Please note that Tapas no longer supports Internet Explorer.
We recommend upgrading to the latest Microsoft Edge, Google Chrome, or Firefox.
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
Publish
Home
Comics
Novels
Community
Mature
More
Help Discord Forums Newsfeed Contact Merch Shop
__anonymous__
__anonymous__
0
  • Publish
  • Ink shop
  • Redeem code
  • Settings
  • Log out

A Flor Negra da Cerejeira - Prata e Ouro, Diamante e Jaspe

Sinais

Sinais

May 03, 2026

Roppongi, Tóquio. Casa de Aiko, mesmo horário.

Era a hora do jantar na casa dos Takane, e a família comia bem. Bem… todos, com exceção de Aiko. Apesar de tudo, ela ainda não conseguia comer direito. Ela só tinha dado duas garfadas no prato, e sentiu a barriga embrulhar nas duas. Ela também tentou beber o suco, mas no primeiro gole parecia ácido em sua garganta, e no segundo, ela quase se engasgou. Assim, ela teve de ir pro sofá da sala de estar, deixando o prato na mesa.
Misao olhou para o prato ainda cheio de Aiko, e sentiu o peito apertar. Apesar do cabelo recém tratado, dos presentes e da festa do pijama, parecia que ela não tinha mudado. Parecia igualzinha a antes. Kenji percebeu isso, e segurou a mão da esposa com carinho.
— Ela vai ficar bem — ele sussurrou, acariciando a mão dela com o polegar. — Só precisa de tempo.
— Eu não consigo suportar, Kenji — Misao sussurrou, a voz embargada. — Não consigo suportar ver minha princesa assim. Ela tá perdendo o brilho dela!
— Mamãe — Masahiro, que também estava na mesa, chamou. — Acho que a gente tem que levar a maninha no médico.
— Eu concordo, Masahiro — Misao concordou, assentindo. — Eu vou agendar uma consulta.
Misao pegou o celular, e acessou o site do plano de saúde da família. Lá, agendou uma sessão com um psicólogo. Depois disso, se levantou e foi até a sala de estar, onde Aiko estava deitada no sofá, olhando para a TV sem prestar atenção de fato.
— Filha — Misao chamou. — Tudo bem?
— Tá tudo bem, mãe — Aiko sussurrou, a resposta saindo automática.
— Olha, eu agendei uma sessão com um psicólogo, tá bem? Amanhã, de manhã.
Aiko olhou para a mãe, e suspirou antes de dizer:
— Não preciso de psicólogo, mãe. Tô bem.
— Não, você não tá — Misao rebateu, a voz firme mas doce. — Você tá definhando, Aiko. Você precisa de um médico.
— Eu não preciso de médico. Só do meu Ryo-chan… — Aiko murmurou, abraçando uma almofada. — Só dele…
Misao sentiu os olhos arderem e o coração apertar. Se sentou ao lado da filha, e puxou Aiko para um abraço apertado. A menina chorou no ombro da mãe, que também chorou. Kenji e Masahiro observaram da porta da sala, com o pai pondo a mão sobre o ombro do filho mais novo.
— A maninha vai ficar boa? — Masahiro perguntou, os olhos se enchendo de lágrimas.
— Eu não sei, filho — Kenji respondeu, cabisbaixo. — Eu espero que sim.
A consulta estava marcada. Era a última chance deles.

Akihabara, Tóquio. Dia seguinte, 09:00.

Aiko e Misao estavam em uma sala de espera quase toda branca e com alguns detalhes em azul pastel. A menina dourada, vestindo o moletom preto de Ryotaro, parecia um buraco no meio daquele monte de branco.
— Vai demorar muito? — Aiko perguntou, sentindo os olhos pesados.
— Não vai não — Misao garantiu, dando tapinhas na cabeça de Aiko. — Daqui a pouco, ele chama.
O tique taque incessante martelava a cabeça de Aiko, a deixando um pouco tonta. A sala de espera estava muito silenciosa, com poucas pessoas lá presentes. A menina olhou para o relógio, e viu que ainda faltavam dez minutos. Assim, pediu para a mãe os seus fones de ouvido. Os pôs, e colocou para tocar sua música favorita, Just One. A música favorita dela e de Ryotaro. Fechou os olhos, e só ouviu a melodia da música.
Enquanto Aiko repousava, Misao aproveitou para mandar uma mensagem para Ryotaro. Escreveu:
Misao 👘: Oi Ryotaro.
Ryotaro Genro: Misao? Tudo bem? Aconteceu algo?
Misao 👘: Está tudo bem, sim. Olha… lembra quando você me prometeu que iria cuidar da Aiko?
Ryotaro Genro: Lembro…
Misao 👘: Eu acho… que é hora de cumprir essa promessa.
Misao 👘: Tive de levá-la até o psicólogo para a ajudar. Não tenho certeza se vai resolver.
Misao 👘: Você poderia dar um jeito de vir para cá? Nem que seja só por um dia?
Ryotaro Genro: Olha… não conta pra Aiko, mas…
Ryotaro Genro: Eu tô planejando ir para Tóquio neste fim de semana. Ver ela e meus amigos por um fim de semana.
Ryotaro Genro: Mas principalmente ela.
Misao 👘: Isso é bom. Muito bom.
Misao 👘: Faça isso. Será bom para ela.
Desligou o celular, e olhou novamente para Aiko, que ainda tinha os olhos fechados e os fones na cabeça. “Venha logo, Ryotaro”, ela pensou. “Rápido.”

Osaka, caminho para a universidade. Mesmo horário.

Ryotaro caminhava em direção a faculdade quando recebeu a mensagem. Psicólogo. Ele conhecia bem aquele tipo de lugar. Perdeu a conta de quantas vezes visitou esses médicos na época de Fantasma Negro.
— Tomara que a ajudem — sussurrou, passando a mão pelos cabelos. — Bom, já é quinta. Só mais um dia, e eu vou vê-la…
— RYOTARO!!! — se ouviu uma voz feminina atrás dele.
Ryotaro deu um pulinho e se virou imediatamente. Assim que se virou, uma pessoa o abraçou com força total. Uma garota de cabelos azuis e brancos, cuja altura chegava até seu peito e que parecia ter uns catorze ou quinze anos de idade.
— Quanto tempo! — ela sussurrou contra o peito dele. Só então notou o que estava fazendo. Imediatamente o soltou. — Oh! Desculpa! Você lembra de mim, né?
Ryotaro olhou para o rosto dela. Óculos de grau redondos e de armação dourada, franja alinhada, os mesmos olhos cinza que o dele, o mesmo tom de pele… ela era…
— Você… parece familiar — Ryotaro sussurrou.
— Sou eu! — a menina disse, apontando para si mesma. — A Noriko! Lembra?
Ryotaro estreitou os olhos, e imediatamente um flash lhe veio à sua mente. Um bebê e uma criança de colo, iguaizinhas a ela. E junto deles, um apelido.
— Norizinha?! — Ryotaro perguntou, muito surpreso. — É você?!
— Sou eu, seu bobo! — Noriko disse, pondo as mãos na cintura com um sorriso largo. — Como que não lembra?
— Norizinha! — Ryotaro exclamou, abraçando-a com força e a erguendo do chão. — Quanto tempo, priminha!
Noriko riu enquanto rodopiava no ar. Noriko Sato era prima de primeiro grau de Ryotaro, por parte de pai. Os dois raramente se viram, pois a tia dele e mãe da menina morava em Sapporo, junto de outros membros da família. Então, era sempre difícil para os dois se verem. A menina cresceu muito desde a última vez que Ryotaro a viu, e isso o fazia se sentir um idoso.
— Para, seu boboca! — Noriko riu, dando tapinhas nas costas do primo. — Tá atacando a labirintite!
Obedeceu, ainda com um sorriso enorme no rosto. A última vez que Ryotaro viu Noriko, ela mal batia na sua cintura, ainda usava aparelho e tinha língua presa. Agora? Parecia uma versão em miniatura da tia Kimi.
— Que é que você tá fazendo aqui, sua tonta? — Ryotaro perguntou, ainda incrédulo. — Era pra você estar em Sapporo!
— Me mudei! — retrucou, dando uma piscadela. — Vou fazer faculdade com você!
— Tá de sacanagem…
— Pois é! Não é legal?!
— Nunca vou superar que você tá entrando na faculdade com catorze anos.
— Não é culpa minha que você é burrinho.
— Vai te lascar!
Os dois entraram no campus, e não tinham vergonha nenhuma de falar alto e rir alto. As pessoas, obviamente, observavam. Quem era aquela menina junto de um dos calouros de Letras? Ryotaro notou que alguns garotos observavam por tempo demais a sua prima, e instintivamente, passou o braço pelo ombro da prima, olhando para cada canto como um guarda-costas.
— Precisa disso, primão? — Noriko perguntou, com uma sobrancelha arqueada.
— Precisa sim — Ryotaro respondeu, olhando de relance para ela. — Só aceita.
— Por quê?
— Só anda.
Enquanto caminhavam, encontraram-se com os amigos de Ryotaro. Yumi acenou à distância, e notou Noriko imediatamente. Mai, Haruki e Makoto também a notaram.
— Oi amigo! — Yumi exclamou. — Quem é essa?
— Noriko Sato — Ryotaro respondeu, com um sorriso amigável. — Minha prima.
— Prazer — Noriko disse, acenando levemente.
— Prima, hein? — Mai fez, com um sorriso de canto. — Quem diria que o Ryotaro teria uma prima tão gata.
— Mai… — Ryotaro advertiu.
— Foi mal, foi mal — Mai sussurrou, ainda sorrindo, mas com as mãos erguidas em rendição.
— Você não é muito nova pra fazer faculdade, senhorita Noriko? — Haruki perguntou.
— O que? — Noriko perguntou, cruzando os braços. — Só porque eu pareço uma criança, não quer dizer que eu tenha a cabeça de uma! 
Ryotaro sorriu, fechando os olhos e dando tapinhas na cabeça de Noriko. Seria um dia muito longo. Porém, não conseguiu evitar um olhar até o bolso da calça, onde estava o celular. Como será que Aiko estava?

Akihabara, Tóquio. Clínica de psicologia, mesmo horário.

Aiko tinha acabado de ser chamada, e ao entrar, encontrou com um homem de aproximadamente 40 anos de idade. Cabelos pretos e bem arrumados, com partes grisalhas nas laterais, olhos castanhos amigáveis e um sorriso gentil. Na sala, duas poltronas e um divã.
— Senhorita Aiko — o homem disse. — Me chamo Yutaka Saito. Mas pode me chamar só de Yutaka.
— Posso me deitar? — Aiko perguntou, apontando discretamente para o divã.
Yutaka assentiu, e assim ela o fez. O doutor se sentou em uma das poltronas, e pegou um caderninho.
— Então, Aiko — ele começou. — Sua mãe me disse que você está muito mal. Quer me contar o que está acontecendo?
— Eu… — Aiko hesitou, desviando o olhar. — Eu… tô muito triste. De verdade.
— E por que você está triste? 
— Por que… meu namorado se mudou.
O doutor anotou alguma coisa no caderno, e permitiu que ela falasse. Aiko respirou fundo, e contou:
— Ele… foi para Osaka. Faculdade. Já faz… quase uma semana. Eu… tentei lidar com isso, mas… não consegui. E… eu não consigo mais dormir direito, nem comer direito. Eu só fico… esperando pela próxima mensagem.
— E quando ele não manda? — Yutaka perguntou. — O que acontece?
— Eu… entro em pânico. Fico paranóica. É que… eu tenho muito medo de ficar sozinha, sabe?
Aiko deu uma risada seca, e sussurrou:
— Mas já diria o ditado: “Não tem nada pior que não possa piorar.”
Por um momento, ninguém disse nada. Só se ouviu o som do riscar da caneta no papel e um zumbido distante. Então, Yutaka disse:
— Você ainda sente prazer em algo?
— Eu… não sei — confessou. — Faz… tanto tempo.
— Senhorita Aiko… eu ainda não tenho absoluta certeza. Ainda temos que investigar isso. Mas… isso são sinais de depressão.
— Q-que? — Aiko sussurrou, se apoiando nos cotovelos. — De… depressão?
— Sim. Com sinais de ansiedade. 
Aiko sentiu o chão desabar, mesmo deitada.

“Não… não pode ser verdade. Não…”
ricaardovenancio
ricaardovenancio

Creator

Comments (0)

See all
Add a comment

Recommendation for you

  • Silence | book 1

    Recommendation

    Silence | book 1

    LGBTQ+ 27.7k likes

  • Touch

    Recommendation

    Touch

    BL 15.7k likes

  • Silence | book 2

    Recommendation

    Silence | book 2

    LGBTQ+ 32.7k likes

  • What Makes a Monster

    Recommendation

    What Makes a Monster

    BL 76.8k likes

  • Invisible Boy

    Recommendation

    Invisible Boy

    LGBTQ+ 11.6k likes

  • Secunda

    Recommendation

    Secunda

    Romance Fantasy 43.5k likes

  • feeling lucky

    Feeling lucky

    Random series you may like

A Flor Negra da Cerejeira - Prata e Ouro, Diamante e Jaspe
A Flor Negra da Cerejeira - Prata e Ouro, Diamante e Jaspe

252 views1 subscriber

O tempo passou em Tóquio, e com ele, vieram desafios para Aiko e Ryotaro. O garoto quieto, já não mais o Fantasma Negro, teve de ir para Osaka, para estudar em uma universidade privilegiada, fazendo com que o grupo que ele e sua namorada criaram perdesse seu membro mais importante.
Em Osaka, Ryotaro conhecerá muitas pessoas, como o animado Hidetaka e a imprevisível Elke, e passará por muitas confusões antes de completar o seu curso de Letras. Serão longos 4 anos para o garoto quieto.
Já em Tóquio, Aiko fica desolada, parando até de se cuidar. O restante do grupo terá de fazer de tudo para a menina não desabar completamente e tentando a lembrar de quem ela era antes de Ryotaro. Enquanto isso, um novo membro, um menino autista chamado Hiro, promete trazer muito carinho para o grupo, além de bagunçar completamente os sentimentos de Mika.
As cerejeiras estão desabrochando. E uma flor negra continha lá.
Subscribe

16 episodes

Sinais

Sinais

2 views 0 likes 0 comments


Style
More
Like
List
Comment

Prev
Next

Full
Exit
0
0
Prev
Next