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Sob o Peso do Desejo

O medo tem Nome

O medo tem Nome

May 11, 2025

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Abuse - Physical and/or Emotional
  • •  Mental Health Topics
  • •  Sexual Content and/or Nudity
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aO café recém passado exalava um aroma suave, tentando, em vão, acalmar os pensamentos acelerados de Sion. Ele estava sentado em uma mesinha no canto da cafeteria próxima ao hospital, mexendo lentamente o conteúdo da xícara com a colher. A manhã estava nublada, e sua cabeça também.

"Talvez Mijae tenha razão..." pensava, encarando o vapor da bebida. "Talvez eu devesse mesmo procurar o Sr. Dongae."

Tão imerso estava em seus pensamentos que nem notou a sombra que se projetava sobre a mesa.

— E aí, docinho. Sozinho?

Sion se sobressaltou ao ouvir a voz grave e desrespeitosa. Ao levantar o olhar, seu estômago revirou. Era o Dr. Togan. Um alfa conhecido pelo talento na ginecologia, e por seu temperamento explosivo e... sua presença intimidadora. Bonito, sem dúvida. Mas era o tipo de beleza que vinha com espinhos — e veneno.

Sem pedir permissão, Togan puxou a cadeira em frente e se sentou.

 Sion permaneceu congelado, os olhos baixos, o corpo rígido, como se quisesse desaparecer.

— Você anda tão quietinho pelos corredores, ômega... — Togan começou, com um sorriso torto e um tom que misturava provocação e escárnio. — Sabia que isso me deixa ainda mais curioso? Eu gosto de coisas difíceis. E você parece bem... apetitoso quando tenta se esconder.

Sion engoliu seco. O café tremia levemente em suas mãos. Sentia o corpo gelar, o coração apertado. As palavras continuavam, cada vez mais ofensivas.

— Aposto que por trás desse jaleco todo sério, tem um corpinho que implora pra ser tocado. Aposto que você geme baixinho... submisso como deve ser. — Ele riu de forma baixa e maliciosa. — E olha, se quiser, posso te mostrar o que um alfa de verdade faz com um ômega delicado como você.

Sion apertou os olhos, tentando conter as lágrimas. O medo o paralisava. Não conseguia reagir. A vontade de correr era enorme, mas as pernas não obedeciam.

Foi então que, como uma brisa fresca rompendo o sufoco, a porta da cafeteria se abriu com um tilintar suave.

 A Senhora Kim, com sua sacola de pães, entrou sorridente — e, em um instante, seu sorriso se desfez ao ver a cena. O olhar dela pousou sobre Sion, e viu sua expressão encolhida, os olhos baixos, o tremor. Ela entendeu tudo.

Com passos firmes, se aproximou.

— Sion, querido — disse em voz alta, com firmeza doce. — Pode me acompanhar, por favor? Há um bebê na associação que precisa de atendimento. Estou com ele agora. Pode vir?

Sion se levantou num pulo, quase deixando a xícara cair.

 — Claro, Senhora Kim — disse, com a voz embargada, tentando esconder o alívio nos olhos marejados.

A Senhora Kim lançou um olhar gélido para Togan.

 — Me desculpe, doutor — disse com sarcasmo educado. — Vou precisar do Dr. Sion agora. Ele tem mais o que fazer.

Togan franziu os lábios, visivelmente irritado, mas permaneceu sentado.

Sion e a senhora Kim se afastaram rapidamente. Antes de sair, ela ainda ouviu Togan murmurar com raiva entre os dentes:

— Ainda te pego, seu ômega lindo... Deve ser uma delicinha. Vai me pagar por fugir assim.

Senhora Kim fechou a porta atrás deles com um suspiro pesado.

 Sion, do lado de fora, não conseguiu conter uma lágrima. A senhora o puxou para perto e disse baixinho:

— Ninguém vai te machucar enquanto eu estiver por perto, meu bem. Agora vamos respirar. Você está seguro.

Entra em uma sala de descanso vazia, afastada do movimento do hospital. Tinha preparado um chá quente com açúcar, como Sion sempre tomava quando estava nervoso. O ômega ainda tremia, as mãos apertando a caneca como se aquilo fosse a única coisa o mantendo no chão.

— Pode me contar tudo, Sion... você sabe que pode — disse Mijae suavemente, sentando-se ao lado dele e apoiando a mão em seu ombro.

Sion respirou fundo, tentando controlar a emoção na garganta.

— É o Dr. Togan... — começou, a voz baixa. — Ele está me perseguindo, Mijae. Já faz dias. Aparece do nada, senta comigo sem ser convidado, fala coisas nojentas... — ele fez uma pausa, o rosto corando de vergonha e raiva. — Me chama de "docinho", fala que eu seria "uma delícia"... e hoje... hoje ele falou coisas horríveis, ali na frente de todo mundo no refeitório e no café da praça hoje de manhã, a senhora Kim que me salvou.

Mijae arregalou os olhos, chocado.

— O quê?! Como assim ninguém fez nada?

Sion balançou a cabeça, os olhos marejados.

— Todos ouviram... mas ninguém quer se meter com ele. Ele é um alfa dominante todos tem medo dele no hospital, tem fama de difícil e... perigoso.

— Filho da... — Mijae se conteve, respirando fundo. — Esse cara é um lixo! E você não devia passar por isso sozinho. Por que não me contou antes?

— Eu fiquei com vergonha... e medo também. Eu pensei que talvez fosse exagero meu no começo, mas... ele não para Mijae. E eu fico travado, não consigo reagir... me sinto sujo, vulnerável. Como se... como se eu não tivesse saída.

Mijae segurou a mão de Sion com firmeza.

— Ei, olha pra mim. Você não está sujo. Você é uma das pessoas mais incríveis e puras que eu conheço. Quem está errado aqui é ele. E agora que você me contou, eu não vou deixar isso continuar. Vamos tomar providências, e eu vou ficar ao seu lado em cada passo.

Sion tentou sorrir, emocionado com a reação do amigo, mas ainda havia um pavor silencioso em seus olhos.

— Obrigado, Mijae... de verdade. Eu não sei o que faria sem você.

— Você não vai mais passar por isso sozinho. E esse canalha... não vai sair impune.

Sion estava revisando alguns prontuários na ala pediátrica quando Mijae entrou sorrindo, com aquele brilho travesso nos olhos que Sion já conhecia bem.

— Sion... preciso te contar uma coisa. — Mijae se aproximou e se sentou na poltrona ao lado.

Sion ergueu os olhos com uma expressão cansada, mas sorriu levemente.

— Hm? Conta.

— Eu vou ficar fora por uns três dias...

— O quê? Por quê? — Sion franziu o cenho, um pouco aflito.

Mijae riu baixinho, quase envergonhado.

— Eu... vou entrar no cio amanhã. E... bom... o mais lindo daqui — ele sussurrou com um sorriso maroto — o assistente do prefeito... o Hawn... aceitou passar comigo.

Sion arregalou os olhos.

— O Hawn?! Sério mesmo?

— Aham! — Mijae assentiu, todo empolgado. — E vai ser meu primeiro cio com alguém, sabe? Então... tô meio nervoso, mas feliz.

Sion soltou uma risadinha, apesar da notícia deixá-lo com o coração apertado.

— Estou feliz por você, de verdade. Mas... vou sentir sua falta. Você tem sido meu escudo esses dias.

— Eu sei, amigo... — Mijae segurou a mão dele com carinho. — Eu também tô com o coração apertado por te deixar sozinho. Mas olha, se precisar de qualquer coisa, me manda mensagem. E você não tá completamente sozinho, ok? O Hawn vai saber se algo estranho acontecer. Ele é leal ao Dongae, e eu confio nele.

Sion baixou os olhos por um momento.

— Mesmo assim... eu tenho medo. Sei que o Togan vai tentar algo de novo. Ele está só esperando a oportunidade certa.

Mijae apertou a mão dele com mais força.

— Então fique sempre com gente por perto, evite os cantos isolados, e... por favor, se algo acontecer, conta pra alguém. Principalmente pro Dongae. Mesmo que você não queira envolvê-lo... ele precisa saber.

Sion apenas assentiu em silêncio, o coração dividido entre medo e um sentimento mais confuso ainda envolvendo o prefeito.

— Promete que vai se cuidar também? — perguntou Sion, tentando sorrir.

— Prometo. — Mijae sorriu de volta. — E, olha... se o Hawn for tão bom no cio quanto é bonito, acho que vou ter três dias bem intensos. — Ele deu uma piscadinha e ambos riram, mesmo que discretamente. 

arquiteksampaio
Kayxo Say

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