Manhã da Inauguração – Hospital Aurora das Montanhas
O sol mal havia despontado, e o pátio em frente ao hospital já estava repleto de convidados. Um palco decorado com flores campestres e uma grande faixa branca com letras douradas anunciava: "Inauguração Oficial do Hospital Aurora das Montanhas".
Funcionários estavam impecavelmente vestidos, de jalecos recém-passados, crocs limpos e olhares ansiosos. Hawn passava entre eles com seu tradicional tablet em mãos, dando toques finais, ajeitando flores, cochichando orientações.
— Lembrem-se, sorrisos, postura, e nada de feromônios soltos por aí — disse com um meio sorriso, fazendo alguns omegas e alfas rirem baixinho.
As autoridades começaram a chegar. Carros com placas de outras cidades estacionavam em frente ao hospital, seguidos por empresários bem vestidos e figuras políticas conhecidas das redondezas. Do lado direito do palco, uma pequena área VIP foi reservada. Nela, estavam sentados os prefeitos de três cidades vizinhas e representantes de grandes empresas de Seul — empresas que haviam feito doações significativas para o hospital, mesmo sem que a maioria dos moradores soubesse o porquê.
Eles trocaram olhares cúmplices entre si, mas ninguém mencionou o motivo real daquelas doações: Dongae.
Herdeiro de um poderoso conglomerado empresarial, Dongae havia abandonado a capital anos atrás, desaparecendo dos holofotes. Os mais velhos da cidade, que conheciam sua origem, mantinham o segredo por respeito — e talvez por medo da força que sabiam que ele escondia.
Logo, Hawn subiu ao palco, ajeitando o microfone com firmeza.
— Bom dia a todos! É com imensa alegria que damos início à inauguração deste hospital, um sonho realizado não só para nossa cidade, mas para toda a região! — disse com a voz clara e firme, arrancando aplausos.
— Agora, convido ao palco o prefeito Dongae, que será responsável por conduzir o discurso principal — anunciou, com uma reverência respeitosa.
Dongae subiu os degraus com a postura de quem carregava o peso e o orgulho de um recomeço. Vestia um terno escuro elegante, mas sem ostentação. Seu olhar percorria a multidão com seriedade, mas havia ali um brilho contido. Hawn se afastou um passo, atento, percebendo como a presença de Dongae fazia até o vento parecer mais respeitoso.
Discurso de Dongae:
— Obrigado a todos por estarem aqui. Hoje é um dia histórico para nossa cidade. Este hospital não é apenas concreto, tijolos e tecnologia. É um símbolo de esperança, acolhimento e proteção.
Ele fez uma pausa, olhando brevemente para Sion entre os funcionários, e depois para Mijae, que acompanhava seus idosos com ternura.
— Aqui, cada ser humano importa. Cada beta, cada ômega, cada alfa. Somos diferentes, sim. Mas ninguém é superior. E, por isso, algumas regras são claras. Nosso hospital possui alas separadas para garantir conforto durante cios e rüts. Feromônios serão monitorados. O respeito é a base da convivência.
Seu tom ficou mais firme.
— Em nossa cidade, não aceitamos violência, assédio ou qualquer tipo de abuso. Estupro é crime, independente de quem cometa, e será tratado com a severidade que merece. O hospital e a cidade estão repletos de câmeras. Elas não são vigilância. São proteção.
Ele respirou fundo.
— Digo isso não como prefeito. Digo como alfa dominante. Sei do que somos capazes. Sei do que devemos nos proteger. E por isso, reafirmo meu compromisso com todos vocês.
Um silêncio reverente se espalhou pelo pátio. Muitos estavam emocionados. As câmeras capturavam cada palavra, cada olhar.
— Agora, com orgulho, anuncio que nosso hospital está oficialmente… inaugurado.
Os aplausos explodiram, as fitas foram cortadas, e os balões brancos e dourados foram soltos no céu.
Dongae, ao descer do palco, cruzou olhares com empresários de Seul. Um deles, um senhor de cabelos grisalhos, sussurrou ao passar:
— Seu pai estaria orgulhoso, Dongae.
Ele apenas assentiu com um leve aceno, sem revelar sua identidade aos outros.
Enquanto isso, Hawn sorria com orgulho, e Sion — ainda com os olhos brilhando — tocava com carinho a maçaneta do consultório infantil, o coração batendo rápido sem saber se era pela conquista... ou por alguém.
Mijae olhava para Hawn de longe e murmurava:
— Definitivamente, é o meu tipo.
E assim, a inauguração do hospital não só marcou um novo começo para a cidade, mas também o início silencioso de sentimentos, reencontros e segredos prestes a virem à tona.
Após a cerimônia de inauguração – Tour com autoridades
Dongae conduzia o grupo seleto pelas alas do hospital, mantendo sua postura firme e serena. Prefeitos das cidades vizinhas e empresários de Seul caminhavam ao seu lado, atentos aos detalhes, impressionados com cada espaço.
— Esta é a ala pediátrica. Nosso pediatra, Dr. Sion, cuidará de todas as crianças, já que elas ainda não possuem classificação ABO — explicou ele, mantendo o tom profissional.
Os convidados acenavam, admirando a brinquedoteca, a enfermaria infantil com tons suaves e os equipamentos de ponta.
Passaram rapidamente pela ala ginecológica, onde Togan, o alfa responsável, conversava com uma enfermeira com um brilho nos olhos. Depois seguiram pela ala cirúrgica, a UTI moderna, o centro de pesquisas e o andar de repouso com quartos individuais climatizados, onde feromônios seriam regulados automaticamente.
O sistema era impressionante.
Na saída do hospital, já sob o pórtico principal, todos se agruparam em frente ao letreiro recém-instalado. Um dos empresários se aproximou e apertou a mão de Dongae com força.
— Prefeito Dongae… parabéns. O hospital é excepcional. A estrutura, os profissionais… e esse método de dividir o atendimento entre ABOs… é revolucionário.
Um dos prefeitos complementou:
— Já vi muitos casos de omegas violentados durante atendimentos médicos por alfas. Omegas que engravidaram, que foram traumatizados pra sempre. A sua ideia de ômega atender ômega e alfa com alfa é brilhante. De onde tirou isso?
Dongae os encarou por um instante. Poderia dizer a verdade. Poderia contar sobre o que havia presenciado em sua antiga vida, ou sobre as reações involuntárias que causava como alfa dominante extremo, mas escolheu a diplomacia.
Ele não respondeu de imediato. Apenas encarou os rostos atentos à sua volta e pensou, em silêncio: “Foi algo que pensei por conta própria… Como alfa, sei o quanto nossos feromônios podem afetar ambientes e pessoas. No meu caso, um único deslize seria suficiente para induzir cios e rüts involuntários.”
—Este sistema é mais seguro para todos, especialmente para os pacientes.
— Genial — comentou um dos empresários. — A sociedade precisa de líderes assim. Obrigado por nos permitir fazer parte disso.
— Daremos apoio contínuo — garantiu outro prefeito.
Aos poucos, os carros começaram a sair, um a um. Cada autoridade se despedia com respeito, alguns até com reverência contida. O último a sair foi o senhor grisalho de Seul, que apenas deu um aceno silencioso antes de entrar em seu carro.
O pátio ficou vazio. O sol agora aquecia suavemente as montanhas ao redor.
Dongae ficou sozinho.
Caminhou devagar de volta até a entrada do hospital. Passou os dedos pela letra D do letreiro dourado e suspirou fundo. O silêncio o envolveu como um velho amigo.
Ali, no topo das montanhas, com seu hospital recém-inaugurado, Dongae sentia pela primeira vez em muito tempo... paz.
Mas no fundo de seu peito, algo latejava. Um pressentimento. Como se aquele fosse apenas o primeiro passo de uma jornada ainda mais profunda — e talvez mais perigosa.

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