Os dias após a reunião foram um campo minado de olhares silenciosos e provocações disfarçadas. Ryan e Yun seguiam sua rotina corporativa com a precisão de duas engrenagens potentes — mas por dentro, estavam em combustão lenta.
Naquela manhã, Yun chegou antes de todos. O escritório ainda estava meio escuro, e os passos ecoavam alto demais no silêncio.
Ele não disse a ninguém, mas a noite anterior foi tomada por sonhos confusos. Um corredor sem fim. O cheiro de Ryan. Um toque que nunca aconteceu, mas que sua pele parecia lembrar.
Ridículo, ele pensou, se sentando na própria cadeira com força. Você é um ômega dominante. Nada disso faz sentido.
Pouco tempo depois, Ryan entrou.
— Achei que eu era o obsessivo que chegava cedo demais — ele comentou, deixando a pasta sobre a mesa.
Yun apenas ergueu os olhos para ele, cansado demais para criar barreiras.
— Acordei. Decidi que era melhor trabalhar do que tentar fugir do próprio cérebro.
Ryan o observou em silêncio por alguns segundos a mais do que devia. Depois caminhou até a cafeteira e fez duas xícaras de café. Uma preta, forte. A outra com um traço exato de açúcar — como Yun gostava. Sem perguntar.
Yun arqueou a sobrancelha quando a xícara apareceu em sua frente.
— Está me vigiando agora?
— Estou te lendo — Ryan respondeu, sério. — Você é previsível quando tenta parecer impenetrável.
Yun riu, cansado.
— Isso foi uma tentativa de elogio?
— Foi uma confissão.
O silêncio caiu. Mas era o tipo de silêncio cheio. Vivo.
Ryan se aproximou devagar, encostando-se na lateral da mesa. Seus olhos encontraram os de Yun.
— Você está diferente.
— E você está mais perto do que deveria estar.
— Não estou falando só da distância física.
Yun segurou a xícara com força. Os dedos estavam trêmulos. E isso o enfureceu.
— Cuidado, Ryan. Está começando a soar como alguém que se importa.
— E se eu estiver?
Yun não soube responder. Pela primeira vez em anos, o controle escorregava entre seus dedos. E estranhamente... ele não queria recuperá-lo tão rápido assim.
CONTINUA...

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