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Feérico: O Príncipe Demônio e a Coroa de Sangue

Capítulo 4 - Parte 2

Capítulo 4 - Parte 2

Apr 09, 2023

•••

Passando-se quase uma hora após a partida de Noah, Thomas agarrou uma bolsa que estava debaixo do balcão, trancou a loja e andou rapidamente pelas ruas cobertas por neve por alguns minutos, parando em frente a uma velha casa nos limites do vilarejo, ele olhou cuidadosamente tentando verificar se alguém o seguia. Vendo que não havia ninguém por perto, ele seguiu pela entrada lateral em direção ao pequeno armazém que se encontrava aos fundos da velha casa.

Dando três batidas suaves na porta, Thomas esperou por alguns segundos e novamente deu duas batidas, como se fosse um sinal. Não demorou mais que um minuto antes da porta ser aberta, um homem alto e coberto por um grosso manto velho parou na entrada e olhou ferozmente para Thomas.

— Você voltou!

Thomas sorriu fracamente, apertando levemente a bolsa que estava em seus braços. Ele não conseguia ver direito o rosto do homem, que estava coberto pela escuridão, porém ele sabia que o mesmo tinha uma expressão azeda no rosto como a de quem acabara de sofrer uma lesão. Ele usava essa mesma expressão desde o momento em que se conheceram.

— Bem, se eu não voltasse, você possivelmente iria atrás de mim e me arrastaria de volta — Thomas fez uma careta, enquanto olhava cuidadosamente à luz bruxuleante da vela dentro do armazém, que iluminava fracamente as costas daquele homem. Por baixo do velho manto, pontos metálicos cintilavam fracamente, uma armadura — eu trouxe o que me pediu. Será que poderia deixar eu passar, para começar a fazer meu trabalho?

O homem a contragosto abriu espaço para que Thomas entrasse no armazém e assim que entrou, fechou a porta, arrastando silenciosamente um móvel de madeira para interceptar a entrada, após feito, ele sentou-se em cima do mesmo e se encostou na porta.

Thomas olhou para a pequena vela, que mal iluminava o local e olhou sutilmente para o homem escorado na porta. Vendo que Thomas o encarava, deu de ombros.

— Não devemos chamar atenção.

Thomas sabia disso, no entanto, sua preocupação era com a terceira pessoa no local, deitado em meio a uma enorme camada de tecidos estava um homem de traços finos, ele respirava pesadamente, enquanto seu corpo estava coberto por suor. Thomas colocou as costas da mão em seu rosto, medindo sua temperatura, a febre havia baixado levemente.

Retirando as mantas que cobriam a parte superior do corpo do homem inconsciente, afastou as roupas e olhou para o ferimento na parte direita de sua barriga que havia começado a se cicatrizar antes do que ele previa. Pegando os frascos de sua bolsa, ele os enfileirou no chão, pegando o primeiro frasco, ele ergueu a cabeça do homem e o ajudou a engolir o conteúdo.

Alarmado, o homem perto da porta se levantou rapidamente e se aproximou de Thomas.

— O que você deu para ele?

Thomas quase riu com a preocupação excessiva.

— É apenas erva de freixo, fiz a infusão para minha irmã antes de vir e aproveitei para preparar um pouco para ele, já está meio fria, porém vai ajudar a baixar a febre. E isso aqui — Thomas balançou um pequeno pote de barro — é uma mistura de babosa e mel, vai ajudar na cicatrização e evitar a coceira na região do ferimento.

Após aplicar um pouco de pomada, Thomas enfaixou o machucado e arrumou as roupas do homem deitado, que desde o momento de sua chegada, não havia dado nenhum sinal de que acordaria.

— Bem, faz quase dois dias que nos conhecemos, mas até agora você não me disse o seu nome e o do meu paciente — Thomas sorriu fracamente, não dizendo que na realidade se sentia nervoso por não saber nada dos dois, sentia como se estivesse cuidando de dois animais selvagens que a qualquer momento poderiam se revoltar e atacá-lo.

O homem nada disse, apenas voltou ao seu posto na porta, mostrando curiosidade apenas quando viu Thomas tirar duas batatas e uma pequena faca da bolsa, antes de começar a cortá-las em rodelas.

— O que diabos você está fazendo?

— Eu quero amenizar a febre, porém está muito frio e usar uma toalha molhada não seria o aconselhável. Por isso usarei batatas para absorver o calor — Thomas disse enquanto colocava rodelas de batatas sobre a testa e bochechas do homem inconsciente. Após feito ele se levantou e bateu sutilmente nas roupas, como se estivessem cobertas de poeira — amanhã vou ajudá-lo a limpá-lo, não seria bom se ele tivesse alguma infecção, principalmente agora que está começando a cicatrizar. E antes de mais nada, quero que fique ciente que apenas comercializo ervas medicinais e especiarias, se a carne dele apodrecer, não a cortarei fora, não sou um curandeiro e não farei o trabalho de um — Thomas suspirou pesadamente, ao perceber que suas ações contradizem totalmente suas palavras.

Thomas pegou vela e foi em direção a porta, parando em frente ao homem que estava de tocaia e ergueu a mão como se pedisse por algo. Sendo encarado com tanta estranheza, ele não pode deixar de se sentir envergonhado.

— Eu quero ver como está o ferimento em seu braço.

A contra gosto, o homem estendeu o braço.

— Eu não consigo ver através de suas roupas, se o 'senhor misterioso' for amável o suficiente para retirar o manto, ficaria realmente grato — Thomas esperou pacientemente, quando o braço foi estendido novamente, ele ignorou as diversas cicatrizes que preenchiam sua pele, ele torceu levemente o braço, posicionando-o de forma que a fraca luz da vela iluminasse o ferimento. Vendo a situação que se encontrava, ele não pôde deixar de contrair os lábios. — Lembro-me perfeitamente que havia dito que se você não usasse pelo menos uma pomada e enfaixasse o ferimento, ele iria piorar. Sei que está preocupado com seu amigo, porém você não vai conseguir ajudá-lo se tiver que decapitar esse braço.

— Não está tão ruim assim...

— Não está ruim? Isso na realidade está péssimo!

Naquele momento Thomas se sentiu totalmente impotente, questionando interiormente se aquele cara não tinha algum problema mental. Pois, o estado que seu ferimento se encontrava não poderia ser considerado bom. O corte era profundo e se podia ver que o interior estava mais escuro do que se deveria, não estava cicatrizando e uma camada de pus era visível.

Thomas pegou um pano limpo de sua bolsa e passou um pouco de água, limpou o ferimento e passou um pouco da mesma mistura que havia usado no homem inconsciente, desejando que fosse o suficiente.

— Ivan... — O homem falou de repente em um tom baixo, surpreendendo Thomas.

— O que?

— Ivan, esse é o meu nome!

Thomas sorriu, sentindo uma certa satisfação.

— É um bom nome, nunca conheci ninguém que o tivesse — Thomas afastou-se de Ivan, deixando que o mesmo arrumasse suas roupas. Na realidade ele sentia que já havia escutado esse nome de algum lugar, no entanto não era capaz de recordar de onde. Ele pensou em perguntar o nome do homem inconsciente, no entanto, lembrando da ferocidade que Ivan demonstrava toda vez que o outro era citado, ele resolveu não testar a sorte.

Já havia passado mais de meia hora desde sua chegada, olhando para a fresta da porta, ele decidiu que já era hora de partir. Se ele demorasse para voltar, sua mãe certamente se preocuparia.

— Tenho que voltar agora, quando ele acordar, não de nada sólido para ele comer, dentro do pote maior a uma sopa e no menor um chá feito com ervas medicinais, esquente e faça com que ele beba. Não negligencie seu próprio corpo Ivan, eu trouxe um pouco de comida para você também, não há nada de estranho nela, então coma. — Thomas quase riu ao notar que estava tratando um estranho da mesma forma que tratava sua irmã mais nova, ele se aproximou do homem inconsciente e pegou sua bolsa, colocando nela os potes vazios. — Você deveria dormir com ele, o calor corporal pode ajudá-lo, não sabemos quanto tempo ele conseguirá sobreviver com esse frio — ele deu uma última olhada em Ivan, antes de ir embora, querendo dizer a si mesmo que nada daquilo era problema dele.


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