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Sob o Peso do Desejo

A posse dos cargos

A posse dos cargos

May 10, 2025

aO sol da manhã iluminava a fachada recém-pintada do hospital, refletindo nos vidros novos e impecáveis. Os funcionários, vindos de diferentes partes do país, se reuniam no saguão principal, admirando as instalações modernas.

No palco improvisado do auditório, Hawn deu as boas-vindas a todos, entregando jalecos, crocs, crachás e kits de papelaria. Havia um clima de alegria no ar, como se todos compartilhassem de um mesmo sonho se tornando real.

Entre os corredores brancos e cheios de novas possibilidades, o doutor Mijae, ainda se adaptando ao ambiente, caminhava com curiosidade. Seus passos a levaram até a recepção, onde avistou uma jovem beta com uniforme azul-claro organizando pranchetas.

— Com licença… — disse Mijae com um sorriso gentil. — Você trabalha aqui?

— Sim, senhora! Sou Anette, auxiliar administrativa. Em que posso ajudar?

— Estava me perguntando… — Mijae olhou em volta. — Por que construir um hospital tão bem equipado numa cidade tão pequena?

Anette sorriu com orgulho, o brilho nos olhos revelando o quanto aquela pergunta a deixava feliz de responder.

— Porque ele vai atender também mais três cidades vizinhas e vários vilarejos nas montanhas. Gente que, antes, precisava viajar horas pra um atendimento básico. — Ela apertou contra o peito um caderno novo com o logotipo do hospital. — Esse lugar vai mudar vidas.

— Que lindo… — Mijae comentou, sinceramente tocado.

Enquanto isso, do outro lado do corredor, um grupo se reunia rindo alto. Entre eles, o enfermeiro Houp, com seu jaleco dobrado nos braços, saltitava de entusiasmo.

— Olha isso! Até meu nome bordado! — ele exclamava, exibindo o jaleco como um troféu. — Agora eu sou um enfermeiro de hospital novo em folha, minha gente!

— Vai parar de pular algum dia, Houp? — brincou uma das técnicas de enfermagem.

— Só quando me colocarem numa maca! — ele respondeu, fazendo todos caírem na risada.

Hawn, que observava de longe, sorriu. Mas o que chamou sua atenção foi Dongae parado discretamente ao fundo, encostado na parede, observando Houp com um olhar distante.

Dongae parecia nostálgico. Houp, seu amigo de infância, ainda tinha o mesmo sorriso largo. Porém, desde que o ABO de ambos se manifestou, o destino os afastou. Não por vontade própria — mas pelas pressões, medos e preconceitos que aquela sociedade ainda carregava.

Naquele momento, Houp viu Dongae e acenou.

— Ei! Prefeito de preto! Achei que só usava terno na câmara!

Dongae deu um meio sorriso, acenando de volta. Mas antes que pudesse responder, Hawn surgiu ao seu lado.

— Ele ainda tem energia de sobra, hein?

— Sempre teve — disse Dongae, baixando o olhar por um segundo. — Mas acho que agora... é bom vê-lo feliz de novo.

 

Ao lado dele, Hawn pegou o microfone:

— Com licença… gostaria que todos prestassem atenção. Nosso prefeito tem algumas palavras a dizer antes do tour final.

Dongae ergueu o olhar, firme, e falou com uma voz grave, pausada, mas cheia de autoridade.

— Bem-vindos à nova fase da nossa cidade. Hoje não estamos apenas entregando um hospital. Estamos construindo um novo símbolo de cuidado, responsabilidade e respeito entre todos os ABOs.

Olhou ao redor com seriedade.

— Em nosso território, o respeito aos ômegas e betas não é uma sugestão. É lei. Não aceitaremos nenhuma forma de abuso, preconceito ou violência. Estupros, assédios ou qualquer tentativa de ferir ou invadir o espaço de alguém — seja ômega, beta ou mesmo outro alfa — serão punidos com o máximo rigor.

Um silêncio reverente tomou o lugar.

— Esta cidade é vigiada por câmeras em todas as áreas públicas e setores comuns. Não para oprimir, mas para proteger. Não estou apenas defendendo os betas e ômegas — eu sou um alfa dominante e sei muito bem do que somos capazes, tanto para o bem... quanto para o mal. Por isso, aqui, usamos nossa força para proteger. Não para dominar.

Alguns alfas no fundo desviaram o olhar. Mas muitos assentiram, respeitosos.

— Também quero lembrá-los de nossas diretrizes profissionais: alfas atendem alfas. Ômegas atendem ômegas. E betas, preferencialmente, ficam nos setores mistos. Essa regra evita exposições desnecessárias a feromônios durante o atendimento clínico. Todos terão privacidade e segurança, e aqueles que forem passar por cio ou rüt devem procurar abrigo fora das dependências do hospital.

Hawn, ao lado, completou com bom humor:

— Inclusive, temos um motel no final da cidade. Discrição total e paredes com isolamento de última geração. — Algumas risadinhas ecoaram pelo salão.

Dongae ergueu uma mão.

— Agora, vamos iniciar o tour. Como todos sabem, apenas um setor atenderá todos os ABOs: a pediatria. Afinal, crianças ainda não possuem diferenciação ativa. Por isso, quero chamar à frente o pediatra responsável...

Hawn olhou para a lista.

— Sion, por favor.

Sion, hesitante, deu um passo à frente. Sentia os olhos sobre si como lanças, mas engoliu seco e andou com passos tímidos. Dongae observou. E, sem nem perceber, seus olhos suavizaram ao ver o brilho de maravilhado crescendo no rosto de Sion.

A ala pediátrica era um verdadeiro sonho: corredores com cores suaves, uma brinquedoteca com piso emborrachado e estantes de livros, murais pintados à mão, uma enfermaria infantil equipada, consultórios com móveis baixos e temáticos.

Sion, ao abrir a porta do seu consultório, ficou em silêncio por alguns segundos. Era tudo tão... acolhedor. Seguro. Pela primeira vez em muito tempo, sentiu que realmente pertencia a algum lugar.

Um sorriso largo escapou de seus lábios. Dongae, sem perceber, sorriu também.

Hawn, que caminhava logo atrás, notou e murmurou mentalmente, surpreso:

“Eu nunca vi ele sorrir assim...”

Depois do pediatra, o grupo seguiu para a ala da geriatria. Mijae os guiava com dois senhores idosos ao lado, que pareciam ainda mais animados que ele.

— Esse aqui é o seu Dionísio, que já me adotou como neto, e o senhor Takeshi, que jura que vai ser meu assistente!

— Só se você me deixar comer uma coxinha por dia, doutor! — brincou Takeshi.

— Tá anotado no plano de tratamento — respondeu Mijae rindo.

O consultório de geriatria era calmo, com poltronas confortáveis, barras de apoio em todos os cantos, iluminação suave e uma pequena sala de espera com mesa de chá e jogos de tabuleiro.

Mijae abriu os braços, emocionado.

— Isso aqui é um pedaço do céu. Nem acredito que vou trabalhar num lugar assim…

As lágrimas estavam ali, prestes a cair.

— Bora continuar o tour? — disse Hawn, tocando seu ombro. — Próxima parada: ginecologia.

O grupo seguiu pelos corredores largos até chegarem à ala da ginecologia. As placas de vidro fosco indicavam claramente: GINECOLOGIA – ALFA de um lado e GINECOLOGIA – ÔMEGA/BETA do outro. Dongae parou diante da entrada da ala dos alfas, e Hawn anunciou com seu habitual entusiasmo:

— Agora, apresento a vocês a ala ginecológica destinada às pacientes alfas.

As portas se abriram automaticamente, revelando um ambiente refinado, com linhas retas, detalhes metálicos e cores sóbrias — predominavam o cinza-chumbo, dourado envelhecido e marrom café. Cada consultório parecia ter sido tirado de uma revista de arquitetura de luxo: cadeiras de couro, madeira escura polida, iluminação embutida quente, quadros abstratos e equipamentos de ponta.

Era imponente. Forte. Uma representação perfeita da identidade dos alfas — poder, presença, precisão.

Togan, um alfa alto, com expressão constantemente aborrecida, cruzou os braços diante da entrada. Era conhecido por reclamar desde o primeiro dia de seleção.

— Que perda de tempo… Eu nem queria ficar nesse fim de mundo — murmurava sempre.

Mas, ao adentrar o corredor, ele estacou. Os olhos percorreram cada detalhe: as salas amplas, o consultório com piso de pedra polida, os armários embutidos, a poltrona de exame de última geração com tecnologia automatizada, a tela de diagnóstico suspensa no teto…

E então, um sorriso brotou — lento, quase infantil.

— ... Isso aqui é a minha cara — disse, girando em torno de si mesmo, os olhos brilhando. — Eu não vou sair mais daqui! Que hospital é esse? Quem fez esse design sabia exatamente o que um alfa respeita: excelência.

Hawn soltou uma risada curta e virou-se para Dongae.

— Acho que acabamos de salvar mais um desertor.

Dongae manteve o semblante firme, mas houve um leve erguer de canto de lábio. Um segundo sorriso no mesmo dia.

— Fico feliz que tenha gostado, doutor Togan. Espero que o ambiente o inspire a cuidar das suas pacientes com tanto entusiasmo quanto demonstrou agora.

Togan assentiu, sério.

— Pode deixar, prefeito. Aqui eu me encontrei.

O grupo seguiu em frente, agora caminhando para a ala ginecológica de ômega e beta, muito diferente da anterior: mais acolhedora, com tons pastéis, aromas suaves, almofadas, luminárias de chão e detalhes florais nas paredes. 

 

Após a visita pela ala ginecológica ômega/beta, repleta de detalhes suaves e uma atmosfera acolhedora — com cortinas translúcidas, cadeiras estofadas com tecidos delicados, plantas naturais em cada canto e uma iluminação suave que lembrava o pôr do sol —, o grupo retornou ao hall principal.

Hawn subiu novamente no pequeno palco, o mesmo usado no início da manhã, com um sorriso vibrante e a voz firme que todos já reconheciam como símbolo de liderança e organização.

— Quero agradecer a todos pela presença e colaboração durante essa jornada — disse ele, com as mãos firmemente apoiadas no microfone. — Cada sala, cada detalhe, cada ala foi pensada com respeito e carinho por vocês, e principalmente pelos pacientes que virão em busca de cuidado, acolhimento e confiança.

Ele olhou ao redor, encarando médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares com respeito.

— Amanhã é o grande dia. A inauguração oficial do nosso hospital. Estaremos recebendo não só os cidadãos da nossa cidade, mas também das três cidades vizinhas e dos vilarejos das montanhas. Por isso, tudo deve estar impecável. Consultórios organizados, uniformes alinhados, e o mais importante: energia positiva e profissionalismo.

Fez uma breve pausa e prosseguiu:

— Lembrem-se das nossas diretrizes. Cuidado com os feromônios, especialmente durante cios e rüts. Temos alas separadas e regras para preservar o bem-estar e a saúde emocional de todos. Ninguém está aqui para competir. Estamos aqui para servir. Para proteger. Para curar.

Seu olhar pousou sobre Dongae, que estava ao lado do palco, sério, mas atento. Hawn então finalizou:

— Eu e o prefeito Dongae confiamos em vocês. Amanhã, todos devem estar prontos e radiantes. Este hospital será um símbolo de progresso, de união entre ABOs, e de respeito mútuo.

Então ele sorriu mais uma vez, e com um aceno firme, concluiu:

— Agora, podem ir. Descansem. Organizem tudo. E estejam aqui, amanhã às sete em ponto, vestidos com seus jalecos, crocs, crachás... e com o coração cheio de propósito. Até lá!

O grupo aplaudiu com empolgação. Alguns se abraçaram, outros foram direto ajeitar seus consultórios. No canto do salão, Dongae cruzou os braços observando a movimentação, satisfeito — mas discreto, como sempre.

Hawn desceu do palco e se aproximou de Dongae.

— E aí, o que achou? — perguntou, baixinho.

— Eles vão se sair bem — respondeu Dongae. — E o hospital também. Amanhã… começa uma nova fase. 

A noite caía suave sobre a pequena cidade, e as luzes do hospital recém-construído brilhavam à distância como um farol de esperança. Na kitnet confortável de Mijae, o som baixo de uma música ambiente preenchia o ar enquanto ele e Sion se sentavam no chão, cada um com uma latinha de bebida na mão.

— Ufa… — suspirou Mijae, encostando a cabeça na parede. — Foi um dia e tanto, né?

Sion deu um sorrisinho discreto, observando a espuma subir na sua latinha. — Com certeza. Ainda não acredito que aquele consultório é meu.

— E você viu a brinquedoteca? E as poltronas da sala de espera? Até eu queria ser atendido por você — riu Mijae.

Sion balançou a cabeça, rindo baixinho.

— Mas falando sério agora… — Mijae virou-se para o amigo, os olhos brilhando de empolgação e um pouco de bebida. — Eu tenho que dizer… o prefeito Dongae… ele é lindo, né? Aquela postura, aquela voz firme… Mas confesso… Hawn… Hawn é mais o meu tipo.

Sion arqueou uma sobrancelha, curioso.

— Hawn?

— É! Ele é mais animado, mais próximo das pessoas, tem aquele sorriso… E você? — Mijae deu uma cutucadinha no braço de Sion, curioso como sempre. — Gostou de alguém? Vai me dizer que aquele monte de alfas bonitos não mexeu com você?

Sion ficou em silêncio por alguns segundos, olhando para a bebida em sua mão. Depois, soltou um leve suspiro.

— Pra ser sincero, eu não quero ninguém. Muito menos um alfa.

Mijae piscou, surpreso com a sinceridade do amigo.

— Nossa… você falou isso com uma firmeza…

— Eu só quero paz — continuou Sion, olhando para o teto. — Quero focar no meu trabalho, nas crianças que vou atender. Minha vida amorosa… é algo que prefiro deixar pra depois. Ou nunca.

Houve um silêncio suave entre os dois. Mijae respeitou o espaço do amigo, mas não deixou de sorrir com carinho.

— Tudo bem. Eu entendo. Mas se algum dia quiser conversar sobre isso… ou mudar de ideia… sabe onde me encontrar, né?

Sion sorriu de leve, tocado pela gentileza de Mijae.

— Claro que sei.

Eles brindaram de leve, suas latinhas fazendo um pequeno "tchim", e ficaram ali, olhando pela pequena janela da kitnet, onde a lua surgia alta no céu, abençoando silenciosamente o recomeço de ambos. 

arquiteksampaio
Kayxo Say

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