— Hawn! — Mijae chamou, com aquele tom despreocupado e sedutor de quem sabia exatamente o efeito que causava.
Hawn parou e se virou, erguendo uma sobrancelha. — Oi, Dr. Mijae. Tudo certo por aqui?
— Tudo ótimo agora — respondeu ele, dando uma olhada nada sutil de cima a baixo. — Você sempre vem assim, todo alinhado e perfumado, ou é só quando sabe que vai me ver?
Hawn soltou um riso nasal. — Você é sempre assim direto ou hoje tá inspirado?
— Eu não gosto de perder tempo. Se vejo algo bonito, elogio. Se quero algo, digo. A vida já é complicada demais pra joguinho, não acha?
— Hm... filosófico. Mas e se o algo bonito não estiver disponível?
Mijae deu dois passos à frente, agora a poucos centímetros dele. — Eu não tô propondo casamento. Só tô dizendo que seria um desperdício a gente fingir que essa tensão não existe.
Hawn sustentou o olhar dele por um segundo a mais do que deveria, depois desviou com um sorriso discreto. — Cuida dos teus velhinhos, Dr. Mijae.
— Pode deixar... Mas quando quiser deixar de ser o secretário exemplar por uma noite, você sabe onde me encontrar.
Mijae piscou com malícia e saiu com um leve rebolado, deixando Hawn parado no corredor, sorrindo e balançando a cabeça em silêncio. No mesmo instante o prefeito anda pelo o hospital e vai em direção a ala pediatrica.
Dongae adentrou o consultório com a postura altiva de sempre, vestindo uma camisa social clara que contrastava com sua pele impecável e os cabelos bem arrumados. O blazer escuro delineava ainda mais seus ombros largos. Mas por dentro, algo estava fora de controle.
Sion olhou para ele com surpresa e um leve sorriso.
— "Prefeito... aconteceu alguma coisa?" — perguntou, empurrando os papéis para o lado da mesa. — "Os pacientes estão bem?"
— "Sim, tudo tranquilo. Só passei pra ver se precisa de algo. Equipamentos, remédios... qualquer coisa."
Sion ergueu uma sobrancelha, desconfiado.
— "Você nunca vem perguntar isso pessoalmente..." — ele riu levemente. — "Tem certeza que está bem?"
Antes que Dongae pudesse responder, uma onda de calor o atravessou. Ele vacilou, segurando a lateral da mesa.
— "Droga..."
Sion o levantou imediatamente.
— "Você tá pálido. O que está sentindo? Dor de cabeça? Tontura?"
Dongae fechou os olhos com força. A voz do lobo voltou, mais alta do que nunca.
— "Ele está aqui... ele é nosso. O cheiro dele... nos acalma... mas também nos enlouquece."
— "Cala a boca..." — murmurou baixo, e Sion arregalou os olhos.
— "Sr. Dongae?"
O prefeito ergueu o rosto lentamente. Seus olhos estavam completamente pretos, consumidos pelo lobo.
— "Calma..." — disse com a voz grave, profunda. — "Eu não vou machucar você."
Sion hesitou. O instinto de fugir gritou em seu corpo, mas ele ficou. Algo dentro dele sussurrava que Dongae não era uma ameaça. Que havia algo ali... algo familiar.
— "Deita na maca, vou te aplicar um calmante. Você está em crise."
— "Você... você é tão perfeito." — Dongae murmurou, tonto, enquanto se deixava conduzir até a maca. — "Esse cheiro... é perfeito."
Sion sentiu o corpo estremecer, mas manteve a firmeza. Aplicou a injeção no braço musculoso de Dongae com cuidado, observando a respiração dele desacelerar. O prefeito suspirou, os olhos ainda escuros, mas suavizando.
— "Nosso..." — sussurrou ele antes de apagar.
Sion deu um passo para trás, ofegante. O coração batia forte no peito. Estava assustado. Confuso. E, mais do que tudo, mexido.
— "O que foi isso? Ele... ele me sentiu? Mas por quê... por que eu não consegui sair correndo antes?"
O lobo de Dongae não tentou feri-lo. Ao contrário, parecia... carente. Como se estivesse o reconhecendo.
Sem pensar duas vezes, Sion pegou o jaleco, olhou mais uma vez para Dongae desacordado e saiu correndo do consultório, com o peito apertado.

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