nossa primeira vez, ele conseguiu ser um verdadeiro príncipe. Naquele dia, a transa foi super diferente, eu gostei mais. Não teve pressa ou palavras baixas, fizemos amor.
— Yuri, eu não queria apressar as coisas, mas você gostaria de namorar comigo? — ele perguntou, enquanto estávamos abraçados no chão da sala do George.
— Diogo. — falei pensando nas palavras certas. — Você é um cara nota 10. Só que eu não estou preparado para um relacionamento. Eu não quero que você fique com raiva de mim, pois, vou ter que enfrentar algo muito difícil e...
— Ei, calma. Estou do seu lado. Mas, você tem que prometer que vamos transar de novo. — ele soltou.
— Tarado! — gritei jogando a toalha no rosto dele.
A minha situação estava começando a melhorar, porém, para a tia Olívia ficava mais complicada. Carlos e Orlando chegaram juntos à minha casa. Pensa no constrangimento dela.
— Vim o mais rápido que eu pude. — disse Carlos pegando na mão da tia Olívia. — O que ele tá fazendo aqui?
— Ele apareceu. Veio fazer uma visita. Eu liguei para você.
— Relaxa, isso não tem importância agora. E o Yuri? — perguntou o estagiário da titia.
— Não atende, não liga. — às lágrimas foram inevitáveis. — Eu não sei o que fazer, Carlos.
— Calma, Olívia. Ele vai aparecer. — Carlos deu o abraço mais carinhoso que pode na titia.
Na calçada, os meus amigos tentavam juntar todas as peças do meu desaparecimento. O Zedu se sentiu impotente, afinal, ele se considerava o meu melhor amigo. Eles deram mais uma volta no bairro para procurar pistas, mais uma vez, sem sucesso.
Finalmente, minhas roupas secaram, a máquina do George era muito lenta, pelo menos, consegui ficar com o Diogo, que me levou para casa com um sorriso no rosto. O segurei firme, pois, não gostava de motos. Como já era tarde, não pegamos trânsito, então, chegamos até que rápido.
— Quer que eu te acompanhe? Vai dar uma quase 1h. — ele perguntou tirando o capacete.
— Relaxa. — falei entregando o capacete que usei para o Diogo. — Eles devem estar dormindo. Te vejo na escola?
— Com certeza. — Diogo disse sorrindo.
Estranhei ao ver todas as luzes de casa acesas. Ao entrar, encontrei todos na sala, inclusive, o Carlos e Orlando. Eles começaram a fazer várias perguntas e veio tudo à tona. O vídeo, as ameaças de Vando e a morte dos meus pais. Comecei a ouvir vozes, e elas não estavam vindo daquela sala.
— Chega!! — gritei assustando todos na sala. — Querem saber? Vão todos para o inferno! — subi às escadas da forma mais dramática que alguém poderia subir.
— Nossa. — soltou Giovanna. — Que climão.
— Vou conversar com ele. Giovanna, leva o pessoal até a porta, por favor. — pediu tia Olívia subindo atrás de mim.
Sim. Fiz barraco na frente de todo mundo. Confesso que gritar foi libertador, entretanto, bateu um pouco de culpa ao ver a preocupação da minha família. Entrei no quarto e comecei a chorar. A tia Olívia, com toda sua paciência e plenitude, entrou em seguida e se aproximou de mim.
— Yuri, o que está acontecendo? E, por favor, não diga que é nada. — ela quis saber passando a mão na minha cabeça.
— Nada, tia. Não aconteceu nada. — repetir isso se tornou um costume na minha vida.
— Amor. Você precisa me contar as coisas. Não pode guardar tudo para você.
— Eu não posso. Tia. — disse chorando. — Eu tô aqui. Nada aconteceu comigo. Eu só quero dormir.
— Yuri. Você sabe que eu sempre estarei aqui quando você precisar. — ela levantou e foi em direção à porta.
Lembrei dos conselhos de George, Hélder e Jonas. Eles estavam certos, eu não deveria permitir que o Vando me jogasse do armário. Ainda mais sabendo que ele tem um plano contra pessoas que, de uma certa forma, são importantes para mim. O Yuri corajoso queria aparecer e gritar para o mundo sua verdade.
— Conta. Conta. Conta pra ela agora. — pensava comigo mesmo.
— Yuri, eu te amo. — soltou a tia Olívia abrindo a porta do quarto para sair.
— Tia...
— Oi? — ela virou na minha direção e nossos olhos se encontraram.
— Eu sou gay. — falei tentando me livrar do fardo que estava carregando.

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