— Prepare suas malas. Vamos para Tóquio amanhã cedo — disse Yun, sem levantar os olhos da tela.
Ryan piscou uma vez, surpreso.
— Você não envia ninguém do jurídico para esse tipo de negociação?
— Eu envio. Mas não quero advogados dessa vez. Quero você.
Ryan inclinou-se sobre a mesa.
— E o motivo real?
Yun levantou o olhar, firme.
— Porque você consegue manter CEOs arrogantes sob controle. E porque... talvez eu me sinta mais tranquilo quando você está por perto.
Silêncio.
Confissão demais para uma sala de reuniões, Ryan pensou. Mas não comentou. Apenas assentiu com um meio sorriso.
Tóquio:
Em Tóquio estava vibrando sob luzes e ruídos suaves. Após uma reunião longa e bem-sucedida, Yun e Ryan caminharam pela cidade à noite, deixando os seguranças e os papéis no hotel. O cheiro de yakisoba das barraquinhas de rua se misturava ao vento morno. Ambos estavam mais relaxados. Quase....
— Eu costumava vir aqui quando era trainee, sabia? — disse Yun, parando diante de uma vitrine com bonecos antigos. — Fugia da pressão. Fingir ser alguém forte o tempo todo... cansa sabe.
Ryan o observou em silêncio. Yun raramente falava assim. Quando falava, Ryan sentia que podia ver rachaduras na máscara de aço dele.
— Você ainda finge — respondeu. — Mas agora... eu vejo.
Yun virou o rosto para ele. E por um instante, as luzes da cidade pareciam longe demais. Tudo o que existia era o outro.
— E se eu não quiser mais fingir?
— Então para — disse Ryan, dando um passo à frente. — Mas saiba que se você desarmar, alguém vai querer te tocar de verdade, você sabe né?
A tensão entre eles era elétrica. Um olhar intenso, profundo, revelador. Mas Yun riu, desviando os olhos e quebrando o feitiço que estava acontecendo entre eles.
— Você fala como um poeta, Ryan. Algum dia ainda vai me fazer acreditar no que diz.
— E se eu quiser mais do que isso?
Yun respondeu com um olhar. Não com palavras. Mas foi o tipo de olhar que diz tudo. Desejo. Medo. Coragem. E um fio de esperança.
Naquela noite, dividiram o mesmo elevador. O mesmo andar. Quartos lado a lado.
E sonhos inquietos demais para ignorar por muito tempo.
CONTINUA...

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