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Doutores de Corações

Doutores de Corações, Parte 2

Doutores de Corações, Parte 2

Feb 01, 2025

No coração da praça, uma fonte formava um cenário semelhante aos de contos de fadas. Jatos d'água dançavam graciosamente no ar, refletindo as luzes douradas do entardecer. O calor do sol providenciava um espaço íntimo para casais, responsáveis por ocupar majoritariamente o principal ponto de encontros da cidade.

Frente a dezenas de duplas apaixonadas, Aimee sentou-se em um banco vazio. Sorrisos de todos os tamanhos caracterizavam faces de pleno prazer, diretamente opostos a singularidade do rosto aborrecido, destacado na cara da jovem.

“Os casais parecem bem felizes hoje. Imagino que todas essas garotas tiveram a sorte de ter alguém se declarando para elas”, pensou a figura solitária.

Um empurrão inesperado. O garoto culpado por tal ato esbarrou naquela que refletia pacificamente. Portador de uma lata de refrigerante, ele apenas descansou as pernas no assento, indesejadamente acompanhado.

— Abre espaço, garota. Estou cansado de andar.

— Você veio se confessar para mim?

— Pfttt! Hahahahaha!!! Não me faça rir! Acha que alguém se declararia para você? Poderia ao menos pentear esse seu cabelo ridículo!

— Sua timidez te fez dizer essa estupidez? Seja sincero, seu frouxo!

O recém-chegado despejou o conteúdo da lata sobre o cabelo de Aimee. Encharcada pelo líquido alaranjado, a vítima mal soube como reagir.

— Blergh!!! Enlouqueceu, desgraçado!?

— Está esperando um pedido de namoro? Ninguém iria tão longe por alguém como você! Aproveite essa chance para arrumar o seu cabelo, feiosa!!!

Após a fala grosseira, o garoto abandonou a companhia, deixada para trás na solidão do banco para casais. Novamente isolada, as mãos da jovem pressionaram seu par de bochechas, formando uma única expressão emburrada.

“Ah, fala sério! Por que é tão difícil ter um garoto feliz do meu lado?”, refletiu desacreditada. 

Originados de uma observação minuciosa, novos pensamentos dominaram a mente questionadora. Olhos atentos percebiam mais figuras solitárias, as quais somente assistiam a alegria das demais duplas.

“Nem todo mundo tem alguém que te procure com um sorriso no rosto. Esses malditos corações solitários… Eu jurei que iria curar cada um deles!!!”, concluiu ela.

Um agarrão direto no próprio peito. Aimee pressionou a origem do sentimento de solidão que a atormentava, a partir do contato abrupto com seu coração. Após a ação desesperada, ela se recompôs rapidamente do golpe em si mesma, porém, uma mudança repentina em seu semblante evidenciou a chegada de novas emoções.

Dedos delicados restauraram cuidadosamente o equilíbrio do cabelo assanhado, enquanto pés ansiosos saltitaram com a leveza de cada passo. De ponta a ponta, o rosto da jovem foi dominado por um sorriso quente. Semelhante a maneira que o calor do sol aquece a terra, a face sorridente emanou sua energia pela praça lotada.

— Aqui vou eu!!! — afirmou em bom tom.

Um salto repleto de determinação deixou o banco deprimente para trás, enquanto permitia que o corpo agitado fosse banhado pela radiante luz do sol. Em disparada, Aimee seguiu rumo a um garoto solitário, cujo tédio somente o permitia observar a felicidade de outros casais. Lado a lado com o sujeito, ela o surpreendeu em uma aproximação repentina.

— Ah!!! Uma esquisitona! — gritou o homem importunado.

— O que está fazendo?

No centro de um olhar cativante, pupilas enormes assumiram a forma de corações, que quase podiam ser vistos pulsando em um ritmo contagiante. A doçura de tal feição convidava o alvo a encará-los em uma contemplação sem fim, à medida que desarmava lentamente qualquer resistência, fazendo-o corar rapidamente.

— E-Eu estou apenas observando alguns casais felizes.

Ao tentar ignorar a nova presença, o garoto retomou as atividades que vinha realizando até então. Ele fingia ler um livro, quando simultaneamente focava a visão no charme de uma mulher loira, próxima a fonte da praça. Aimee percebeu o comportamento peculiar.

— Hehehe! Você gosta daquela garota, não gosta!? Vai com tudo, moleque!

— Eu não sei se deveria… Acho que tudo fica melhor quando estou sozinho.

— Não há coração nesse mundo que nasceu para ficar solitário!!! O meu dever é curar todos os feridos do amor!!

— E-E se ela acabar me odiando?

— Relaxa! Se você for rejeitado, eu caso com você!

— V-Você… O que!?!?

O peito do garoto foi abruptamente pressionado, após o agarrão audacioso de Aimee. 

— Nenhum desacompanhado sucumbirá à tristeza! Os laços do amor unirão cada um de nós! Afinal, eu amarei todos vocês!!! — declarou a jovem.

Unhas, fincadas no coração do alvo, provocaram mudanças inusitadas no comportamento deste, derivadas de uma postura repleta de empolgação. Gotas de suor evidenciaram sentimentos à flor da pele, intensificados graças à ansiedade crescente.

Outro salto conquistou a atenção da praça, através da afobação impossível de ser contida. Poderosas emoções funcionaram como o catalisador para uma corrida de destino único, rumo a cobiçada mulher loira. No caminho, o garoto anunciou suas intenções outrora reprimidas.

— E-Esse é o fim da minha história de solidão! Eu vim para me declarar!!!

Frente a frente com a fonte do encanto sofrido, ele se ajoelhou, prestes a falar palavras até então entaladas na garganta reclusa.

— Senhorita, por favor, namore comigo!!!

— Hein!?!? De onde veio isso!? — perguntou a ouvinte da confissão.

— Eu estou perdidamente apaixonado por você! Viver só é algo impensável!

— Hã? Ei, espere! Acontece que eu já estou muito bem sozinha e não–

Aimee pulou por cima da dupla de falantes, quando interrompeu o diálogo fadado ao fracasso. Na busca de evitar o desfecho infeliz, mãos determinadas pressionaram o coração da mulher loira.

— Aqueles que desviam do caminho do amor se tornam corações solitários. Traumas, medos, arrependimentos… Todos esses sentimentos tentam afastá-los da felicidade! — exclamou a jovem ruiva, logo depois de intervir na situação.

Atingida em seu peito, a vítima do ataque recente teve o seu semblante repentinamente alterado. Pupilas apaixonadas assumiram a forma de corações, ao mesmo tempo em que lábios trêmulos se preparavam para proclamar desejos íntimos.

— E-Eu não posso continuar dessa forma! Alguém, namore comigo!!! — berrou a figura loira.

Agraciado com o tão aguardado pedido, o autor da declaração se entregou ao entusiasmo. Tudo o que lhe restava era comemorar o sucesso de seus esforços.

— Todos aqueles pesadelos de isolamento sumiram! Vamos ficar juntos!

Nas proximidades do casal recém-unido, Aimee presenciou o resultado perfeito para qualquer relacionamento. Direcionada para a multidão de pessoas solitárias na praça, ela juntou ambas as mãos na frente do próprio peito, motivada a fazer a afirmação mais genuína já dita.

— Eu existo para reconectar as vítimas destas feridas! Irei curar cada um desses corações vazios!!!

❥ ❥ ❥

Um parque ao ar livre cedia espaço para dezenas de duplas, espalhadas por recantos floridos. Não acompanhados apenas por humanos, aqueles que desfrutavam da beleza ambiental contavam com a presença de majestosas árvores, aptas para oferecer a sombra e privacidade adequadas para o clima fantasioso. A serenidade proporcionada pelo verde da natureza envolvia o lugar na atmosfera utópica de um romance sem interrupções, até que numerosos obstáculos se opuseram à paz momentânea.

Pássaros voaram para longe, espantados pela chegada de uma multidão desenfreada. Homens e mulheres compunham o grupo que totalizava mais de cinquenta acompanhantes, os quais caminhavam lado a lado de um homem sofisticado, vestido sob uma cartola azul-marinho. Kai liderava os recém-chegados, responsáveis por chamar toda a atenção dos casais na região.

— Querida, você está vendo aquilo? — comentou um sujeito, à respeito do grande coletivo.

— Quanta gente! O que um grupo tão imenso faria em um local como esse?

— Mais importante do que isso… Os olhos deles não estão um pouco estranhos?

A multidão marchava em conjunto, a partir de uma sincronia onde seus membros compartilhavam até mesmo o olhar, marcado pela peculiaridade em suas pupilas. Olhos de peixe morto estampavam a expressão vazia dos adultos.

— Credo! Parecem até cadáveres ambulantes! É como olhar para um zumbi!

— Que bando de esquisitões! Vamos embora!

Os visitantes que já estavam no parque fugiram do lugar, assustados pela bizarrice da situação atípica. Deixados para trás, somente dois garotos se opuseram à grandiosidade do coletivo, focados em um objetivo maior. Corados, eles tentavam aproveitar a oportunidade que a vida lhes tinha oferecido.

Roupas despojadas acentuavam a casualidade da juventude, utilizadas em prol de atrair o interesse feminino. A dupla remanescente importunou duas mulheres do grupo recém-chegado, no intuito de conquistar o par desatento.

— Ei, até que tem algumas gracinhas no meio desse grupão. Não acha, mano?

— Vocês são bem atraentes, senhoritas. Por acaso tem algum namorado?

— Não, e nunca terei — respondeu a primeira.

— Namorar é um ato fútil — acrescentou a segunda.

— Que frias!!!

Os dois garotos fugiram para longe, após a resposta seca. Em contrapartida, a multidão avançou pelo parque, enquanto avaliava racionalmente o propósito de tal localidade.

Olhos vazios pareciam transformar as cores quentes da natureza em uma aventura pelo ártico, à medida que passos pesados comandavam uma caminhada isenta de emoções. Sequer se percebia o som dos insetos, já que os ouvidos haviam aprendido a ignorar os sons não fundamentais. Aproveitando-se do silêncio, o grupo conversava entre si.

— Eu não gosto de parques. Só quando estão vazios.

— Qual é a utilidade destes bancos? As pessoas não sabem andar?

— Esse parece ser um local onde casais costumam se encontrar.

Inquieto, com a discussão passageira, Kai se intrometeu. O rapaz pôs uma mão no bolso, em busca de algo.

— É sem dúvidas um desperdício de espaço. Pessoal, o que acham de queimarmos ele? — perguntou o líder.

Diante da vulnerabilidade de inúmeros troncos de madeira, o grupo sanou as dúvidas levantadas, quando seus dedos descompromissados se agarraram ao objeto derradeiro, necessário para executar a ideia proposta. Isqueiros foram retirados dos pertences dos adultos.

— O que estão fazendo com o nosso paraíso!?!? — Uma voz distante interrompeu as ações do coletivo.

De frente para Kai, outra multidão adentrou no território do parque. Assim como o aglomerado de expressões vazias, o grupo que acabara de aparecer também possuía padrões peculiares. Pupilas em formato de coração estampavam olhares apaixonados.

Aimee liderava o grupo, que contemplava cada detalhe da natureza com máxima empolgação. Mulheres e homens ansiosos conduziam o debate caloroso.

— Uau!!! É por isso que eu amo parques! 

— Esses bancos são perfeitos para declarações! É um começo de relacionamento inesquecível!

— O ar romântico da natureza… Acho que não vou conseguir me conter!!!

Ignorando os diversos comentários desinteressantes, os companheiros de Kai acenderam seus isqueiros. Tal proatividade assustou os recém-chegados.

— AHHH!!! O QUE ESTÃO FAZENDO!? 

No papel de comandante, Aimee deu um passo à frente, em uma atitude que tranquilizou seus acompanhantes. A jovem confrontou os demais desconhecidos, culpados por ameaçar o lugar pacífico.

— Não se preocupem, meus amados companheiros. Tenho certeza de que esses esquisitões vão amar se juntar a nós!

Fruto da resposta imediata, Kai deu um passo à frente, semelhante a quem aceita um desafio inescapável.

— Nós não amamos nada — corrigiu o rapaz.

— Nem ninguém. — Seus aliados adicionaram.

Depois de pressentir a formação do embate iminente, Aimee andou pelas proximidades de um tronco cortado. Na cicatriz da árvore devastada, a jovem coletou uma arma promissora, fincada na madeira espessa. O machado nas mãos protetoras era como o chamado para a guerra.

— Casais merecem um lugar mais reservado. Esse local vai ficar ainda mais romântico se nos livrarmos de alguns empecilhos! O que acham, meus amores?

Seguindo as ideias da líder, o grupo apaixonado revelou novos armamentos, cruciais para a vitória decisiva. Facas foram colocadas à mostra, previamente escondidas em suas vestes. Os dois lados anunciaram seus compromissos para a batalha.

— Hora de consertar esse lugar desinteressante — disse um homem frio.

— Eu protegerei as raízes do amor! — afirmou uma mulher apaixonada.

Sem a necessidade de mais embates verbais, os dois comandantes guiaram seus respectivos coletivos para o confronto derradeiro. Avanços em disparada sinalizaram a aproximação de um desfecho sem volta, rumo ao choque de corações conflitantes. O romance se encaminhou para um clímax avassalador.

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Surara

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O amor sempre acompanha o momento de maior felicidade da vida de alguém... Pelo menos, era nisso que eles acreditavam.

Depois de ser rejeitado em sua espetacular proposta de casamento, Kai jurou reparar todos os corações partidos, quando um toque direto em seu peito o livrou de qualquer ressentimento. Nada mais afetaria o seu emocional imutável.

Sozinha, em meio a incontáveis casais felizes, Aimee aguardou vinte longos anos por uma declaração romântica, quando a espera sem fim a colocou em um beco sem saída. Um aperto no coração da jovem foi acompanhado de uma promessa sem volta: deste em dia em diante, ela conectaria todos os solitários do amor.

Movidos por determinações inquestionáveis, os dois ideais colidiram em um embate mortal. Quem será que permanecerá de pé neste pequeno conto de amor?

#romance #humor #casal #poderes #one_shot #Conto #Action #conflito #Amor #comedia

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Arte de capa feita por Henarts.
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