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Contos dos Heróis Silenciosos

Prelúdio da Separação

Prelúdio da Separação

Nov 15, 2022

Miguel nunca teve um sonho, ou melhor, não teve a chance de pensar em um. Como um servo do senhor feudal, estava preso à terra e não poderia sair de lá. Desde que nasceu já havia se conformado com essa realidade. Não recebeu nenhum tipo de educação acadêmica, assim como seus irmãos, seu pai, sua mãe e sua inteira família, mas foi bem treinado para o ofício do arado, da lavoura, dentre outras atividades ligadas à terra. Suas mãos calejadas descreviam sua jornada como um fazendeiro. Tendo começado a trabalhar com apenas sete anos, cresceu um rapaz forte e resiliente. Os cabelos castanhos eram traços de família, junto com os olhos bem escuros. No geral não se destacava muito, até porque não havia muitas características diversas numa aldeia tão pequena.

Naquele dia de primavera – que ninguém lá sabia qual, pois desconheciam calendários e se orientavam pelas estações – a família toda estava tomando café da manhã, que consistia em caldo de verduras, pois não podiam se dar o luxo de comer coisas caras como carne ou queijo. Horácio, um homem grande de cabelos bagunçados, comia com vontade cada colher do líquido, escondendo a colher por trás de sua barba crespa. Carminha e Manoela já haviam comido e organizavam os utensílios para ordenhar as cabras. Já Bernardo e Miguel tentavam comer o mais rápido possível para ir rápido ao trabalho. Ambos sentiam que deveriam dar o seu melhor para que na próxima vez ninguém partisse devido a doenças.

- Hoje vou até o moinho fazer mais farinha, pai, daqui a pouco vai faltar pão - Disse o mais velho, um rapaz alto e esbelto, com ombros largos e cabelos negros – ao contrário do resto da família – e com um senso de responsabilidade já formado. Ele se sentia no dever de prover pela família e ajudar seu pai de todas as formas possíveis.

- Vai coisa nenhuma. Não temos comida para gastar no pagamento do moinho. Vamos ficar sem pão por um tempo, até a próxima colheita. - Retrucou o pai de forma direta. Podia parecer meio rígido, mas o custo das banalidades – preço para usar as construções do feudo – não era pouca coisa e a família deveria ser pragmática quanto a isso.

Bernardo apenas suspirou e abaixou a cabeça para terminar sua refeição em silêncio. Miguel manteve-se calado o tempo todo, de todo mundo ali, talvez fosse o que menos tinha digerido a recente morte de Gabrielzinho. Por ter sido um dos poucos que ficaram saudáveis, sentia-se parcialmente culpado por aquilo, como se não tivesse se esforçado o suficiente para cuidar de seu irmão. Isso lhe tirava o apetite, mas ainda assim comia, para não desperdiçar a comida que era tão difícil de conseguir.

- Hoje vamos trabalhar nas terras do senhor. - Anunciou Horácio subitamente.

- De novo, pai? Ultimamente a gente trabalhou lá cada vez mais. - Respondeu Bernardo.

- Você sabe que temos que pagar a corveia toda a semana, não precisamos perguntar porque, só fazemos.

- E por que temos que pagar pra ficar aqui? - Perguntou Miguel, entrando na conversa de penetra.

- O senhor nos protege de inimigos e a gente trabalha pra ele e paga ele. É assim que funcionam as coisas, é assim que sempre funcionaram. - Inferiu o pai, com um suspiro.

- Mas parece um pouco injusto… a gente paga muito mais pra ele do que ele faz pra gente. Ele podia ter ajudado ano passado com a colheita ruim.

- Poderia, poderia. Eu poderia ganhar um castelo amanhã! Mas não vou, porque infelizmente é assim que a coisa funciona. O que a gente pode fazer é tentar aproveitar o que temos e viver a melhor vida que dá pra viver.

- É… talvez. - Concluiu Miguel, apoiando a cabeça sobre a mão. Talvez pela primeira vez em muito tempo, ele tivesse pensado em uma vida fora daquela realidade.

Então o momento foi interrompido por batidas fortes na porta. Horácio levantou-se e caminhou até a entrada para receber quem quer que estivesse lá. A princípio, o resto da família voltou a fazer suas coisas tranquilamente, mas no momento em que ouviram a voz de Horácio exclamar “Soldados?!”, todos correram até ele para saber do que se tratava. Na frente da porta dois homens armados com espadas na cintura e uma veste com o brasão de armas do senhor feudal estampada jaziam em postura. Um deles carregava um pergaminho, que logo em seguida foi aberto e lido em voz alta.

- Nosso excelente senhor de Sá honrou o chamado de seu suserano e juntar-se-á na defesa da terra legítima dele! Por isso, nosso excelente senhor convoca todos os homens aptos do feudo para juntarem-se ao exército e lutarem em defesa de sua terra!

O soldado proferia essas palavras enquanto a família arregalava seus olhos num misto de surpresa e preocupação.

matteomoreira48
MethWhite

Creator

Botei um cliffhanger, mas o próximo capítulo deve sair em breve. Espero que estejam gostando e que tenham paciência por enquanto se não parece estar lá tão animado kkkkkk.

#Fantasy #journey #family

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