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A voz que chama por Emi

Capítulo 7 – Fragmentos Corrompidos

Capítulo 7 – Fragmentos Corrompidos

Dec 14, 2025


Seguimos Nakamura pelos corredores da delegacia. Ele andava à frente, com os ombros caídos e os fones de ouvido enterrados até a alma, como se o mundo ao redor fosse um incômodo secundário. O som abafado de alguma música eletrônica escapava pelas laterais dos fones — barulho demais para tão pouca utilidade. Porém, algo havia na sua expressão. Ele nitidamente estava tenso e suando um pouco, visivelmente nervoso.

A sala que ele chamava de “local de trabalho” era praticamente um ninho de cabos emaranhados, monitores piscando sem propósito e peças de computador jogadas como se estivessem em promoção. O lugar cheirava a café velho.

Nakamura tirou um dos fones com má vontade, virou-se para nós e disse:

— Isso aqui foi... estranho. Abri um arquivo no notebook da prefeita e o sistema travou por completo. Só uma imagem ficou na tela. E continua assim, não importa o que eu faça.

— Travou? Você apertou o quê, a tecla autodestruir? Por que só não reinicia essa droga de computador? — diz Yuki, com um suspiro impaciente.

— Tentei de tudo. Troquei o HD de máquina, revisei a BIOS, até fiz uma clonagem limpa... mas o sistema insiste em exibir só essa imagem. É como se o arquivo estivesse implantado em outro nível.

Ele girou o monitor. A tela mostrou uma imagem familiar — a prefeita, de braços abertos, sorrindo na inauguração de um orfanato. O "Asas do Amanhecer". Aquela mulher adorava parecer benevolente. Pelo menos diante das câmeras. Na imagem, ela estava rodeada de crianças, como se ela fosse quase uma santa. Mas aquilo sempre me passava uma sensação de superficialidade, como se a imagem dissesse que todos aqueles sorrisos não passavam de meros enfeites.

Eu lembrava também dessas imagens. Saíram nos jornais. Ela parecia tão orgulhosa. Uma das figuras mais envolvidas com crianças órfãs... pelo menos era isso que vendiam. Agora, o computador dela oferecia só isso — e a desculpa de que "tudo foi corrompido". Não entendo muito de informática, mas por que só fica abrindo essa imagem? Isso era estranho. É quase como se algo não quisesse que a gente continuasse. Mas isso deve ser só pensamentos bobos meus, talvez uma frustração invadindo minha mente.

Nakamura clicou em outra aba.

— Também analisei o celular dela. Quase tudo apagado... exceto uma troca de mensagens com um número sem identificação. Só isso me chamou atenção.-disse o Nakamura 

O diálogo era isso:

Desconhecido: Então vamos nos encontrar? Onde?  
Prefeita: No orfanato Asas do Amanhecer às 10, hoje à noite.  
Desconhecido: Ok, te encontro lá.

Nakamura virou a cadeira e completou, franzindo o cenho:

— Bom, o bizarro é que, nessa conversa, o orfanato já tinha fechado há pelo menos cinco anos. Pela própria prefeita.

Yuki ficou olhando para a tela em silêncio, depois virou-se para mim:

— Isso é realmente estranho. Será que era amante? Sabe como é... um romance proibido entre ela e um estagiário estrangeiro.

 —Você realmente gosta de inventar novela na cena do crime, né? Mas tudo bem... não vou descartar. Até romance pode esconder um cadáver. — respondo, coçando a cabeça, mais por hábito do que por dúvida real.

— Você é um velho muito sem graça. E então, pra onde vamos? Pra esposa do Takeuchi Masanori ou pro orfanato?

Fiquei em silêncio por um momento, encarando o monitor como se ele pudesse responder por mim.

— Pra esposa, com certeza.

— Por quê? — questiona Yuki.

— Takeuchi Masanori é a pista mais concreta que nós temos sobre a prefeita, as crianças e minha filha. Enquanto o orfanato... é tiro no escuro.

Yuki balança a cabeça em concordância. Nos despedimos de Nakamura e saímos pelos fundos da delegacia — a frente estava cercada pelos ratos da mídia, famintos por mais um cadáver político para transformar em espetáculo.

Entramos no carro dela. Assim que fechei a porta, o cheiro doce e agressivo de tutti-frutti invadiu meu nariz como um soco infantil — forte o bastante pra incomodar, fraco demais pra justificar um ataque.

Ela percebe.

— Tá achando ruim esse cheiro, por que não suas cachaças?

— Dirige logo antes que eu desista e vá a pé — resmungo, desviando o olhar.

— Olha aí a raivinha dele, vai chorar. Esse cheirinho de felicidade incomoda seu nariz sensível?

— Vai à merda, Yuki. E vamos logo.

Yuki ri. Um riso curto, leve, sem compromisso. E, por algum motivo que nem eu entendo, me deu vontade de rir também. Era uma bobagem. Mas, naquele instante, soou como uma pausa — uma trégua frágil na tempestade que, eu sabia, ainda estava por vir.
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Itsuki Haruma

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