O silêncio no quarto era grande, como se o tempo segurasse a respiração.
Kaito ainda tentava entender: aquilo era um sonho? Um delírio? Seus dedos apertavam os lençóis, sentindo o tecido — real demais para ser ilusão.
— Guardião? — repetiu em voz baixa, encarando o homem à sua frente.
Ryong levantou os olhos dourados, luminosos como o sol.
— Sim, senhor. Sou Ryong, seu guardião, esperamos seu retorno há séculos.
Kaito ergueu as sobrancelhas, confuso e cético.
— Esperaram...? Mas eu sou só.... Um ninguém.
Ryong avançou dois passos, a presença dele dominando o ambiente com uma aura quase palpável.
— O senhor é mais do que imagina. O selo de Obsidiana reapareceu no mundo com sua chegada. E ele pulsa em seu peito.
Instintivamente, Kaito puxou a gola da camisa. No centro do tórax, uma marca negra, retorcida como chamas, palpitava em sincronia com seu coração.
Ele recuou, assustado.
— O que é isso?
Ryong se aproximou e, com um gesto cuidadoso, ajoelhou-se diante da cama.
— A prova de que você renasceu como o Herdeiro do Eclipse.
Lá fora, trovões eram ouvidos mesmo com o céu claro. Um presságio. A magia antiga sentia o despertar daquele que poderia unir os dois mundos — ou despedaçá-los.
Kaito não sabia se acreditava. Mas ao olhar para Ryong, ajoelhado diante dele com lealdade incontestável e algo que parecia… ternura nos olhos, sentiu algo mexer dentro de si.
Um fio invisível os conectava. Frágil. Inquebrável.
E era só o começo.
CONTINUA...

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