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A voz que chama por Emi

Capítulo 11 – Só Restou a Promessa

Capítulo 11 – Só Restou a Promessa

Jan 11, 2026

This content is intended for mature audiences for the following reasons.

  • •  Blood/Gore
  • •  Mental Health Topics
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Yuki recebeu o laudo com o rosto tenso. Seus olhos varreram a tela com rapidez, mas também com cuidado. Eu conseguia ver, mesmo de onde estava, que ela não estava apenas lendo — ela estava digerindo cada palavra. Quando terminou, ergueu o olhar e me encarou com uma expressão confusa e levemente assustada.

— Olha isso, velhote. E tenta não surtar.

Estendi a mão de imediato. Nem disfarcei a ansiedade. Era óbvio que eu queria ver o maldito laudo. Ela me entregou o celular em silêncio, e eu comecei a ler, com os olhos cravados na tela, como se o conteúdo ali fosse me dar todas as respostas que o mundo me negou até hoje.

---

Arquivo recebido: Laudo Preliminar de Necropsia – Takeuchi Masanori  
Remetente: Dr. Nishikawa Kenji – Instituto Médico Legal  
Destinatário: Detetive Amano Yuki  
Assunto: Exame post-mortem – Takeuchi Masanori

---

Resumo dos achados relevantes:

Causa da morte:  
Traumatismo craniano severo, resultante de impactos repetitivos contra superfície rígida. Fraturas múltiplas no osso temporal e afundamento parietal esquerdo. Hemorragia intracraniana maciça. Compatível com relato de comportamento autoagressivo durante interrogatório.

Exame interno (cavidade craniana):  
Durante a abertura da calota craniana, foi identificado material viscoso de coloração escura, alojado em fissuras cerebrais, especialmente nas regiões frontais e próximas ao tronco encefálico.

Análise preliminar da substância:  
A amostra apresenta atividade biológica. Exames microscópicos indicam que se trata de um organismo parasitário não identificado, com estrutura celular incomum. Apresenta comportamento ativo em contato com tecido neural.

Observação crítica:  
A substância não corresponde a nenhuma toxina conhecida, nem a microrganismos catalogados até o momento. Amostras foram enviadas para laboratórios especializados.

---

Nota do legista:  
A presença desse organismo em tecido cerebral humano é altamente anômala. Não há, até o momento, explicação natural plausível para a origem ou mecanismo de infecção.

---

Fiquei lendo e relendo aquilo como se pudesse extrair algum sentido oculto entre as palavras técnicas. Nem mesmo a medicina parecia conseguir dar nome àquela coisa — àquela gosma preta maldita. Uma parte de mim queria rir, outra queria gritar. Mas, no fim, tudo o que senti foi uma grande frustração. Chegamos a um beco sem saída. Ou talvez... talvez fosse hora de seguir por outro caminho. Sabia que era hora de ir para o orfanato Asas do Amanhecer.

Saí do quarto lentamente, como se meus pés tivessem esquecido como se movem. Já estava escuro. Nem percebi o quanto o tempo passou enquanto eu assistia àquelas fitas. O mundo tinha mudado lá fora — até a chuva já tinha acabado — mas, aqui dentro, tudo ainda estava congelado. Virei o rosto para Yuki, que me observava calada.

— Vamos, temos que ir pro...

— Já está tarde — interrompeu Yuki com firmeza, antes que eu terminasse. — Vamos pra casa. E hoje eu fico na sua, mas nem pense em tentar nada, velhote. Tô armada — completou, com aquele sorriso brincalhão dela que, em dias como este, só me irrita.

Fiquei encarando aquele sorriso, que parecia um curativo frágil sobre uma ferida que sangrava há anos. Respondi seco:

— Não. Não vamos pra casa. Não temos tempo pra isso.

Ela fechou o semblante na hora. A brincadeira sumiu dos olhos dela como uma vela soprada pelo vento.

— Você quer ir agora? Pro orfanato? Haru, a gente não faz ideia do que tá enfrentando. Desde que a prefeita sumiu, tudo saiu do controle. Isso tá ficando sério de um jeito que... me dá medo. A gente precisa pensar com calma.

— Eu não tenho tempo pra calma. Não posso perder mais tempo... minha filha... esse caso tem a ver com minha filha. Anos sem respostas, e agora me pede pra ter calma? Não tenho tempo.

As palavras saíram rasgadas. Sentia meu peito arder, como se as certezas que eu tentava negar se acumulassem e ameaçassem me explodir por dentro. Mas Yuki, sempre tão forte, respondeu com uma promessa:

— Eu prometo que nós vamos encontrar ela.

Foi aí que a raiva me engoliu. Como um incêndio repentino.

— É a mesma coisa que há três anos... E olha onde a gente tá. Você cumpriu a promessa?

Na mesma hora, vi o rosto dela murchar. Como se eu tivesse arrancado o chão sob seus pés. Ela tentou disfarçar, ergueu os ombros, fingiu que doeu menos do que doeu.

— Eu fico na sua casa hoje. Pelo caso. E amanhã... a gente vai pro orfanato.

Ela ainda insistia. Mesmo depois de tudo, ela insistia. Mas eu vi... vi nos olhos dela. Uma expressão... culpa? Talvez. Provavelmente. Mas nada do que falei era mentira. Estou cansado de pessoas achando que me entendem, ou sentindo peninha de mim. Esse sentimentalismo barato realmente me deixa puto. Ainda assim, mesmo que eu odeie admitir, era realmente melhor descansar.

Acabei indo com ela. Silenciosamente. Entrei no carro. O clima ali dentro era tão denso e incômodo. Ninguém disse mais nada. Apenas seguimos até meu apartamento.

Quando chegamos, abri a porta. O ar ali dentro estava abafado, imóvel, como se o lugar tivesse esquecido como se respira. Yuki entrou. Era a primeira vez. Geralmente, quando ela me visitava, me chamava pra sair. Mas nunca havia pisado ali. Por um instante, hesitei — não costumo receber visitas. Mas mostrei onde era o banheiro. Ela foi tomar banho.

Enquanto a água corria, procurei um colchão. Abri meu armário. Poeira. Mofo. Algumas baratas mortas ali dentro. Era o retrato da minha vida — um amontoado de coisas esquecidas e deterioradas. Nada fora do padrão. Tirei o colchão, coloquei no chão da sala. Um travesseiro, só pra fingir algum conforto.

Ela saiu do banho pouco depois. Estava enxuta, mas o olhar... aquele olhar. Um vazio triste, uma sombra pendurada no canto dos olhos. Como se estivesse carregando um peso que ninguém vê.

Apenas a encarei:

— Pode ir dormir. Amanhã vamos pro orfanato...

Mas, quando passei por ela, algo aconteceu. Yuki me segurou. Não deu tempo de reagir. Antes que eu pudesse entender, ela me abraçou com força. Chorava. Chorava como uma criança ferida tentando consertar o mundo com os próprios braços.

— Perdão... me perdoe. Eu tentei de tudo. Tentei muito por todo esse tempo. Vi você ficar cada vez mais perdido... e a culpa é minha. Eu deveria ter encontrado ela. Eu deveria ter trazido ela de volta. Mas falhei... Tentei pelo menos te dar um conforto, mas vendo seu estado, acho que falhei mais uma vez... desculpa, me perdoa...

Fiquei sem reação.

Aquela mulher que sempre sorria, que fazia piadas em meio ao puro caos, agora se despedaçava nos meus braços. Porém, mesmo assim, não conseguia perdoá-la. Ela me deu esperança, e essa esperança foi morrendo à medida que o tempo passava... Ainda assim, ver ela daquela forma me deixava triste.

Ela não merecia o peso do meu fardo.

Então retribuí o abraço.

— Não precisa chorar. Apenas aprenda a conviver com a culpa. É isso que eu sempre faço — falei isso apertando ela mais forte com meu abraço.

Ela chorou mais um pouco, mas em silêncio.

Depois, dormiu na sala. E eu fui pro meu quarto. O silêncio da madrugada caiu sobre nós como um cobertor frio. Apenas fechei meus olhos, comecei a dormir, e apenas um pensamento passava pela minha cabeça:

Amanhã vamos ao orfanato.

Será que, enfim, teremos respostas?
itsukiharumaen
Itsuki Haruma

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Miro
Miro

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That twist was totally unexpected—amazing storytelling! Please like the latest episode and consider subscribing!”

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