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Doutores de Corações

Doutores de Corações, Parte 3

Doutores de Corações, Parte 3

Feb 01, 2025

Nuvens de fumaça dominaram o céu azul, no mesmo instante em que aves brancas voaram para longe, direcionadas para horizontes mais seguros. A luz do sol perdeu espaço na atmosfera obscura da região, em uma mudança de cores que soava como um alarme para o caos instaurado no solo.

Na superfície, a prosperidade da grama verde foi sobreposta pelo incessante pisoteio de sapatos modernos, os quais marcavam o chão na forma de cicatrizes irreparáveis. Golpes diretos ameaçavam a integridade do ambiente pacífico, tanto quanto lâminas afiadas buscavam por corpos desprotegidos.

— Acho que podemos morrer. Devo me preocupar? — perguntou uma mulher de olhos vazios, no centro da confusão.

— Nem um pouco — respondeu Kai. — São só alguns golpes letais.

Cortes rápidos foram desviados por reflexos invejáveis, uma vez que a mente livre de preocupações lhe permitia o foco absoluto no confronto. Em contraste ao líder, seus companheiros eram levados ao limite, forçados a enfrentar ofensivas ininterruptas de atacantes afobados.

A agitação movia cada centímetro de corpos ansiosos, cujo direcionamento era decidido pela inconsequência de olhos apaixonados. Contrapondo os métodos racionais do grupo frio, facas mortais foram movidas por mãos determinadas.

— Isso é muito divertido! Combater os inimigos do amor é um sentimento mágico!!! 

Como reação às falas de empolgação de um inimigo, seu adversário se manteve na defensiva. O sujeito frio avaliava cuidadosamente a situação, quando questionou seu líder, a pedido de novas instruções.

— Como devemos prosseguir contra essas armas? Elas até que machucam — comentou com uma faca fincada em seu braço.

— Nenhuma providência é necessária. Deixem comigo e–

Um ataque inesperado interrompeu a fala de Kai. Bem na sua frente, uma árvore foi cortada ao meio, a partir do arremesso poderoso de um machado. O tronco atingido despencou ao lado do rapaz, que desviou rapidamente do projétil.

Em um salto para recuperar a arma que acabara de ser lançada, Aimee apanhou o machado caído, ao ficar lado a lado com o líder rival. Desapontada pelo desfecho da pobre planta, ela esperneou.

— Ahhh!!! Pobre árvore… Você não deveria ter desviado!

— Foi apenas por reflexo.

— Por outro lado, até que foi um movimento bem charmoso! A imprevisibilidade da paixão é mesmo encantadora!!!

A partir de uma nova tentativa, Aimee investiu com a velocidade de uma flecha. O avanço repentino colocou o alvo em cheque, mas o peso da arma permitiu a esquiva no limite para a sobrevivência. 

Apesar do sucesso aparente, a escapada teve uma consequência grave: outra vítima recebeu o ataque abrupto. A companheira de olhar vazio foi acidentalmente dividida ao meio, graças à decisão de seu representante.

— Você deveria ter tomado o ataque por ela. Seria tão romântico!!! — provocou Aimee.

— Foi apenas por reflexo. Além disso…

Kai se voltou para o corpo que acabara de ser cortado. Passos lentos evidenciaram a despreocupação do sujeito sem arrependimentos, cuja expressão permanecia isenta de culpa.

Nas proximidades da acompanhante caída, o toque seco do rapaz foi o catalisador para uma alteração substancial no estado do cadáver. As duas metades foram reconectadas, em uma regeneração completa do corpo da mulher partida, após o contato com dedos mórbidos.

— Nenhum coração será partido na minha presença. Eu prometi curá-los. Consertarei todos os que foram quebrados pelo amor — afirmou Kai.

— Um toque direto no coração! É o ápice de um romance!!! — Aimee não conseguia esconder sua empolgação.

Contrário aos ânimos cegos de sua líder, um homem apaixonado entrou em pânico, após testemunhar de perto um feito que poderia colocar em risco a vitória do grupo romântico.

— Ele reviveu aquela mulher!?!? Desse jeito, o nosso paraíso pode estar em perigo!

Próxima ao falante, Aimee caminhou alegremente na direção do sujeito preocupado. Pés leves e saltitantes promoveram uma travessia encantadora pelo campo de batalha. Sorrindo em um ato afável, a chegada da jovem foi destacada por um doce abraço, enquanto acalmava seu parceiro com palavras gentis.

— Se estivéssemos lutando sozinhos, provavelmente estaríamos em apuros.

Corpos se fundiram em uma união perfeita. Duas cabeças concretizaram um relacionamento genuíno, ao mesmo tempo em que quatro braços se preparavam para proteger o amor verdadeiro, com uma faca em cada uma das mãos desocupadas.

Diante da criatura recém-formada, Kai acendeu seu isqueiro. O confronto havia subido de nível, quando ambos os coletivos alcançaram o ápice das forças apresentadas. Não existia outro destino além da destruição.

— Vejo que não sou o único com novos truques. Isso vai demorar mais que o esperado.

Quatro pernas seguiram em frente, uma vez que passos para trás não seriam mais tolerados. Na forma suprema de seus sentimentos, Aimee confrontou o líder inimigo, por uma última e decisiva vez.

— Não permitirei mais corações solitários! Minha promessa consiste em reconectar os isolados do amor! Essa é a minha forma de curá-los!

— Que seja.

❥ ❥ ❥

Árvores caídas, junto a corpos desarmados, marcaram o fim do combate entre forças poderosas. O silêncio revelou o término do período sombrio, com a fumaça se dissipando lentamente no ar, sobre cabeças deitadas no solo.

Em meio a incontáveis figuras derrotadas, um único homem ficou de pé, de mãos vazias e roupas rasgadas. A elegância do sujeito foi comprometida, devido a ausência da outra metade de sua cartola, que se encontrava partida junta aos destroços da batalha. Kai decretou a vitória individual.

— Parece que acabou.

O ranger de ossos entregou uma aproximação inusitada. Contrária às expectativas alheias, outra presença havia postergado o aguardado desfecho, através da investida fatal. Com o machado em mãos, Aimee correu na direção do único alvo remanescente, pronta para cortá-lo de uma vez por todas.

— Errado! A verdadeira guerra do amor nunca chega ao fim!!!

Kai reagiu ao ataque repentino, em uma esquiva que fez a lâmina raspar em suas roupas. Na vantagem do ritmo da luta, ele revidou com um chute direto na arma branca. Livre do objeto, a disputa não teria mais a participação de nenhum tipo de equipamento.

Face a face, tudo o que restava para os combatentes eram sua determinação e punhos cerrados. Entalado nas gargantas, o discurso repetido parecia ser dito por conta própria, como se as bocas já soubessem exatamente a mensagem a ser propagada.

— Eu vou curar todos!!! — disseram ambos.

Avanços simultâneos atingiram o peito adversário. A pressão das duas ofensivas acertou precisamente os corações alvejados, cujo impacto afetou as vítimas em níveis emocionais. Após o choque, a dupla sofreu mudanças imediatas em seus semblantes.

Pupilas em formato de coração se despediram da visão apaixonada, enquanto olhos vazios retomaram sua cor convencional, abandonando a expressão de peixe morto. De volta a postura original, as pálpebras do rapaz foram pegas de guarda baixa, quando lágrimas encharcaram sua face com uma onda de sentimentos antigos.

— L-LARAAAA! POR QUE DISSE AQUELAS COISAS!? LARA!!!

Frente ao choro desesperado, Aimee gradualmente tentava compreender a situação, percebendo lacunas significativas em sua memória, que se limitava somente à lembrança de ter estado no banco de uma praça movimentada. Alterações no fluxo do cabelo ruivo a deixavam confusa perante a nova organização indesejada, porém, os berros deprimentes mal deixavam sua mente pensar sobre tal assunto.

— Que gritaria é essa, moleque!? Ande logo e se declare para mim!!! Não foi para isso que veio até aqui!?

Na dúvida do que acabara de ouvir, Kai se esforçava para entender a complexidade da frase descabida. A aparência simples das palavras ditas o fez se questionar se estava diante de uma pegadinha, mas o interesse gerado foi o suficiente para secar as lágrimas de tristeza.

— Me declarar para você?

— Vai deixar a sua timidez te segurar, é!? Ande logo e me peça em namoro, seu covarde!

— E-Ei, garota. Acontece que–

— Calado! Nem pense em tentar me dar um fora! Eu que estou nessa posição! Reconheça o seu lugar, seu molenga!!!

Em busca de interromper um momento já experienciado, lábios falantes protegeram ouvidos cansados de ouvir as mesmas coisas. A situação sempre vivenciada pela mulher ruiva não poderia se repetir mais uma vez.

O nervosismo moveu a posição da jovem, fruto de um estresse ainda maior do que o habitual. Ela virou as costas para o ouvinte, transformando o diálogo em um desabafo unilateral. Dedos solitários se entrelaçaram, na tentativa de conter a ansiedade que os corroía por dentro.

— E-Eu já entendi. Você vai apenas continuar aí, me observando de longe. Me vendo sozinha no meio de tantas pessoas juntas… Eu devo ser mesmo uma esquisitona solitária!!!

Árvores foram incendiadas de maneira inesperada, graças a contínua atividade de isqueiros caídos. A grama se uniu à linha de fogo, quando a natureza em chamas formou um círculo ardente ao redor da dupla.

Cercado pelo fenômeno inusitado, a luz incandescente esclareceu a mente de Kai, cuja lembrança conduziu sua mão para uma pequena caixa preta, escondida no que restara de suas vestes.

— Ainda bem que eu nem cheguei a usar isto.

Cabelos ruivos se misturavam com a cor das chamas, em uma vista deslumbrante demais para ser apreciada de costas. A jovem rapidamente se virou para o rapaz, após sentir algo em contato com seus dedos.

Arremessadas pela multidão dos derrotados, granadas voaram pelos ares, dando origem à explosões que conquistaram o céu azul, como fogos de artifício em plena luz do dia. Nuvens de fumaça concederam a escuridão necessária para um clima privado, onde apenas dois rostos podiam entender o ocorrido.

— Que estranho. Eu nem sei o seu nome, mas parece que esse anel foi projetado para este dedo. Que bom que ele não quebrou no meio da batalha!

— Uma aliança feita para mim? Pfft! Hahahahaha!!! Isso nunca existiria! Eu sempre estive sozinha, afinal…

Colocada lentamente nos dedos da mulher, a aliança parecia ter encontrado o lar ideal, no entanto, danos causados previamente fizeram o objeto se romper ao meio. Surpreso, Kai respondeu à sua afirmação anterior.

— Então, ela realmente quebrou durante a batalha.

Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Amando-a e respeitando-a, até que a morte nos separe. 

Palavras encantadoras costumam acompanhar o momento de maior felicidade da vida de um homem. No entanto, às vezes também podem se tornar parte de suas lembranças mais dolorosas.

— Bom, então vamos conseguir uma nova. O que acha? — propôs o rapaz, depois de se levantar para uma nova caminhada.

— Eu quero uma declaração primeiro, idiota! Você pulou essa parte!!!

— N-Não. Eu prefiro não passar por isso de novo.

Quando tais infortúnios acontecem… Cabe ao seu coração, partido e solitário, encontrar alguém capaz de curá-lo.

Aimee e Kai seguiram rumo à cidade, deixando o parque para trás. De corpos inteiros e mãos unidas, o casal ainda teria um longo dia pela frente.

FIM


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Surara

Creator

O amor sempre acompanha o momento de maior felicidade da vida de alguém... Pelo menos, era nisso que eles acreditavam.

Depois de ser rejeitado em sua espetacular proposta de casamento, Kai jurou reparar todos os corações partidos, quando um toque direto em seu peito o livrou de qualquer ressentimento. Nada mais afetaria o seu emocional imutável.

Sozinha, em meio a incontáveis casais felizes, Aimee aguardou vinte longos anos por uma declaração romântica, quando a espera sem fim a colocou em um beco sem saída. Um aperto no coração da jovem foi acompanhado de uma promessa sem volta: deste em dia em diante, ela conectaria todos os solitários do amor.

Movidos por determinações inquestionáveis, os dois ideais colidiram em um embate mortal. Quem será que permanecerá de pé neste pequeno conto de amor?

#romance #humor #poderes #casal #one_shot #Conto #Action #conflito #Amor #comedia

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Movidos por determinações inquestionáveis, os dois ideais colidiram em um embate mortal. Quem será que permanecerá de pé neste pequeno conto de amor?

Arte de capa feita por Henarts.
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