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Noite após Noite

Lembranças: Amigos de Preto (Parte 1)

Lembranças: Amigos de Preto (Parte 1)

Oct 28, 2022

                Yukon – Canada – Anos antes

                Eu não estava morta... Não ainda...

                Acordei em uma cama de hospital, sem a menor noção de como tinha chegado ali. Meus pais estavam ao meu lado, me abraçaram, beijaram e choravam de emoção quando me viram abrir os olhos. Eu também chorei muito, estava tão feliz que tudo não tinha passado de um susto e eu tinha sobrevivido.

                Meu pai me contou que era um milagre eu estar viva, graças a Deus que meus amigos me encontraram rápido e chamaram o resgate que foi feito via helicóptero, o que foi crucial para minha sobrevivência, ele ainda me contou que fiquei na UTI por quase uma semana e que, devido ao ferimento, precisei receber uma transfusão de sangue...

                Foi então que toda a cena da perseguição do urso voltou à minha mente, desde o lago até a fenda na montanha e eu me lembrei de que não tinha sido rápida o suficiente e o urso tinha devorado minha perna... Receosa, olhei para minha perna direita, ela estava enfaixada e suspensa... E a verdade que eu sabia, mas, torcia para ser uma mentira me deixou sem ar... Minha perna tinha sido amputada um pouco abaixo do joelho, a visão era estranha, era como se eu sentisse meu pé e meus dedos a ponto de conseguir movê-los, mas, eles não estavam ali, eles se foram... Eu não me aguentei e buscando algum tipo de consolo, voltei a chorar nos braços de minha mãe.

                O médico, muito gentilmente me explicou que se fosse encontrada, poderiam tentar reimplantar a minha perna, mas, após tantos dias, não havia nada que ele pudesse fazer. Ele ainda tentava me consolar falando da tecnologia de próteses que poderiam me fazer ter uma vida normal como qualquer outra pessoa... Mas, por mais que eu entendesse o que ele dizia eu olhava para minha perna e sentia que nunca mais eu seria a mesma. Seria para sempre uma aleijada.

                Meus pais também tentavam me consolar, mas, não era tão simples como eles diziam, eles não podiam entender como eu me sentia. Ninguém podia me entender. Mas, eu tentava sorrir, tentava mostrar que estava otimista, mas, acredito que até eles mesmos sabiam que eu mentia para não piorar a situação.

                Fiquei quase dois meses internada no hospital. Neste meio tempo, meus pais me visitavam quase diariamente, recebi diversas visitas de amigos e de meu namorado. Mas, essas visitas foram apenas nas primeiras semanas, no segundo mês, somente meus pais continuavam a me visitar, meu namorado com quem falava ao telefone, estava cada vez mais distante e eu sabia como aquilo iria terminar... Antes de receber alta, terminamos nosso relacionamento de pouco mais de um ano. Ele decidiu terminar, não quis explicar muito, apenas disse que não estava mais dando certo e diversas vezes afirmou que não tinha nada a ver com minha condição atual. Mas, eu sabia, eu via nos olhos dele... Ele não queria namorar uma aleijada como eu. Eu entendo ele... Eu acho.

                Meus amigos, a mesma coisa, nos primeiros dias, presentes, abraços, risos, mas, aos poucos foram sumindo um a um. A faculdade estava tomando muito tempo, eles diziam. Eu os compreendia... Eu acho.

                No segundo mês, comecei a fazer fisioterapia. Meus pais contrataram um psicólogo para me ajudar a superar meu trauma e a depressão que me consumia. Também começamos a ver um projeto de uma prótese mecânica. Devido ao valor e aos altos custos que já estavam tendo comigo, decidimos esperar um pouco... Eu poderia me virar com muletas por um tempo... Eu não conseguia encontrar palavras para descrever a minha frustração.

                Dias depois, o que estava ruim, piorava a cada momento. Minha mãe dizia que eu tinha de voltar a estudar e a trabalhar. Eu até me esforcei para continuar a levar uma vida normal. Na faculdade, percebi que tinha perdido boa parte de meus amigos, eles até me cumprimentavam e conversavam comigo, mas, os notava cada vez mais distantes, dia após dia. Eu dizia a mim mesma não ligar, mas, no fundo eu me sentia cada vez mais solitária e triste.

                No trabalho, fui demitida já no dia de meu retorno. Eu esperava por isso. Além de terem colocado outra em meu lugar, como eu poderia continuar atendendo na loja daquele jeito? Pagaram-me tudo certinho e vieram com aquele discurso falacioso de ajudar em qualquer coisa e todo aquele papo furado.

                Uma das piores segundas feiras da minha vida!

                Meus pais continuavam a me apoiar, mas, era difícil. Os dias passavam e sem trabalho, a prótese parecia cada dia mais distante. Na faculdade eu já era uma completa estranha, meus velhos amigos, se é que posso chama-los assim hoje em dia, não mais falavam comigo. Meu ex-namorado agora desfilava com outra garota pelos corredores e parecia não me enxergar e até me evitava. É nestas horas que você percebe quem são seus verdadeiros amigos e percebe que sempre deu valor às pessoas erradas.

                Eu comecei a me enturmar com duas garotas da faculdade, na verdade, elas começaram a puxar papo comigo, pois, no caminho de volta para casa, compartilhamos boa parte do trajeto. Elas eram bem isoladas das turmas e rodas, talvez pelo visual roqueiro delas, roupas pretas, tatuagens e piercings. O pessoal dizia que elas eram drogadas e mexiam com bruxaria. Claro que eu não acreditava nessas histórias. Ao menos de bruxaria... Porque sobre usar drogas, a maioria que falava pelas costas ou fumava ou cheirava algo. Afinal, neste mundo, quem era perfeito?

                Quase dois meses após sair do hospital, o final do semestre se aproximava e eu tinha muitas provas para tentar recuperar minhas notas. Foi então que elas me chamaram para sair, elas disseram que iriam a uma boate encontrar com uns amigos e queriam a minha presença. Eu não demonstrei a mesma animação que as duas, afinal, o que eu iria fazer em uma boate? Ainda mais de muletas! Era uma boate diferente, disse uma delas. Você vai se divertir, disse a outra. Divertir? Havia um tempo que eu não fazia isso... Mas, uma boate?

                Resultado? Elas insistiram tanto que eu acabei aceitando.

                “Vista algo mais dark, se é que você me entende.” – Disse uma delas antes de nos despedimos.

                Ora! Eu deveria imaginar que não seria uma boate mesmo e sim algo onde os roqueiros da cidade se encontrariam e coisas assim. Certamente cheio de drogas, bebidas e música barulhenta.

                Nessa época eu até gostava de rock... Mas, ouvia bandas como Linkin Park, Pearl Jam, Guns ‘n Roses, Metallica... Agora essas bandas que eles ouviam? Ah eu não tinha paciência para aquilo não. Uma gritaria e barulheira sem sentido...

                Mas, eu fui assim mesmo.

                Calcei uma bota de couro; short jeans preto, mesmo com o frio eu odiava usar calça depois do acidente, eu tinha de dobrar a barra da perna direita e ficava muito feio; camisa preta; e uma jaqueta grossa de couro; fiz uma maquiagem mais dark e prendi o cabelo em um rabo de cavalo. Nem de longe eu parecia com o visual roqueiro de minhas amigas, mas, eu tinha me esforçado.

                Recebi uma mensagem, elas já me aguardavam na porta de casa. Tínhamos combinado de irmos juntas de carro. Desci e despedi dos meus pais, eles não fizeram muitas perguntas, era a primeira vez que eu saia depois do acidente e eles sempre me incentivavam a me divertir.

                Elas vestiam sobretudos, botas de salto plataforma, couro, correntes e tudo o mais. Pelo menos, elas aprovaram o meu visual...

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Hebert Yarrow

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