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O Renascimento Das Sombras

Capítulo 10 – O Valor de Um Sonho

Capítulo 10 – O Valor de Um Sonho

Jul 05, 2025

A noite era pesada e silenciosa no alto das árvores. Apenas o vento ousava sussurrar, como se até ele respeitasse a tensão que pairava ali.

Tibrok permanecia acordado, deitado de lado sobre a plataforma de folhas e galhos que haviam improvisado. Os olhos dourados e brilhantes fixavam o contorno de Grumak. O guerreiro roncava baixo, mas seu rosto não era de quem descansava. A testa franzida, o maxilar travado. Até dormindo, parecia pronto pra lutar.

Malias dormia do outro lado, enrolada no manto, com a expressão tranquila de quem estava exausta demais pra sonhar.

Tibrok observava tudo em silêncio. O brilho travesso que costumava habitar seus olhos havia sumido. No lugar, um vazio pensativo. Suas orelhas abaixadas. As patas dianteiras juntas, como se tentassem conter alguma coisa que insistia em escapar do peito.

Apoiou o queixo nas mãos e virou os olhos para a floresta abaixo.

Foi então que viu.

Olhos.

Laranjas. Brilhantes. Múltiplos.

Piscando entre galhos e troncos, surgindo e sumindo como espectros. Alguns pequenos, outros... grandes demais para a lógica. Silenciosos. Atentos. Caçadores.

Tibrok congelou.

O instinto Nok’vai explodiu dentro dele. Ele não respirou. Não se moveu. Só... ouviu.

E então se arrastou devagar até Grumak. Os movimentos precisos, cuidadosos como se uma folha errada pudesse denunciá-lo. Encolheu-se ao lado do guerreiro, os olhos arregalados.

— Eles ainda estão aí... rondando...

Grumak, mesmo dormindo, resmungou algo. Uma palavra única.

— ...Shiro...

O nome escapou entre os dentes cerrados, como um grito afogado num pesadelo. O braço dele se mexeu levemente, como se soubesse que alguém se aproximava.

Tibrok se encolheu ali, contra o peito do gigante, e sussurrou:

— Só por esta noite... vocês não vão me pegar.

A respiração dele aos poucos se acalmou. E pela primeira vez em muito tempo, Tibrok adormeceu sentindo-se... protegido.

O mundo onírico de Grumak era outro.

Estava num campo dourado, onde o vento carregava perfume de lavanda selvagem e o sol parecia gentil. Ele se ajoelhava ao lado de um riacho raso, a água fresca escorrendo pelas mãos, quando ouviu.

— Pai!

Era a voz dele.

Grumak se virou. E ali estava Shiro — pequeno, desajeitado, rindo alto, os braços abertos correndo em sua direção.

Grumak abriu os braços sem pensar. Quando o abraçou, sentiu o mundo inteiro se encaixar por um segundo.

— Senti sua falta, filho...

O garoto encostou a cabeça no ombro dele.

— Tô tentando, Shiro. Tentando fazer valer a pena. Tornar esse lugar seguro pra quando você voltar. Você... e aquele porquinho briguento.

Shiro riu baixinho.

— Você me ensinou direitinho.

O mundo começou a desbotar. O som dos risos virou vento. O calor, folhas farfalhando.

— Pai... você também precisa descansar.

E Grumak acordou.

Com um leve toque no ombro.

— Ei, gigante. O sol tá subindo. Hora de continuar a comédia que chamamos de missão.

Malias estava ajoelhada ao lado dele, os olhos meio fechados e os cabelos bagunçados pela noite. Atrás dela, a luz matinal já pintava os galhos de dourado pálido.

Tibrok dormia encostado nele, agarrado à manga da roupa como um filhote exausto.

Grumak passou a mão pelo rosto, afastando discretamente uma lágrima.

— Certo. Vamos terminar isso… antes que mais alguém me confunda com travesseiro.

— Pelo menos ele ronca menos que você — murmurou Malias, já se levantando.

Enquanto desmontavam o abrigo, a luz filtrava por entre as copas como véu sagrado. A névoa recuava, revelando formas de pedras antigas cobertas por musgo, como sentinelas esquecidas.

Tibrok despertou com um bocejo felino, espreguiçando-se inteiro.

— Essa foi, sem dúvida, a melhor noite de sono da minha vida — disse, sincero. — Não dormia assim desde... desde antes de tudo.

Grumak assentiu, ajustando a alça da bolsa nas costas.

— Já valeu a pena carregar você nas costas.

— E como forma de gratidão... — Tibrok levantou um dedo em pose dramática —, preparem-se para o desjejum Nok’vai. Realeza e loba rabugenta incluídos!

Desapareceu entre as folhas como uma sombra dançante.

— Ele te chamou de rabugenta — comentou Grumak, sem tirar os olhos do mapa.

— Ele não mentiu — resmungou Malias. — E você sabe que eu não funciono sem comida.

Minutos depois, Tibrok reapareceu com um cesto improvisado cheio de frutas de cores absurdas: azuis, púrpuras, translúcidas, algumas que pareciam uvas gordas, outras como nozes caramelizadas por fadas.

— Tesouro vegetal da floresta! Doces, nutritivas e com apenas 3% de chance de causar alucinação — brincou.

Malias pegou uma fruta azul translúcida. Parou.

O cheiro era doce. Familiar. Mas com algo a mais. Algo que a tocava fundo. Como uma lembrança que queria voltar.

Ela não mordeu.

— Eu... conheço isso — disse, quase um sussurro. — Já comi uma dessas. Mas não sei quando. Nem onde.

Ficou imóvel.

— Alguém me deu essa fruta. Com carinho. Como um presente... importante.

Tibrok parou de mastigar e olhou sério.

— Essa se chama Maeliri. Cresce apenas em clareiras Nok’vai. Dizem que guarda a essência da Vida. E que desperta... em quem tem alma conectada à natureza. Ou... à magia antiga.

Malias ficou quieta. Por instinto, guardou a Maeliri num bolso de couro na cintura. Sabia que ainda não era hora.

— Quando eu souber o momento certo... vou comê-la.

Ninguém a contestou.

Com os corpos saciados e as mochilas prontas, o trio se levantou.

Tibrok se esticou, batendo nas pernas como quem espanta a preguiça.

— Hoje a gente chega perto da clareira.

Malias afivelou o cinto e ajustou o arco.

— Se ele me atacar durante o café da manhã, juro que revido com uma flecha no focinho.

Grumak sorriu, ajustando a luva com um estalo metálico.

A floresta os esperava.

E dessa vez... ela sabia quem estava chegando.

A neblina rastejava como um véu entre as raízes. A floresta os envolvia em silêncio — não um silêncio vazio, mas o tipo que escuta. Que testa.

O trio seguia devagar, os pés tocando solo antigo. À frente, o mundo parecia diferente. Árvores imensas se curvavam como colunas de um templo vivo. Algumas tinham cascas com textura de escamas. Outras… olhos. Olhos fechados.

Malias sussurrou, tocando uma raiz que pulsava levemente:

— Isso aqui tá vivo demais pro meu gosto.

Tibrok andava à frente. Seus passos eram contidos, quase reverentes.

— Este é Narulen — disse. — Os Nok’vai chamam de Véu das Raízes. Aqui, o mundo dos espíritos toca o dos vivos. Nada é o que parece. Nada está sozinho.

Grumak sentia o peso do lugar. Não o tipo que ameaça — mas o que carrega eras. Lembranças velhas demais pra caber em palavras.

Ao cruzar um riacho raso, Malias escorregou numa pedra lisa. Quando olhou, viu algo gravado ali — um símbolo circular com espirais que lembravam raízes, com uma gota no centro.

— Grumak… olha isso.

Ele se aproximou, e antes que dissesse algo, Malias puxou a Maeliri do cinto.

Congelou.

— Ela... tá maior?

Antes cabia inteira na palma da mão. Agora tinha quase o tamanho de uma maçã. Os veios dourados estavam mais vivos. Respiravam.

— Isso é normal...? — perguntou, sem tirar os olhos da fruta.

Tibrok arregalou os olhos.

— Não. Isso só acontece quando a Maeliri reconhece um vínculo.

— Um vínculo com o quê?

— Com você.

Ela guardou a fruta, com um cuidado dobrado.

— Esse lugar… tá me chamando.

Ninguém discutiu.

Seguiram em silêncio, até chegarem à clareira. Um círculo de cinco pedras antigas, cobertas de musgo. Desgastadas pelo tempo, mas... presentes. Atentas.

Tibrok foi o primeiro a entrar. Sua voz veio baixa:

— Este é o Círculo das Vozes. Nenhuma sombra age aqui, desde que o ritual seja respeitado.

Ele tirou do cinto uma pequena bolsa e entregou a Grumak cinco pedras lisas. Brilhavam levemente, em tons âmbar e verde-musgo.

— Pedras do Veio-Interior — disse. — Elas só despertam se tocadas por alguém firme. Estável. Alguém como você.

Grumak não respondeu. Pegou as pedras. A cada uma que colocava entre os blocos maiores, sentia algo reagir. Quando colocou a quinta no centro, o chão pulsou sob seus pés. O ar tremeu. E uma leve brisa girou dentro do círculo — sem sair dele.

Uma barreira invisível erguia-se ali. Sólida. Viva.

— Funcionou — murmurou Grumak.

Tibrok sorriu, surpreso.

— Melhor do que eu esperava. Isso vai segurar qualquer ameaça por esta noite.

Malias se afastou devagar. A bolsa em sua cintura começou a aquecer.

Ela puxou a Maeliri. Agora tomava um tom alaranjado intenso. Como âmbar derretido. E parecia respirar. Como se estivesse... viva.

— Isso nunca aconteceu — disse Tibrok. — Ela tá reagindo a você. Como se a floresta tivesse te escolhido.

Malias encarou a fruta, sentindo uma vibração quente.

— Talvez seja assim que comece.

A noite caiu.

Mas dentro do círculo, a luz parecia respirar.

Malias deitou. Grumak ajustava a posição. Tibrok, inquieto, observava a floresta.

Foi ele quem viu primeiro — olhos laranjas entre os galhos. Silhuetas distorcidas, criaturas feitas de galhos, sombras e dentes demais.

— Eles chegaram… — sussurrou, se encolhendo atrás das pedras.

As criaturas circundavam o círculo. Algumas felinas, outras serpenteantes. Nenhuma cruzava a barreira. Rosnavam, bufavam, mas... não avançavam.

— São atraídas pela fruta — disse Tibrok. — Pela Maeliri.

E então, de repente, sumiram.

Não correram. Não recuaram.

Desapareceram.

O alívio durou pouco.

Porque então vieram os espectros.

Chamas vivas, olhos flamejantes, garras etéreas. Flutuavam entre os galhos, queimando a vegetação por onde passavam.

Tibrok gritou e correu pra Grumak.

— ELES VIRAM A GENTE! EU NÃO QUERO MORRER! EU TENHO UMA MISSÃO! EU NEM TERMIN—

— TIBROK! — rosnou Grumak. — Me solta! Você tá cravando os dentes no meu quadril!

— EU TENHO O TAMANHO DE UM PÃOZINHO! ISSO NÃO É JUSTO!

Malias já estava com o arco em mãos. A luz pálida brilhava nas pontas das flechas invocadas. Os espectros circulavam a barreira, mas não a tocavam... até um deles ousar. A garra atravessou o ar e encostou no campo mágico.

FWOOSH.

Uma onda azulada o repeliu como se tivesse encostado em uma muralha viva.

— Eles estão testando — disse Malias. — A barreira segura. Mas por quanto tempo?

Grumak ficou em pé. A luva elemental já fria, carregada.

— Se falhar, lutamos.

— Eu corro. Vocês distraem — murmurou Tibrok, ainda agarrado à perna dele.

A Maeliri de Malias pulsava. Quente. Viva. Como se reagisse ao perigo. Como se os afastasse.

Os espectros hesitaram. Depois recuaram.

E sumiram.

A barreira vibrou mais uma vez, como se suspirasse. E a floresta voltou ao silêncio.

Devagar, Tibrok largou Grumak e se escondeu atrás de uma pedra.

— Isso foi só a introdução? Porque eu prefiro a parte da fruta esquisita.

Mais tarde, com o círculo calmo, Grumak deitou. Tibrok, próximo. Os olhos fecharam. E ele sonhou.

Estava num campo dourado. Vento calmo. Silêncio.

No centro, Shiro.

Treinava com uma espada. Os movimentos eram precisos. Um ser alto, de aura azul-escura, o guiava. Tocava seu ombro, corrigia a postura.

Grumak chamou.

— Shiro...?

O menino olhou, sorriu.

— Tô crescendo, pai. Você me ensinou. E eu nunca parei de sentir você aí.

Atrás de Shiro, uma sombra imensa surgiu. Peluda, chifres reluzentes, olhos fechados. Imponente. Não hostil — mas ancestral.

Grumak quis correr até ele, mas acordou.

Com o peito apertado.

Mas... mais leve.

Malias estava acordada, sentada ao lado da Maeliri. A fruta brilhava com um tom alaranjado e veios dourados que agora se espalhavam pelo núcleo.

Ela encostou os dedos na casca.

E tudo escureceu.

Mas ela ainda sentia o chão, o ar. Só sua mente... viajou.

Estava em uma clareira dourada. No centro, uma mulher de pele escura e cabelos trançados. Vestia trajes cerimoniais. A mesma marca da pedra do riacho em seu colar.

— Você era nossa esperança... a flecha entre os mundos.

A voz não era som. Era presença.

A mulher caminhou até ela e estendeu a mão.

Nela, uma Maeliri totalmente dourada. Brilhante. Viva.

— Quando o momento chegar... você precisará lembrar. E escolher com o coração.

Tudo se dissolveu em partículas de luz.

Malias acordou. O som da floresta, o calor da fruta. O real.

Respiração acelerada. Mas não de medo.

De certeza.

Ela olhou para a Maeliri. Agora mais viva do que nunca.

Apertou-a contra o peito.

— Quando o momento chegar...

E naquele instante, mesmo cercados pelo mistério e o perigo do vale, estavam mais próximos do centro da verdade do que jamais estiveram.

E mais próximos de quem realmente são.

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Grumak era só mais um homem tentando sobreviver em um mundo que não dava trégua. Um lugar onde sobreviver era tudo, e amor... era quase um luxo. Entre batalhas, trabalhos sujos e noites vazias, ele mal conseguia tempo pra olhar nos olhos do próprio filho, quem dirá criar laços. O mundo moderno o engoliu cedo demais — e ele apenas seguiu endurecendo.

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Uma história de fantasia, paternidade, sacrifício e reconstrução.
Onde monstros são enfrentados com espada, mas também com o coração.
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