Mijae (pensando, jogado na poltrona da sala de descanso do hospital).
"Será que esse homem é imune ao charme de um ômega? Ou sou eu que estou ficando enferrujado?"
Mas ele não era do tipo que desistia fácil. E ao lembrar que seu cio estava a poucos dias de acontecer, uma ideia ousada tomou conta da mente dele.
Se Hawn não entendia indiretas… então ele ia mandar a direta mais direta possível.
Naquela mesma tarde, Mijae o encontrou no corredor, com a prancheta debaixo do braço e aquele terno que deixava os músculos de Hawn ainda mais evidentes. Ele respirou fundo, endireitou os ombros e foi direto ao ponto.
— Hawn.
— Oi, Mijae — disse o alfa com aquele tom calmo, como se nada no mundo o abalasse.
— Você está livre depois do expediente? — Mijae perguntou, encarando-o com aquele sorriso de canto que só usava quando queria algo.
Hawn ergueu uma sobrancelha, desconfiado.
— Por quê?
— Quero tomar um café com você. E conversar. Tenho um pedido… um pouco incomum — ele disse, sem perder o charme.
— Meu cio está chegando. E eu pensei… que talvez você pudesse passar ele comigo.
Hawn ficou em silêncio por alguns segundos, sério. Depois respirou fundo.
— Mijae… você sabe que eu não gosto de me envolver assim. Não tô procurando compromisso com ninguém.
O ômega cruzou os braços, rindo de leve.
— E eu pareço alguém que tá querendo um buquê de flores e aliança? Eu só não quero passar meu cio com um estranho qualquer. E, se tem alguém nesse hospital que me atrai, é você. Só tô sendo honesto.
Hawn coçou a nuca, claramente desconcertado com a franqueza. Mas havia um leve rubor subindo por seu pescoço, e ele não desviou o olhar.
— Você é direto, hein…
— Sempre fui. Vai me dar um “sim”, ou vai continuar fingindo que não nota quando eu passo e seu olhar escapa?
Hawn soltou um riso breve, negando com a cabeça.
— Você é impossível, Dr. Mijae.
— E você é delicioso. Agora decide logo. Eu sou só um ômega com coragem — disse ele, piscando.
Hawn respirou fundo mais uma vez, pensativo… mas havia algo no olhar dele, naquele momento, que mostrava que o muro estava começando a rachar.
— Tudo bem. Um café. E a gente conversa.
Mijae sorriu vitorioso, como quem acaba de vencer uma guerra.
— Ótimo. Mas só aviso uma coisa… depois que provar, vai querer mais.
O café onde se encontraram era discreto, numa rua arborizada da cidade, onde o sol da tarde entrava pelas janelas amplas e iluminava os fios dourados do cabelo de Mijae. Ele estava especialmente bonito naquele dia — uma camisa de linho clara, os olhos brilhando com uma mistura de nervosismo e ousadia.
Hawn chegou com sua habitual postura firme e elegante, o corpo atlético bem vestido em uma camisa preta de manga dobrada, os músculos do antebraço visíveis, mas sutis. Seus olhos percorreram o ambiente até encontrarem Mijae, e uma pequena curva se formou no canto de sua boca ao vê-lo.
— Achei que ia desistir — disse Mijae, tentando parecer casual, mas com o coração acelerado.
— Quase desisti — respondeu Hawn com honestidade. — Mas algo em você me faz reconsiderar.
Eles conversaram por quase uma hora, os temas variando entre piadas rápidas de Mijae e as respostas breves, mas afáveis de Hawn. Aos poucos, o clima foi se aquecendo. Mijae então falou com a franqueza que lhe era típica:
— Meu cio começa daqui a três dias. E eu... queria que fosse com você. Mas não vou mentir, Hawn. Eu gosto de você. Só que não quero que pense que tô tentando te prender, tá?
Hawn apoiou os braços na mesa, aproximando-se um pouco, a expressão séria e controlada.
— Eu não faço esse tipo de coisa com frequência. Você é direto, e eu respeito isso. Mas preciso deixar claro: isso não é um compromisso. Vai ser só uma vez.
Mijae respirou fundo, assentindo.
— Uma vez... é melhor do que nunca.
Eles combinaram tudo ali mesmo — horário, local, regras. Mijae iria até a casa de Hawn, uma residência afastada no alto de um morro, com privacidade e segurança o suficiente para lidar com um cio intenso. Hawn prepararia o ambiente com tudo necessário: inibidores extras, alimentos, roupas leves. Queria estar pronto, mesmo que tivesse dito que seria apenas uma noite.
Quando se despediram, Hawn segurou o queixo de Mijae com firmeza e disse, com os olhos cravados nos dele:
— Não se iluda, Mijae. Eu não sou o tipo que entrega o coração. Mas... vou cuidar de você enquanto estiver comigo.
Mijae sorriu com malícia e respondeu baixinho:
— E eu vou fazer você se arrepender de dizer que é só uma vez.

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