A volta de Tóquio foi silenciosa. No jato particular, Yun manteve os olhos grudados na janela, e Ryan, mesmo ao lado, respeitou o espaço. Mas havia algo suspenso no ar — como se as palavras presas na noite anterior ainda ecoassem entre eles.
De volta à empresa, o mundo retomou sua velocidade habitual. Mas dentro deles, tudo parecia... lento. Tenso. E quente demais para ser ignorado.
Naquela sexta-feira, Yun ficou até mais tarde no escritório. Os andares já estavam vazios, mas ele permanecia ali, em silêncio, sentado diante de um relatório que não lia há quase meia hora.
Ele quase não ouviu a porta se abrir.
— Trouxe isso pra você — disse Ryan, entrando com uma sacola de papel e colocando-a sobre a mesa. — É do mesmo restaurante de udon que você gostou em Tóquio.
Yun ergueu os olhos. Cansados, sim, mas… surpreendidos.
— Você não precisava.
— Eu sei. Mas quis.
Ryan virou-se para ir embora, mas Yun falou antes:
— Fica.
Foi uma palavra só. Mas era um pedido raro. Um quase-sussurro vindo de alguém que não sabia nem mesmo pedir algo.
Ryan hesitou. E ficou.
Sentaram-se no chão do escritório, com a cidade inteira acesa do lado de fora, luzes brilhando como se a noite estivesse viva. Comeram em silêncio, lado a lado, os joelhos se tocando só às vezes, por acaso — ou não.
Em dado momento, Yun encostou a cabeça no ombro de Ryan. E não disse nada.
Ryan também não falou. Apenas permaneceu ali, firme, como se o mundo fosse mágico naquele momento.
— Eu tenho medo — Yun sussurrou, quase inaudível.
Ryan virou o rosto lentamente.
— De quê?
— De baixar a guarda e... gostar. Você me deixa de um jeito que não sei como lidar.
Ryan passou a mão com delicadeza pelos cabelos de Yun, afastando uma mecha do rosto. Não foi um beijo. Não foi um abraço.
Mas foi o toque que não aconteceu. E que ainda assim dizia tudo.
Ali, no silêncio começou algo que nenhum contrato poderia explicar.
CONTINUA...

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