A sala de reuniões estava tomada por fragrâncias suaves e vozes contidas. Investidores japoneses alinhavam-se à mesa de vidro, cada movimento meticulosamente calculado, cada palavra medida com exatidão.
Yun entrou primeiro. A postura reta, o olhar afiado, o perfume cítrico e fresco que preenchia o ar com uma autoridade quase cruel. Seu terno de alfaiataria impecável parecia parte de sua própria pele — um escudo. Mas o que mais chamava atenção era a forma como ele entrava num ambiente: como quem não pedia permissão para existir.
Ryan veio logo atrás, silencioso como uma tempestade que se anuncia. Ele não usava perfume. Não precisava. O cheiro dele, instintivo e potente, invadia qualquer espaço e deixava os ômegas da sala em alerta — menos Yun. Ou, pelo menos, era o que ele fingia.
A reunião começou com saudações formais e apresentações calculadas. Yun mantinha seu olhar nos gráficos projetados, nos números, nas entrelinhas. Mas, de vez em quando, sem perceber, seus olhos desviavam até Ryan — que permanecia imóvel, mas atento, como um lobo.
Em um determinado momento, um dos investidores fez uma pergunta direta a Ryan, em japonês. Yun se virou, pronto para traduzir — mas Ryan respondeu com fluência perfeita.
O silêncio caiu por um segundo.
Yun arqueou a sobrancelha.
— Você fala japonês?
— Fluente desde os quinze — respondeu Ryan, sem tirar os olhos dos investidores. — Você não leu meu currículo direito, senhor Yun?
Um leve sorriso apareceu no canto da boca do ômega. Era raro. Mas um belo sorriso.
— Parece que não — ele disse em voz baixa.
Quando a reunião terminou, e os investidores saíram satisfeitos com promessas e contratos, o ar finalmente ficou melhor.
Yun estava de pé, próximo à janela novamente, quando Ryan se aproximou.
— Por que me mantém aqui? — ele perguntou. — Você é esperto demais pra manter alguém que vive te desafiando.
Yun não virou, mas sua voz veio firme:
— Porque gosto de perigo. E você... tem o cheiro exato da ruína que me atrai.
Ryan permaneceu em silêncio por um instante. Então, com um passo ousado, cruzou a linha invisível entre eles. Ficaram ainda mais próximos um do outro.
— Então diga, Yun — sua voz era grave, carregada — qual vai ser? Guerra ou rendição?
Yun encarou seus olhos.
— Vai depender de quem dispara primeiro.
CONTINUA…

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