Dongae estava o evitando. Já fazia dias.
Sion suspirou fundo, se levantou e foi até a cozinha, mais por impulso do que por fome. Pegou uma garrafa de água, mas a deixou sobre a bancada logo em seguida. Aquilo estava lhe corroendo. O silêncio, a distância, e principalmente... a dúvida.
Sem pensar muito, digitou rápido no celular:
"Pode vir aqui? Preciso conversar."
Mijae respondeu quase de imediato:
"Claro. Chego em 15 minutos."
Quinze minutos depois, Mijae entrou com seu jeito leve de sempre, mas bastou um olhar em Sion para entender que algo estava diferente.
— Nossa, o clima aqui tá mais pesado que centro cirúrgico, hein — disse, tentando quebrar a tensão com humor.
Sion esboçou um sorriso fraco e apontou para o sofá.
— Senta aí. Eu... preciso desabafar.
Mijae se sentou, ajeitando-se de lado para encará-lo melhor.
— O que aconteceu?
Houve um momento de silêncio. Sion parecia escolher as palavras com cuidado, como se revelá-las fosse também se despir.
— É sobre o Dongae — começou olhando para as próprias mãos. — Ele está me evitando. Eu não sei por quê. Desde aquele dia no hospital... ele simplesmente se afastou. Mal me olha. E... eu estou confuso, Mijae.
— Confuso como? — perguntou o amigo, mais sério agora.
Sion respirou fundo e, finalmente, levantou os olhos.
— Eu sempre admirei o Dongae... Mas ultimamente, tem sido mais do que isso. Eu me importo demais. Me preocupo demais. E quando ele some assim... parece que meu mundo sai do lugar.
Mijae o encarou, os olhos arregalados.
— Espera. Você tá me dizendo que... gosta dele?
Sion assentiu, com um sorriso tímido e triste.
— Eu não sei exatamente o que é, mas sinto que não é só amizade.
O silêncio pairou no ar por alguns segundos até Mijae balançar a cabeça, ainda surpreso.
— Cara... eu nunca soube disso. Tipo, nunca mesmo. Mas... isso explica tanta coisa.
Sion soltou uma risada abafada, um pouco aliviado por finalmente ter dito em voz alta.
— Você acha que eu devo procurá-lo?
— Com certeza. Ele pode estar lidando com algo também. E se você não falar... vai continuar carregando tudo sozinho. Não é justo contigo.
Sion ficou em silêncio por mais alguns segundos, olhando para o celular sobre a mesinha de centro. Sabia que tinha que fazer isso.
Talvez fosse hora de enfrentar o que quer que estivesse entre eles.

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