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Feérico: O Príncipe Demônio e a Coroa de Sangue

Capítulo 1

Capítulo 1

Apr 09, 2023

Noah admirou com certo entusiasmo o pano que tinha em mãos. Seus dedos brancos e rígidos pelo frio trilhavam levemente a costura grotesca do seu trabalho recém terminado. Não era algo excepcional, estava mais para um trapo feito com pele de coelhos remendadas, tinha um cheiro peculiar no qual Noah achou que seria o suficiente para fazer com que aqueles nobres mimados torcessem o rosto com nojo. Ele sorriu com satisfação, a estética não era o ponto crucial e sim o quanto esses pedaços de trapos mal cheirosos poderiam o manter aquecido.

Não tinha botões, então pegou duas tiras grossas de linha para usar como fecho. Durante os últimos meses, havia guardado as peles de um ou outro coelho que caçou, sentia seu coração apertar toda vez que pensava no dinheiro que poderia ganhar com a venda das peles.

Foram necessários pelo menos quinze coelhos, criando assim duas camadas de pele. Necessariamente não lhe livraria do intenso frio, porém ao menos poderia aplacar razoavelmente a sensação congelante.

Noah já havia extraído o sangue dos dois coelhos, cortando a carne em tiras e salgando com o restante de sal que tinha. Havia improvisado uma fogueira na parte interior do casebre, com uma grande pedra redonda onde seu interior era aprofundado, o que fora causado por longas horas de Noah batendo no centro da pedra com um velho martelo e um cinzel. Ele cozinhou uma pequena porção da carne e comeu juntamente a um pão velho e levemente mofado. Ainda sentindo fome, ferveu um pouco de água com ervas velhas para beber.

Assim que a neve parou de cair e o vento se enfraqueceu, Noah removeu a neve e acendeu uma pequena fogueira de pedras no fundo do casebre, com alguns galhos umedecidos que estavam guardados em um caixote velho, colocou suas mãos perto da pequena chama que se acendia. Com medo de que o vento apagasse o fogo, quando a chama ganhou forma e começou a crescer, adicionou algumas folhas meio secas.

Aqueceu algumas pedras lisas para colocar debaixo do colchão de palha, para aliviar o frio da noite. Quando as pedras estavam quentes o suficiente, usou uma pequena pá para pegá-las e colocá-las dentro de um cesto de galhos retorcidos cheio de palha e assim que a chama da fogueira se extinguiu ele entrou novamente no velho casebre.

… 

O céu já havia escurecido quando Noah escutou batidas na porta, eram altas e incessantes como se a pessoa do outro lado estivesse desesperada.

Ele estreitou os olhos em direção à porta, enquanto se levantava da cama. Geralmente não recebia visitas, principalmente de noite. O casebre em que Noah morava não ficava tão distante do vilarejo, porém, ainda levava alguns minutos até a casa mais próxima e como as noites de inverno eram terrivelmente congelantes, dificilmente alguém arriscaria sair de sua casa a não ser que houvesse uma emergência ou fosse algum saqueador ousado que planejava se aproveitar do clima ruim para tentar saquear uma casa isolada no meio da floresta.

Noah pegou a faca de caça que estava em cima de um tronco de árvore o qual usava como mesa, que ficava ao lado de sua cama, ele sempre deixava aquela faca ali, por isso, mesmo com a escuridão ele conseguiu pegá-la sem fazer barulho. Andou até a porta silenciosamente, desviando dos poucos móveis que tinham no caminho, quais ele sabia perfeitamente onde se encontravam. Ele olhou pelo pequeno buraco da fechadura por onde a corrente passava, enquanto a pessoa do lado de fora continuava a bater na madeira velha. O que viu foi apenas uma figura coberta pela escuridão, o que fez com que Noah não conseguisse identificar quem estava do outro lado da porta, porém pela estatura ele sabia que não era um adulto.

As batidas na porta voltaram cada vez mais impacientes, enquanto ouvia murmúrios incompreensíveis vindos da pessoa do lado de fora.

Surpreso ao reconhecer a voz da pessoa que resmungava do outro lado, Noah abriu uma fresta da porta, comprovando assim quem o procurava naquele horário.

— Liam! O que você está fazendo aqui?

Liam Hayes era uma criança que morava com seu pai e sua irmã mais velha, em um pequeno casebre a uns dez minutos dali. Seu pai se chamava Theodor, um caçador que havia ensinado a Noah a maioria das coisas que ele sabia sobre como sobreviver de uma forma miserável.

— Noah... lobos, eles, eles… Ata...

Noah mordeu o inferior de seus lábios com força. A voz de Liam saia entrecortada e sem fôlego e ele não parava de tremer.

E então finalmente a compreensão atingiu Noah, haviam enormes e horrendos cortes nas roupas de Liam, chegando a atingir a pele, que pareciam terem sidos causados pelas garras de algum animal selvagem.

Fora um ataque, um ataque de lobos.

Sem esperar que Liam terminasse de falar, Noah correu para o interior do casebre e se jogou de joelhos no chão, parando em frente ao velho baú onde guardava a lenha e palha seca, Ele empurrou o móvel para o lado e puxou uma tábua velha do piso revelando um buraco de onde ele tirou uma empunhadura envolta por um trapo velho que já se deteriorava pelo tempo. Ao desembrulhar, pode ter a visão de uma adaga de prata que refletiu a luz da lua que entrava pela porta aberta. 

Sem perder tempo ele correu para fora do casebre, segurando fortemente a adaga e a faca de caça, indo em direção a moradia da família Hayes, com Liam atrás de si. 

O casebre dos Hayes ficava ainda mais adentro da floresta que o seu próprio, todos sempre alertaram Theodor sobre os possíveis ataques que ele poderia vir a enfrentar de animais selvagens, porém por ser um caçador experiente ele não dava ouvidos e por esse mesmo motivo os moradores não eram muito insistentes com suas preocupações, até porque se acontecesse algo não era problema deles, pois eles já até mesmo o haviam alertado.

Noah sabia, se houvesse um ataque ninguém os ajudaria.

Geralmente no inverno, pela falta de comida e o frio intenso, as alcateias de lobos que viviam naquela região da floresta migravam para o noroeste da floresta, na fronteira do Reino de Arcais com o País de Caisus, voltando apenas na primavera. Entretanto, sempre havia um lobo desgarrado que ficava para trás e saía em busca de alimento cada vez mais perto do vilarejo. Mas, para caçadores experientes como Theodor lidar com um lobo não era realmente um problema.

Porém, havia aqueles lobos. Não, eles eram mais como enormes bestas selvagens. Eles poderiam ser até três vezes maiores que lobos comuns e sua força era monstruosa.

Era quase impossível encontrar um, ao ponto de não serem considerados reais. Mesmo que depois de vasculhar a floresta inteira, eles não seriam encontrados. Há muitos anos caçadores e mercenários saíram em uma longa caçada em busca dessas bestas, muitos foram mortos, porém foram atacados por ursos ou lobos comuns, não havia sinal algum daquelas bestas. Alguns acreditaram que eram criaturas mágicas e outros que não passavam de lendas ou histórias idiotas para chamar a atenção de viajantes para as pequenas cidades e vilarejos.

Noah, assim como eles, não acreditava naquelas histórias, até treze anos atrás.

Antes daquele dia, antes daquela noite de inverno onde ele tinha a impressão que viveu o próprio inferno. Antes de ele ver aquelas bestas com seus próprios olhos, ele também pensava que elas não eram reais.

Balançando fortemente a cabeça, tentando se livrar daquelas lembranças que dilacerava seu coração, Noah continuou a correr, mesmo sentindo uma onda de desespero tomar seu corpo lentamente.

Ignorando a dor de suas pernas enquanto corria, sentindo o ar de seus pulmões ficando cada vez mais rarefeito, ele sentiu como se fosse cair a qualquer segundo, porém seguiu em frente. Noah viu a cerca velha das terras dos Hayes destruída, os pedaços de madeira estavam estraçalhados, como se algo grande tivesse passado por ali, devastando tudo que tinha no seu caminho. Sobre a luz da lua, Noah viu rastros de sangue que seguiam em direção ao casebre dos Hayes.

A grande porta feita com madeira de carvalho, assim como a cerca tinha sido completamente destruída e havia um enorme buraco em uma das paredes, revelando seu interior coberto pela penumbra da noite.

Noah ofegou pesadamente ao parar de correr, sentindo uma sensação horrível, como se houvesse algo preso em sua garganta o impedindo de respirar normalmente.

Ele ficou perturbado com tudo aquilo, sentindo que algo estava errado, não havia gritos, rosnados ou qualquer barulho que indicasse a presença daquelas feras. Tudo estava silencioso, o vento soprava com um silvar entre as árvores, enquanto Liam se aproximava cambaleando pelo cansaço.

Foi então que Noah os viu.

Sentindo todo o sangue de seu corpo naquele momento gelar, ele apertou a adaga que quase escorregou por entre seus dedos. Liam que vinha logo atrás parou de andar e ofegou pesadamente ao ver aquela cena, suas mãos envolveram sua boca abafando o grito que queria escapar por seus lábios e seu corpo tombou no chão coberto por neve e sangue, tanto pelo cansaço quanto pelo medo.

Em meio a neve branca, estirados sobre enormes poças de sangue, haviam dois lobos cinzentos. Eram enormes, talvez fossem duas ou até três vezes maiores que lobos comuns.

Noah se aproximou vagarosamente, um deles possuía a pelagem escurecida, tendo um enorme rasgo em seu estômago deixando à mostra uma parte do seu intestino. Franzindo o cenho e apertou os olhos sentindo náusea, aquilo não era algo que um humano poderia fazer, foi então que ele notou que sua jugular parecia ter sido brutalmente rasgada. O segundo lobo estava em um estado similar ao do primeiro, porém tinha um enorme ferimento no rosto e seu globo ocular direito saltava para fora de sua cavidade ficando preso por um tendão.

E então, logo à frente estava aquilo.

Não chamaria aquela criatura de lobo, pois a mesma parecia ter quase o tamanho de um urso negro. A pelagem da criatura se assemelhava ao tom de ferrugem, entretanto, Noah não soube dizer se isso se dava ao fato de seu corpo ter sido embebido por sangue.

Ele então fechou os olhos com força, sentindo uma onda de alívio o atingir ao mesmo tempo que a sensação de pânico parecia ainda permanecer em algum lugar de seu subconsciente, deixando claro que ele poderia ter uma crise a qualquer momento.

Estavam todos mortos.


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