O castelo de Ryurien erguia-se no horizonte como uma promessa antiga — torres de mármore escuro entrelaçadas com raízes vivas, sustentadas tanto por pedras quanto por magia. Kaito observava pela janela, os olhos perdidos naquela paisagem irreconhecível.
— Há quanto tempo... estou aqui? — perguntou.
Ryong, que preparava uma infusão com folhas azuladas que flutuavam sozinhas indo no bule, respondeu sem virar o rosto:
— Três luas desde que o senhor despertou.
Três luas. Kaito mal compreendia o tempo ali, mas seu corpo já havia mudado. A marca em seu peito agora brilhava às vezes — especialmente ao tocar Ryong.
— E por que você me chama de senhor?
Ryong pousou a bebida na mesa, os olhos dourados fixos nos seus.
— Porque minha alma está ligada à sua por um juramento feito antes do tempo ser contado. Porque seu sangue carrega o chamado dos Antigos. E porque... mesmo que meu coração lute contra isso, ele já o reconheceu.
Kaito sentiu o ar prender nos pulmões.
Antes que pudesse reagir, um estrondo fez o chão tremer. Do lado de fora, trombetas soaram. Um cavaleiro com armadura escarlate surgiu na porta, ofegante.
— Ryong! O Conselho Dragontino exige sua presença. O selo foi detectado... nas Montanhas de Cinza.
Ryong empalideceu. Seu olhar cruzou o de Kaito.
— Então eles já sabem — murmurou. — O mundo está despertando... e vão querer tomá-lo de você.
Kaito cerrou os punhos. Pela primeira vez desde a morte no beco, sentiu algo que parecia propósito.
Talvez tivesse sido um ninguém antes. Mas ali, naquele mundo onde magia vivia sob a pele e amor se escondia nas entrelinhas de velhos juramentos... ele não seria esquecido.
CONTINUA...

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