Hiro sorriu, tímido e gentil, e olhou novamente para dentro da loja, onde Mika ria de algo que Ayase havia dito. Talvez Jun estivesse certo. Talvez ser ele mesmo realmente o ajudasse. Mas como ele faria isso sem parecer um completo esquisito? Embora Mika não parecesse ser maldosa (e de fato não era), essa ideia ainda lhe parecia muito estranha e arriscada.
— Bom… o que me impede de tentar? — Hiro perguntou a si mesmo, baixinho. Em seguida, perguntou em voz alta para Jun:
— Mas… e se… a senhorita Mika me achar… esquisito?
— Só Jun tá bom — o baterista disse, com um sorriso gentil. — E eu garanto que ela não vai. Se ela te tratar mal, fala com a Aiko. Ela é um doce de pessoa, mas sabe ser um belo quebra-queixo.
— Quebra-queixo? — Hiro perguntou, inclinando a cabeça. — O que é isso?
— Um doce brasileiro que a Natália me apresentou — Jun explicou.
Foi quando Jun acabou bocejando e começou a sentir seus olhos pesarem. Sua narcolepsia estava voltando.
— Mas que desgraça… — Jun sussurrou. — Justo agora?
Sem pensar duas vezes, saiu quase correndo para a primeira máquina de bebidas que encontrou, deixando Hiro sem entender nada.
— Narcolepsia — Yuta explicou, quando Hiro o questionou. — Quando começa, ou ele toma o remédio… ou apaga.
Hiro arregalou os olhos.
— Então, — ele olhou para Jun, que estava na frente da máquina de bebidas, lutando para se manter acordado. — Os energéticos… são um plano B.
— Exato — Yuta concluiu.
Depois de alguns minutos, Jun voltou com duas latinhas de energético, uma de Red Bull e a outra de Monster, e logo em seguida as meninas saíram da loja, com Aiko vermelha como um pimentão e escondendo uma sacola atrás das costas, como se escondesse um grande segredo de estado.
— Vocês me pagam… — Aiko sussurrou, derrotada.
— Relaxe, Princesa Dourada — Mahina disse, dando tapinhas leves na cabeça de Aiko. — Garanto que vai valer a pena — e voltando a atenção para os outros, disse:
— Muito bem! Vamos para a terceira fase! Festa do pijama!
— ISSO! — Natália e Ayase disseram ao mesmo tempo.
— Inclusive, todos estão convidados. Vocês também, meninos, e até você, senhor Takahashi.
— Que?! Eu?! — Hiro perguntou, pego de surpresa. — Eu tô convidado?! Eu entrei hoje!
— E daí? — Mahina perguntou, com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de canto. — Pode ter entrado hoje, mas já é parte da família. Fora que você soube como me consolar. Se você não entrar no bonde depois disso, não sei quando entra.
Hiro arregalou os olhos por um momento.
Ele nem era parte daquele grupo. Tinha entrado hoje.
Porém, eles foram tão receptivos. E tão amigáveis.
Como dizer não?
Ele assentiu freneticamente, e já confirmou presença. Os outros meninos também confirmaram presença. Assim, todos saíram do shopping e foram para a casa de Mahina, em um grande sedã preto. Enquanto o carro deslizava pelas ruas de Tóquio, a noite ainda prometia ser muito longa em uma cidade a 450 quilômetros de distância.
Osaka, apartamento de Ryotaro. 21:00.
Na casa de Ryotaro, o garoto quieto, depois de tirar os sapatos e deixar os materiais da faculdade em cima da mesa, foi para o quarto e se jogou na cama. Ele não tinha feito ainda a medida protetiva contra Elke.
Nem tinha certeza se aquilo ia realmente funcionar.
Se ele conhecia bem pessoas como ela, sabia bem que ela iria burlar de alguma forma.
— O que eu faço então? — Ryotaro se perguntou. — Não tô disposto a trancar o curso por causa dessa mulher. Isso ia deixar todo mundo arrasado. Não sei nem se… eu devo confiar na polícia.
Na mesma hora, lhe veio um nome. Uma pessoa que já havia ajudado antes, quando o já dissolvido clã yakuza, o Clã Shinazugawa, tentou sequestrar Aiko.
Só havia uma pessoa em quem ele podia confiar.
Mahina Hoshina.

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