Please note that Tapas no longer supports Internet Explorer.
We recommend upgrading to the latest Microsoft Edge, Google Chrome, or Firefox.
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
Publish
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
__anonymous__
__anonymous__
0
  • Publish
  • Ink shop
  • Redeem code
  • Settings
  • Log out

Odisseia Pós-exílio

1.5: A chuva que banha a minha alma

1.5: A chuva que banha a minha alma

Jan 20, 2026

A CHUVA QUE BANHA A MINHA ALMA


Podia-se escutar os grilos e sentir o cheiro de terra molhada em um terreno completamente úmido, o canto dos pássaros sumia gradativamente, conforme mais forte a chuva ficava.

— Irmão, pai, eu tô com medo!!

A criança grita na floresta, mas tudo que ouve são os sibilos do vento e o barulho de chuva, não importa o quanto gritasse, ninguém iria ouvir, acabaria sofrendo os males da própria mente ansiosa. Após chorar por uma hora inteira, percebe que não adiantaria de nada.

Era um garoto de 1,57, de apenas 7 anos, que havia se perdido na floresta por acaso, o mesmo, antes andava com seu irmão, mas o perdeu de vista no percurso, teria agora que se virar. A noite logo chegava e ele então percebeu que teria que sobreviver por pelo menos uma noite naquele lugar.

A falta de alimento penalizava cada vez mais o seu estômago, que não parava de roncar, o garoto estava a mais de 15 horas sem comer e matando sua sede com a água da chuva, por sorte, de tanto caminhar ele encontra uma enorme macieira.

Sua altura definitivamente não o ajudaria nessa situação, com sua mão direita ele pega uma pequena pedra no chão, atira contra uma das maçãs que estavam na árvore, mas erra miseravelmente.

Com alguns minutos a chuva logo parou, ele permanecia com fome, então tenta novamente acertar uma maçã daquela macieira e erra novamente. Frustrado, com suas duas mãos ele pega uma pedra maior que as demais, e joga com toda sua força em direção as maçãs daquela árvore.

Para a sua surpresa, desta vez ele consegue acertar e derruba três maçãs de uma vez, uma cai perto dos seus pés, a outra mais a direita, porém a última acaba sumindo junto com a pedra, na vastidão verde escuro da floresta.

Ele estava com sorte, pois até então não havia se deparado com nenhum animal letal, poderia ser que se deparasse com alguma cobra peçonhenta, algum inseto venenoso, ou no pior dos casos um urso.

Ele ligeiramente pega e devora as duas maçãs que estavam nas suas mãos, porém elas não matam sua fome, então ele pega novamente uma pedra maior que as demais e tenta jogar de novo em direção a macieira, quando repentinamente escuta um som semelhante ao relinchar de um cavalo, mas diferente do habitual.

Seu pai era um carpinteiro, mas também gostava de cavalos, frequentemente levava um cavalo para casa, o mesmo costumava contar histórias de corridas a cavalo que aconteciam naquela região, as vezes levava os seus dois filhos para assistir as corridas. Também ensinou as crianças sobre cavalos selvagens e como distinguir o som entre eles e os domésticos.

Em um ambiente como aquele não poderiam haver cavalos sem que estivessem junto de seus donos, mas para o garoto, de acordo com o que tinha aprendido com o seu pai, o relinchar soava mais como o de um cavalo selvagem, que também não costumavam viver naquela região.

— Breno!

O garoto enxerga um homem gritando pelo seu nome, quando olha para trás percebe um vulto e sons de galope vão sumindo gradativamente.

Eram seu pai e junto com ele seu irmão, o pai de Breno havia 1,84 de altura, tinha cabelos pretos e usava uma vestimenta simples, feita de malha, estava no auge dos seus 35 anos. Já seu filho Bruno tinha 16 anos e tinha 1,76 de altura, diferente de Breno, ele não havia puxado ao seu pai, seu cabelo possuía o tom de loiro de sua mãe, ambos viviam em uma aldeia próxima a aquela floresta, chamada de Sileak, graças a ajuda financeira de seu pai, Bruno já se preparava para a vida adulta.

— A gente tava preocupado, eu te falei pra ficar me esperando.

Disse Bruno aliviado

— Da próxima vez não deixe o seu irmão sozinho Bruno, quando voltarmos, a mãe de vocês vai ter uma longa conversa com os dois.

— Pai, irmão, eu escutei sons de cavalo por aqui.

— Cavalos? Não seja idiota irmãozinho, não tem cavalos aqui.

— Sim, eu sei que não…mas eu escutei, eu juro.

— Depois conversamos sobre isso filhos, vamos logo para a casa que a mãe de vocês está preocupada.

Diz o pai de Breno enquanto o coloca em seu ombro



Dois dias já haviam se passado, Paranorman sabia o tempo em que se lavava para o envio e recebimento de uma carta, mesmo em reinos não tão distantes, ele sabia que demorava em média um dia, devido a erros frequentes logísticos cometidos por mensageiros.

O tempo se passava e a escassez no reino de Dungeons exigia agora o alistamento obrigatório, Paranorman iria abusar de seu poder territorial, se isso o colocasse um pouco mais em vantagem na batalha que logo se aproximava.

Sabendo que faltavam apenas três dias, ele planejava iniciar seu ataque pelo menos dois dias antes da saída das tropas de Jeff para Dungeons. O mesmo agora decretava uma nova regra, para alguns absurda, para outros, necessária.

A decisão radical de Paranorman decidia que agora não só homens adultos fariam parte de seu exército, mas também adolescentes de no mínimo 14 anos, isso também iria valer para as aldeias e comunidades dependentes que ficavam próximas ao reino.

Em poucas horas a notícia rapidamente se espalhava pelo reino, alguns apoiavam, para outros paranorman estava ficando louco, mas tudo que se passava na cabeça do rei naquele momento era vencer, o mesmo estava disposto a fazer o que fosse necessário para a vitória de seu reino e a derrota de seus inimigos. 

Paranorman não só temia a sua derrota e posse das masmorras, como também o descobrimento dos pergaminhos sagrados, ele sabia que se Jeff soubesse da existência das escrituras, não só seu reino, mas também o mundo entraria em colapso, Jeff seguiria ataques frequentes por todo o mundo, em busca do poder global.



De repente podia-se escutar novamente os sons da chuva, homens fortemente armados, montados a cavalo assustavam a população de Sileak. Estavam levando homens e adolescentes a força de suas famílias, não havia resistência, alguns conseguiam esconder seus filhos, outros não tiveram a mesma sorte, talvez nem mesmo soubessem da notícia.

Eram 19:00 da noite, enxerga-se Breno e sua família, sentados à mesa, sorridentes, sua mãe acabava de servir um prato de peixe e ovos. A janta mais cedo era comum em Sileak e outras aldeias mais simples.

Breno pega seu garfo e segura firmemente com a mão direita, enfia na comida e leva até sua boca.

Toc toc

Bruno escutava os sons da porta batendo, sua ansiedade ficava visível, com a mão trêmula ele leva o garfo até sua boca.

Toc toc 

Breno acaba derrubando seus talheres no chão.

— Visita a essa hora, será que é sua mãe yennifer?

— Não, ela não viria nesse horário.

— Estranho, eu não espero ninguém, é melhor eu ir lá checar.

O clima de tensão se estabelecia naquele ambiente, e ambos ficaram apenas observando enquanto o pai de Breno se dirigia até a porta.

— Pai… não abre…

Cochicha Bruno

TOC TOC 

Click!

Assim que ele abre, se depara com fortes homens armados, suas armaduras eram uma mistura de gambeson, uma roupa grossa feita de camadas de linho ou algodão juntamente com malha e um elmo de metal com o símbolo de Dungeons, o seu enorme escudo de madeira e metal também deixava claro, para todos que os vissem, de onde vinham.

— Posso ajudar?

— Senhor, não gosto de ser rude, então vou logo me apresentando, meu nome é Rosen’d Driw, sou o capitão da terceira divisão da leva.

— leva?

— Nós somos responsáveis pelo recrutamento de homens em tempos de guerra, ou futuras batalhas em escalas maiores, desta vez estamos recrutando homens de aldeias mais próximas e dependentes do Reino de Dungeons.

— Me desculpe, eu… não estou interessado, agora se me der licença…

— Desculpe senhor, acho que ainda não fomos muito claros.

Pode-se escutar sons de choro abafados vindo diretamente da casa

— Deixe me explicar de uma forma que o senhor entenda, segundo a lei régia nº 3.279 de 27 de abril de 20XX, artigo 105, em tempos de guerra, qualquer homem que vive no reino ou aldeias dependentes de tal deverá, independentemente de sua condição física ou mental, servir o reino de dungeons em tempos de guerra ou batalhas de escala maior.

— Entendi…então é isso, não tem mesmo pra onde correr não é?

— Nos foi informado que nesta casa vive um homem chamado Romeu, acredito que seja você, correto?

— Sim…é o meu nome

— Também nos foi informado que o senhor e sua esposa tem dois filhos, um adolescente e uma criança, nós também levaremos o seu filho mais velho.

Durante o diálogo pode-se escutar a esposa de Romeu lamentando desesperada, a mesma naquele momento segurava o seu filho com força.

— Como assim? Meu filho mais velho ainda é um adolescente, ele só tem 16 anos.

Diz Romeu 

— Sinto muito senhor, não é como se nós tivéssemos aprovado essa adição, foi um decreto do rei Paranorman saint Paradox, então nós precisamos seguir tal protocolo.

Yennifer, esposa de Romeu, mãe de Breno e Bruno, em uma ação de desespero, abre a porta dos fundos, a mesma não conseguia imaginar o seu filho desmembrado ou com sequelas da guerra, isso se ainda sobrevivesse, pensava em uma forma de distrair a leva e fazer uma fuga para seu filho, mas o mesmo segura nas mãos de sua mãe, e a impede de fazer loucuras.

— Mãe, tá tudo bem, eu vou ir com eles.

— Filho…

— Já é hora de se tornar um homem.

Bruno então sai das costas e do braço caloroso e cuidadoso de sua mãe e se dirige lentamente aos soldados, junto ao seu pai, ele aponta com sua mão esquerda para a espada de Rosen, dizendo o seguinte:

— Peço que me permitam despedir-me de forma honrosa de minha mãe e meu irmãozinho, que eu irei com vocês sem qualquer resistência.

Naquele momento a chuva caía, não só do lado de fora, mas também do lado de dentro da casa, sua mãe não conseguia conter as lágrimas e a confusão na cabeça de seu irmãozinho Breno não o permitia que derramasse sequer uma única lágrima.

Pai e filho se despedem de sua família, Bruno decide levar algumas coisas que o fariam lembrar do quão boa foi sua vida até aquele momento, os tempos que havia passado com sua família que jamais voltariam. O mesmo decide fazer um juramento enquanto mantém seus pés firmes no chão, ele segura no braço de seu pai com o braço esquerdo enquanto põe a mão direita no peito que reside o seu coração.

— Eu prometo que nós voltaremos vivos

Diz Bruno, mas com nenhuma certeza de sua afirmação

Durante a partida, podia-se enxergar a mulher, junto de seu filho mais novo, vendo os cavalos galopando enquanto se distanciavam cada vez mais de sua casa, e tudo que restava para eles naquele infeliz dia, era a chuva, que não parava de banhar as suas pobres almas.

— Mãe…

— … 

— Eu quero ficar mais forte… eu quero ser forte igual o papai e o irmão, eu quero treinar.

A sua mãe acena com a cabeça, sinalizando um sim, e ainda lacrimejando, abraça o seu pequeno filho.



Enquanto isso, no reino de Jeff, enxerga-se claramente Frost, observando pensativo na janela de uma das salas do castelo.

— Ué Frost, vai me dizer que está com a consciência pesada por ter assassinado aquele homem?

Diz Jeff com um sádico sorriso

— Não, sinceramente, eu não dou a mínima pra isso, ele até que merecia, eu só acho que talvez você não precisasse mandar todas as suas tropas para um reino sem rei, talvez seja desperdício e gasto desnecessário de tropas e recursos não acha?

Questiona Frost 

— Um reino sem rei… hmmm… sim, claro, entendo perfeitamente, mas eu quero que as pessoas conheçam o seu novo rei, eu quero que implorem por suas vidas, e também quero desfazer do resto miserável que sobrou de meus inimigos.

Prossegue Jeff com uma expressão raivosa em seu rosto.

— Escute bem Frost, Dungeons é só o começo da minha glória, aliás, acha mesmo que eu quero apenas as masmorras?

— O que quer dizer com isso?

Pergunta Frost

— Eu diria que a humanidade é de fato curiosa, aquele homem, Paranorman, esconde muitos segredos.

— Ainda não entendo aonde você quer chegar.

— Não acha curioso existir um reino a tanto tempo? Dungeons existe a muito tempo na história, mas isso não é o que mais me intriga.

— Continue.

— Nos registros históricos deste mundo, no passado, houve outro Reino, por algum motivo seu nome não está registrado, tudo que se sabe é que esse reino existiu.

Jeff caminha em direção a uma estante de livros que havia naquela sala, ele estende a sua mão direita e pega um estranho livro dourado, no qual se intitula “Skordya, os segredos de nosso estranho mundo”.

Tal livro possuía uma grande quantidade de autores e a veracidade de suas informações eram debatidas por especialistas no mundo todo em diversas localidades e culturas diferentes.

Ele abre o livro e aponta com seu indicador para uma página, cujo título era “Reinos irmãos”, nesta página haviam dois reinos, um chamado “Dungeons”, descrito como bonito, engenhoso, bem estruturado e com leis políticas que se aplicam a uma monarquia tradicional. Jeff segue para a próxima página, entretanto, tudo que se podia ver da descrição do segundo reino era um grande borrão, ilegível.

— Não é estranho meu caro assassino? É como se alguém tivesse apagado todas informações sobre esse reino manualmente.

— Apagado elas da história.

Completa Frost

— Isso mesmo, mas ainda tem mais, por algum motivo, o livro segue contando a história e os costumes dos antigos reinados de Dungeons, mas as páginas dedicadas ao segundo reino, estão em branco.

— Todos esses fatos me fazem pensar que o reino de Dungeons tenha alguma relação com isso, me faz acreditar que eles de alguma forma conseguiram esse feito, para isso, tiveram que usar alguma coisa além da nossa compreensão atual.

Continua Jeff

— Então é isso que você quer na verdade, essa “coisa”, e se ela na verdade não existir, e for só um fruto de sua cabeça?

Questiona o assassino

— Se ela não existir, bom… eu ainda não saio perdendo, aliás, há um motivo para ter te contado tudo isso.

— Qual?

— Pense bem Frost, você passou anos de sua vida como um assassino miserável, matando por dinheiro, sendo temido pelas pessoas ao seu redor.

— …

— Eu posso te dar a vida que você nunca teve, junte-se a mim Frost, assim que eu tomar o que sobrou de Dungeons para mim, seguirei firme conquistando outros reinos, e assim atingiria a dominação global, criando um único território, pertencente a mim, você poderia ficar com parte do mesmo. 

— Suas habilidades como assassino experiente me ajudariam a conquistar meu sonho, nós vamos mudar a história, eu te tornarei um herói e então você será amado e prestigiado por todos.

— Entendi, sinto muito Jeff, mas eu tenho meus próprios objetivos e convicções, não posso viver nas sombras do sonho de um homem, ser amado e prestigiado não é o que eu quero, eu prefiro ser temido a ser amado, se eu fosse amado, eu não seria respeitado, sendo temido eu tenho tudo que preciso.

— Bom… se é assim que pensa, tudo bem, não irei impedir que siga seu próprio sonho, só espero que seu sonho não fique no caminho do meu, agora… bom, já pode sair do meu castelo, me encontre se mudar de ideia.

— Certo.

brenoaddons678
Mister Iyashi

Creator

Comments (0)

See all
Add a comment

Recommendation for you

  • What Makes a Monster

    Recommendation

    What Makes a Monster

    BL 76.4k likes

  • Arna (GL)

    Recommendation

    Arna (GL)

    Fantasy 5.5k likes

  • Blood Moon

    Recommendation

    Blood Moon

    BL 47.9k likes

  • The Last Story

    Recommendation

    The Last Story

    GL 57 likes

  • Invisible Boy

    Recommendation

    Invisible Boy

    LGBTQ+ 11.6k likes

  • Earthwitch (The Voidgod Ascendency Book 1)

    Recommendation

    Earthwitch (The Voidgod Ascendency Book 1)

    Fantasy 3k likes

  • feeling lucky

    Feeling lucky

    Random series you may like

Odisseia Pós-exílio
Odisseia Pós-exílio

260 views1 subscriber

Autores: Mister Iyashi & TiwRideki
Subscribe

6 episodes

1.5: A chuva que banha a minha alma

1.5: A chuva que banha a minha alma

10 views 0 likes 0 comments


Style
More
Like
List
Comment

Prev
Next

Full
Exit
0
0
Prev
Next