Ryan chegou cedo, como de costume. Terno escuro, expressão fechada, postura impecável. O som dos sapatos ecoava pelos corredores de mármore da YunCorporation, mas o que realmente antecedia sua chegada era o cheiro — denso, marcante, instintivo. Um alfa dominante.
Ele passou pela recepção sem olhar para os lados. Todos o conheciam. E todos sabiam: não se atravessa o caminho de Ryan sem ter um bom motivo.
Subiu para o 43º andar — o único andar da empresa onde até o ar parecia obedecer às regras de Yun.
Yun estava de pé, diante da janela que tomava toda a parede de vidro, olhando para a cidade lá embaixo como se a possuísse. Na verdade, ele praticamente a possuía. Dono da YunCorporation, bilionário antes dos 30, e um ômega que fazia até alfas se curvarem de medo — ou desejo.
Sem virar-se, ele falou:
— Está atrasado três minutos.
Ryan trincou a mandíbula.
— Não havia trânsito — disse, com a voz grave. — Eu apenas quis ver se você ainda contava os segundos como um general.
Yun finalmente se virou, com um sorriso lento e perigoso em seus lábios.
— E você ainda me testa como se fosse um soldado rebelde.
Os olhos se encontraram. Intenso. Ardente. Nenhum dos dois piscava.
— A reunião de hoje é com investidores japoneses. Quero você ao meu lado, como sempre — disse Yun, voltando à sua mesa. Sentou-se com elegância. — Só não tente agir mais alto que eu, Ryan.
Ryan se aproximou até estar do outro lado da mesa. Seus olhos pareciam fixados.
— Talvez, senhor Yun, seja hora de alguém contestar quem está realmente no controle.
Por um instante, o ar pareceu estagnar.
Yun deu uma risada baixa, quase como um ronronar de provocação.
— Ah, Ryan... você é exatamente o tipo de encrenca que meu corpo não deveria querer. Pena que ele não concorda.
O telefone tocou. Reunião à vista. Máscaras voltaram para os rostos. Eles se recompuseram — profissionais, intocáveis.
Mas por dentro? Guerra. Desejo. E algo muito mais perigoso começava a brotar.
CONTINUA…

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