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A Flor Negra da Cerejeira - Prata e Ouro, Diamante e Jaspe

A Semente da Dúvida

A Semente da Dúvida

Mar 22, 2026

No dia seguinte, ainda em Osaka…


Ryotaro já estava a caminho da faculdade, com as mãos no bolso do seu casaco. Era um dia frio de primavera, e ventava muito. Olhava constantemente para o celular, onde havia mandado uma mensagem de bom dia para Aiko e elogiado sua aparência. Ela ainda não havia visualizado, e isso o preocupava.

Chegando no campus, antes de cruzar os portões, um som chamou sua atenção. O som de uma moto esportiva. Ao olhar para trás, viu a tal moto, de cor preto carvão e pilotada por uma mulher. A moto estacionou bem perto dele, e a mulher desceu e retirou seu capacete.

A mulher que pilotava a moto era, de fato, muito bonita. Era de aspecto ocidental, talvez alemã, possuindo cabelos castanhos claros e bem longos, olhos verdes e pele meio rosada. Ela usava uma blusa corta vento, calças pretas e botas pretas, além de luvas sem dedo. Ela, ao ver Ryotaro, arregalou levemente os olhos.

— Oh… — ela fez. — Oi… 

— Oi… — Ryotaro respondeu, arqueando a sobrancelha. — Eu… te conheço?

— Acho que não… eu me chamo Elke. Elke Meyer. Sexto ano de medicina.

— Ryotaro Sato. Calouro de Letras.

Ryotaro estendeu a mão para a cumprimentar, e ela apertou. O aperto era firme, mas a mão era macia, quase como se tivesse apertado uma almofada. Então, olhou melhor para o rosto dela. Ela o encarava não como quem observa, mas como quem avalia.

— Hã… precisa de algo, senhorita Meyer? — Ryotaro perguntou.

— Hã?! — ela fez, piscando algumas vezes, como se tivesse acordado de um transe. Suas bochechas ficaram vermelhas. — Oh, eu… me desculpe, eu…

Elke engoliu em seco, e então saiu correndo, deixando Ryotaro completamente confuso. O garoto quieto piscou duas vezes antes de dizer para si:

— Eu hein? Que mulher estranha.

E entrou no campus. A aula ainda demoraria dez minutos para começar, então foi para o refeitório, onde encontrou com Yumi. A ruiva, assim que o viu, acenou de longe.

— Ryotaro! Aqui! — ela chamou, do outro lado do refeitório.

Algumas pessoas olharam, mas não deram muita importância. Ryotaro, um pouco corado, se aproximou da mesa onde ela estava e se sentou. 

— Tudo bem, amigo? — Yumi perguntou, tomando um gole de café.

— Tudo bem — Ryotaro respondeu, colocando as mãos na mesa e entrelaçando os dedos. — Só preocupado com a Aiko. E… um pouco confuso também.

— Por que confuso?

— Eu… falei com uma mulher na entrada. Elke Meyer. Conhece?

— Ah, conheço sim! A veterana de medicina! O que nela te deixou confuso?

— Eu cumprimentei ela e… ela me olhou de um jeito estranho. E quando eu falei com ela, ela corou e… correu aqui pra dentro. Do nada!

Yumi ficou pensativa por alguns segundos antes de dizer:

— Olha… eu ouvi do Hidetaka que essa tal Elke gosta muito de garotos mais novos. Ela tem um certo interesse neles, principalmente em calouros.

— Interesse? — Ryotaro repetiu, arqueando a sobrancelha. — Como assim?

— Ela… gosta do “espírito jovem” deles. Não entendi o que o Hidetaka queria dizer no começo, mas depois ele me explicou que envolve… atos. Se é que você me entende.

— Miú? Que tipo de atos?

— Ai Ryotaro, você é um amorzinho mesmo — Yumi disse, rindo. — Ela tem… um certo histórico com garotos novos. Digamos que… ela gosta de brincar com eles. No sentido mais carnal possível. E se ela te olhou com aquela carinha estranha, eu tenho péssimas notícias.

Ryotaro sentiu o rosto esquentar gradualmente, subindo do pescoço até as orelhas. Se sentiu exatamente como uma chaleira fervendo. Não demorou nem dez segundos para ele acabar dando Tela Azul, ficando com os olhos sem foco, meio pálido e a boca levemente aberta. Yumi, que nunca viu o garoto quieto dar pane, não entendeu direito o que aconteceu com ele.

— Ryotaro? — ela chamou, estalando os dedos perto do rosto dele. — Amigo? Tá vivo?

Yumi estalou os dedos mais algumas vezes antes de Ryotaro voltar a si, como se tivesse acabado de acordar de uma hipnose. Aquilo não fazia sentido nenhum. Ele nunca havia sido visto daquela forma. 

— D-Deus do céu — ele gaguejou, assustado. — Então… tem predadores até aqui?

— Em todo lugar tem — Yumi retrucou, dando uma risadinha e bebendo mais um gole de café. — E… bom, tecnicamente ela não é EXATAMENTE uma predadora de crianças. Pelo menos no sentido legal. Já fez 18?

— Ainda não. Só em agosto.

— Ah, então é só falar que você ainda é adolescente. Pelo menos você vai ter uns cinco meses sem ela no seu pé.

Ryotaro ia responder, mas acabou vendo muitas pessoas se levantando e indo para as salas. Era hora de ir. Assim, ele e Yumi se levantaram e foram para o prédio de Letras. 


Roppongi, Tóquio. Meia hora antes.


Aiko acordou com um chacoalhar leve no ombro. Ao abrir os olhos, viu Misao sentada na borda da cama, com um sorriso cansado.

— Mãe? — ela perguntou, ainda grogue de sono. — Que horas são?

— Sete e meia — ela disse, beijando o topo da cabeça da filha. — Tem que se arrumar para a escola, mocinha.

— Hmmmmm… não quero ir, mãe. Posso faltar hoje?

— Bom, até pode. Mas aí teria que limpar a casa todinha e deixar brilhando. Topa esse acordo?

Aiko apenas deu um rosnado fraco. Misao sabia que ela odiava fazer faxina, e usava esse golpe baixo sempre que a filha não queria ir para a escola. A menina nunca conseguia rebater essa proposta.

— Não tem uma terceira opção…? — Aiko perguntou, enfiando o rosto mais profundamente nos travesseiros.

— Na verdade, tem — Misao respondeu, com um sorriso suave. — Se chama reprovar. Já ouviu falar?

Aiko só rosnou de novo. Sua mãe era incrivelmente convincente. Assim, acabou levantando. Os cabelos estavam um pouco melhores do que nos últimos dias por conta da ajuda de Mika e Ayase, mas ainda precisavam de muito cuidado para voltar a serem o que um dia já foram. Além disso, as suas olheiras pareciam ter diminuído, mas ainda eram bem profundas. Misao, ao ver a filha daquele jeito, sentiu o peito apertar. Era como ver uma flor murchar em câmera lenta.

— Quer comer alguma coisa? — Misao perguntou, a voz doce. — Qualquer coisinha? Eu posso fazer…

— Tudo bem, mãe — Aiko disse, pegando o moletom de Ryotaro entre as mãos. — Tô sem fome. Pode só… sair? Quero me trocar.

Misao assentiu, com os olhos se enchendo de lágrimas, e saiu do quarto. Lá fora, Kenji e Masahiro, o irmãozinho de Aiko, esperavam. A mãe apenas balançou a cabeça negativamente. O pai abraçou a esposa, e ela chorou no ombro do marido.

— Ela está destruída, Kenji — Misao sussurrou, a voz embargada. — Eu já não sei o que fazer.

— Maninha… — Masahiro sussurrou, seus olhos marejados. 

Alguns minutos depois, Aiko saiu do quarto, vestindo o uniforme de primavera do colégio. Kenji perguntou se não queria que ele a levasse para a escola, mas a menina recusou educadamente, saindo com uma fatia de pêra na boca que havia aceitado só para não deixar Masahiro mais triste. Acabou conseguindo comer com certa dificuldade, mas sentiu o estômago embrulhar em seguida.

Ao chegar na escola, antes de entrar, olhou as pessoas entrando. Respirou fundo, sentindo a boca seca, e assumiu o seu melhor sorriso social. Já havia planejado uma desculpa perfeita caso perguntassem sobre sua aparência. Ela podia estar destruída por dentro, mas ainda tinha uma reputação a zelar. Assim, entrou na escola.

Os outros alunos, assim que viram Aiko entrar, repararam em sua aparência. Logo, a menina se viu rodeada de perguntas sobre as olheiras e o cabelo sem brilho. Sem perder a compostura, ela respondia:

— Eu tô bem, gente! Juro! Só tive umas noites mal dormidas, por isso das olheiras. E eu acabei tentando um novo penteado, mas saiu meio errado. Por isso do cabelo. Mas prometo que tô bem!

As pessoas pareceram ficar satisfeitas com as respostas, e decidiram não pressionar. Algumas pessoas se dispersaram, outras ficaram perto dela, tentando puxar assunto. Aiko tentava prestar atenção, rindo de coisas engraçadas (por mais que fosse um riso forçado) e conversando com naturalidade. Cada sorriso que dava era perfeitamente ensaiado. Cada risada, milimetricamente calculada para parecer natural. Foi quando Mika e Ayase chegaram.

— Aikozinha! — Mika exclamou, ficando ao lado dela. Ao chegar perto, falou mais baixo. — Tudo bem, amiga? Tá melhor?

— Um tiquinho — Aiko respondeu, em sussurro. — Depois a gente conversa. Preciso manter a personagem.

As aulas começaram, e Aiko ainda mantinha o seu sorriso social, respondendo às perguntas dos professores e sempre interagindo com todo mundo. A desculpa que inventou funcionou perfeitamente, embora certos professores mais observadores não se mostrassem realmente convencidos. Para esses, a menina mantinha um olhar atento.


Osaka, Japão. 12:30.


Era hora do almoço, e Ryotaro saiu assim que o professor liberou a turma. No refeitório do campus, encontrou Hidetaka bebendo uma lata de refrigerante. Ryotaro ia acenar e se aproximar, mas antes que fizesse isso, viu quem estava junto dele. Seu sangue congelou nas veias.

Ninguém mais, ninguém menos, que Elke Meyer.

— Calouro! — Hidetaka chamou, acenando para ele. — Vem cá! Bora trocar uma ideia!

Ryotaro sentiu a garganta travar. Dentre todos que podiam estar com Hidetaka, tinha que ser justamente Elke?! O universo tinha um senso de humor doentio. Assim, mesmo sentindo uma vergonha gigantesca, chegou perto e se sentou.

— Olá de novo, Ryotaro-kun — Elke disse, seu sotaque um tanto carregado. — Que surpresa vê-lo outra vez.

— Igualmente… senhorita Meyer — Ryotaro respondeu, sentindo uma gota de suor escorrer por sua nuca.

— Ah, então vocês já se conhecem? — Hidetaka perguntou, com seu sorriso largo, sem se ligar no que estava acontecendo. — Desse jeito, não vai precisar mais de mim, calouro!

— Bem, Ryotaro-kun — Elke disse, se inclinando para frente. — O que acha de conversamos um pouco?

Ryotaro sentiu o ar faltar de novo, mas assentiu. Assim, os dois conversaram. Ryotaro contou sobre Tóquio, sobre sua casa em Marunouchi e sobre seus pais, Megumi e Ryu. Já Elke contou sobre sua vida na Alemanha antes de vir para o Japão aos cinco anos de idade, além de contar sobre seus próprios pais e também sobre uma amiga que morava em Quioto. Por um momento, o garoto quieto chegou a duvidar se o que Yumi disse era verdade. Em determinado momento, quando Hidetaka saiu para comprar mais um refri, Ryotaro acabou mencionando Aiko e que ela era sua namorada. Isso despertou totalmente o interesse da mulher.

— Então, você namora? — Elke perguntou, com um sorriso de canto. — E sua amada ficou em Tóquio?

— Exato — Ryotaro respondeu. — Mas a distância não importa. Nosso amor é lindo.

— Certeza disso? — Elke perguntou, arqueando a sobrancelha.

— Hã? Como assim “certeza disso?”

— Bom… em minha vida, já tive muitos relacionamentos. Boa parte à distância. E vou lhe contar um segredinho: Não é a distância que destrói o amor. Não. Ela só revela quem já estava disposto a quebrá-lo.

— Como tem tanta certeza disso, senhorita Meyer? — Ryotaro perguntou, estreitando os olhos. — Você só fala pela sua própria experiência.

— Você escolhe se quer acreditar ou não — Elke rebateu, dando de ombros e se levantando. — Foi muito bom conversar, Ryotaro-kun. Se precisar de qualquer coisa, desde ajuda nas provas até simples companhia, sabe onde me encontrar.

E entregou um papelzinho com um endereço. Depois disso, se retirou com um andar de modelo. Ryotaro não queria acreditar naquelas palavras. Aiko nunca faria aquilo com ele. Ela o amava mais que a si mesma. Porém, mesmo que ele não quisesse, a semente da dúvida já estava plantada.

E enquanto Aiko lutava para não colapsar…

Ryotaro, pela primeira vez… deixou a dúvida entrar.

---

Essa tal Elke não é flor que se cheire, não é? Será que o Ryotaro vai se sair bem contra essa predadora de calouros? Comente aí o que você acha!

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O tempo passou em Tóquio, e com ele, vieram desafios para Aiko e Ryotaro. O garoto quieto, já não mais o Fantasma Negro, teve de ir para Osaka, para estudar em uma universidade privilegiada, fazendo com que o grupo que ele e sua namorada criaram perdesse seu membro mais importante.
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