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A Flor Negra da Cerejeira - Prata e Ouro, Diamante e Jaspe

Cicatrizes que Contam Histórias

Cicatrizes que Contam Histórias

Apr 25, 2026

— MIÚ?! Tirar a camiseta?! — Ryotaro disse, dando um passo para trás.
— É! — Hidetaka retrucou, rindo. — Relaxa, não vai ser nada obsceno. É só algo mais natural, sabe? Você parece ter um físico legal, por mais que fique usando moletom o tempo todo.
Ryotaro olhou para si mesmo, meio em dúvida e envergonhado. Ele de fato não mostrava muito o corpo, nem mesmo os braços. Especialmente os braços, por conta das suas cicatrizes de automutilação. “Eu não posso fazer isso”, ele pensou. “Se o Hidetaka ver… o que ele vai pensar?”
— Tudo bem aí, calouro? — o veterano perguntou, com uma expressão preocupada. — Você ficou pálido do nada.
— Eu… eu tô bem — Ryotaro sussurrou, embora não muito convencido. — É só que… eu não acho que consiga fazer isso.
— Por que?
— É que… eu… eu tenho… marcas. Que eu não quero revelar.
Hidetaka arregalou os olhos, abrindo levemente a boca. Ele abaixou o olhar, e largou a câmera, que voltou a pousar sobre seu peito. 
— Posso ver? — perguntou, com a voz suave.
O calouro hesitou, mas assentiu. Arregaçou as mangas, e mostrou os braços para ele. Hidetaka olhou as cicatrizes sem julgamento. Um sorriso suave e triste surgiu em seu rosto.
— Desde quando você tem isso? — perguntou, tocando as cicatrizes.
— Desde os meus treze anos — sussurrou, sem coragem de olhá-lo. 
Hidetaka não quis ouvir mais detalhes. Em vez disso, caminhou até uma cadeira, e se sentou nela.
— Senta aí, calouro.
Obedeceu. Por um momento, ninguém disse nada. Só se ouviu o zumbido das lâmpadas, e os dois trocavam olhares várias vezes. Então, Hidetaka começou:
— Calouro, eu não tenho nem ideia do que você passou. Mas… sabe, isso não te torna fraco.
— Claro que não… — Ryotaro sussurrou, a voz quase inaudível e amarga, que Hidetaka ouviu.
— É verdade! Você deixou tudo pra trás pra vir pra cá. Seus amigos, sua família… sua namorada.
O garoto quieto baixou a cabeça.
— Essas cicatrizes, — apontou para as cicatrizes. — Elas contam uma história. Uma história que você devia se orgulhar de ter superado.
Ryotaro ergueu os braços, olhando para as cicatrizes, e fechou as mãos em punho. Elas começaram a tremer. O calouro fechou os olhos, e sorriu fracamente. Hidetaka viu isso, e rapidamente tirou uma foto.
— E não há vergonha alguma nisso — concluiu, mostrando a foto no visor da câmera para Ryotaro.
Ryotaro, ao ver a foto, arregalou os olhos, e os sentiu se encherem de lágrimas. O veterano capturou um momento perfeito, quando ele havia fechado os olhos e sorrindo com as mãos fechadas e os braços levemente erguidos.
— Obrigado, Hidetaka — ele enxugou as lágrimas. — De verdade.
— Disponha, calouro — retrucou, com um sorriso gentil. — Bom, acho que deu de tirar fotos hoje. Depois que eu editar, te mando. E calouro… — e colocou a mão sobre seu ombro. — Se precisar… me chama, ok?
 Ryotaro assentiu, e abraçou Hidetaka. O veterano ficou sem reação por um momento, mas depois retribuiu o gesto. Depois disso, o calouro saiu da sala, caminhando para fora da universidade. Enquanto caminhava, lhe veio um pensamento. Um lugar que não ia há tempos, e que ficava na cidade. Assim, em vez de ir para casa, chamou um táxi. Quando o carro chegou, ele entrou.
— Para onde? — o taxista perguntou.
— Parque Memorial de Chihayaakasaka — Ryotaro respondeu. — Vou visitar um amigo.
Enquanto o táxi seguia seu caminho, Ryotaro abriu a galeria. Lá, arrastou várias vezes até cair em um vídeo antigo, de quando ele ainda era criança. E com ele, um outro garotinho. O seu melhor amigo, há muito falecido. 
Depois de uns vinte minutos, o táxi parou em frente ao cemitério. Ryotaro pagou a corrida, agradeceu ao motorista e saiu do carro. De lá, passou pelos portões do lugar. Ele andou por muitos túmulos, alguns simples, outros mais bonitos e maiores. O silêncio era denso, quase como se o mundo tivesse ficado abafado. Por fim, ele chegou à um túmulo simples, com velas recém postas ainda acesas e com incenso. No centro, uma foto de um garotinho, o mesmo do vídeo, com cabelos castanhos e espetados, olhos castanhos e sorridentes e um sorriso que iluminava o mundo. E na lápide, escrito:
“Yahiko Watanabe
05/03/2008 - 10/07/2018
Uma alma jovem, porém muito querida e amada. Seu sorriso sempre iluminará nossas almas.”
Ryotaro arregaçou as mangas, olhando para as cicatrizes nos braços, e as mãos e os antebraços começaram a tremer. O que ele diria para Yahiko? O que deveria falar? O sorriso na foto parecia… real demais. As palavras na lápide, mais pesadas. Respirou fundo, evitando olhar para a foto, e enfim olhou novamente para a lápide.
— Eu… eu fiz algo hoje — Ryotaro sussurrou.
Ryotaro se ajoelhou diante do túmulo, e juntou as mãos, fechando os olhos. Por um momento, só ouviu o som do silêncio, quieto e pensativo. Depois de um momento, o garoto quieto abriu os olhos, e sentindo o coração apertar ao olhar para a foto do amigo, disse:
— Oi Yahiko. Faz tempo, não é? Muito tempo, na verdade. E aí, vamos botar o papo em dia?
Ryotaro se sentou sobre as pernas, e começou a narrar sobre como sua vida mudou desde que Yahiko partiu. Contou principalmente sobre como ele se tornou o Fantasma Negro no colégio e como Aiko se tornou sua amiga e, posteriormente, namorada.
— Fiz amigos novos por aqui — Ryotaro continuou. — Yumi, Mai, Haruki, Makoto e Hidetaka. Todos são meio malucos, mas são legais. O Hidetaka é fotógrafo, sabia? Ele até tirou algumas fotos minhas hoje. E… no sábado, eu vou visitar a Aiko em Tóquio. Ela tá morrendo de saudades, tadinha. Preciso ir lá abraçar e dar uns beijinhos nela.
Um momento de silêncio. Depois, Ryotaro desviou o olhar para o chão, onde haviam alguns vasos de flor e algumas flores, e disse:
— Sabe… eu ainda sinto sua falta. Muito, na verdade. Queria que você visse como eu fiquei feliz, de como melhorei e como deixei de ser aquele garoto recluso, preso dentro de uma concha. Como eu queria que… que… — e sua voz embargou, e seus olhos se encheram de lágrimas. Seu lábio tremeu, e ele sussurrou:
— Como eu queria que… aquele… aquela doença… não tivesse… te levado. Q-que… que você tivesse sobrevivido.
Ryotaro então permitiu que as lágrimas caíssem sem rodeios. O rapaz chorou tanto que ele perdeu a noção do tempo, chegando a pousar a cabeça na terra e dar dois socos na terra.
Quando enfim se acalmou, Ryotaro olhou para a foto do amigo, e encostou a ponta dos dedos nela.
— Eu prometi que seguiria em frente — Ryotaro sussurrou, a voz mais firme. — Que não ia deixar a dor da perda me definir. E eu juro que tô fazendo isso — fechou os olhos, engolindo em seco. — Lembra quando você dizia que um dia ia desenhar melhor que eu? Que nós faríamos aquele mangá? 
Fechou os olhos, e pareceu a ele ver o amigo à sua frente, com um sorriso no rosto e a cabeça inclinada para a esquerda, como ele sempre fazia quando vivo. Abriu os olhos, com um sorriso pequeno.
— Acho que… tá na hora.
Ryotaro afastou a mão, e enxugou as lágrimas que insistiam em escorrer. Um sorriso pequeno surgiu em seu rosto, e ele fez algo que sempre fazia quando ia visitar Yahiko: prestou continência, e deu uma piscadela. Um costume que os dois garotos tinham quando se despediam.
— Até mais, Yahiko — Ryotaro sussurrou. — Vou tentar voltar amanhã. Prometo.
E assim, Ryotaro tomou o caminho para a saída do cemitério. Porém, enquanto caminhava, ouviu um som. Um choro feminino, adulto, e palavras murmuradas em uma língua que ele não entendia, mas sabia qual era. Alemão.
— Espera… — Ryotaro sussurrou. — Será que…?
Deu mais alguns passos, e ao olhar para um corredor de túmulos à direita, viu uma mulher de 23 anos, de cabelos castanhos claros, de olhos fechados, com uma expressão de dor no rosto e batendo as mãos no peito. 
— Q-que? — Ryotaro sussurrou. — O que ela tá fazendo aqui?
Ryotaro sentiu o corpo travar.

Era Elke Meyer.

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