— Você é um valentão! Qing-gege! Ele está nos intimidando, ajude! — Oh, agora Shi Jiu lembrava dele. Mesmo no quarto escuro e difícil de discernir, ele conseguiu reconhecer aqueles olhos grandes e cobiçosos, brilhantes de um jeito que Shi Jiu gostaria de arrancá-los das órbitas.
— Quem diabos é seu Qing-gege? Ouse chamá-lo assim novamente e você vai ver! Vou jogar você para aqueles cachorros! — Shi Jiu olhou ao redor, pegando uma tábua de madeira solta, pronto para golpear aquele rostinho com toda sua raiva.
— O que também é seu? Você está com sorte que eu vou te deixar dormir ai! — Shi Jiu resmungou, o tom um pouco menos agressivo, cutucando o braço do garoto mais velho. Yan Qing apenas abriu um sorriso pequeno, puxando sua mão. — Eu não brinco com esses lixos.
Finalmente, ele puxou Shi Jiu para dormirem, o pedaço de pau sempre ao alcance das mãos perigosas de Shi Jiu, mas com o garoto menor aninhado em seus braços, com a coberta puída por cima deles.
Por algum tempo, os olhos atentos de Shi Jiu continuaram o encarando, piscando lentamente, atentos em meio a escuridão, tentando discernir seus traços, mas estava muito escuro.
— Qin-ge vai reclamar de mim também? — Yan Qing o ouviu sussurrar. Era tão baixo que apenas os dois podiam ouvir.
Apesar das palavras quase assustadas do jovem, seu tom de queixa e bravata faziam parecer um desafio. Ainda assim, Yan Qing apenas abriu um sorriso gentil.
— Não tenho do que reclamar de Xiao Jiu.
Sentindo um beijo leve em seus cabelos, Shi Jiu suspirou, apertando mais o outro garoto.
— É melhor que não tenha.
Yan Qing apenas riu levemente, afagando as costas de Shi Jiu com uma mão, levando a outra até o canto de seus olhos castanhos, esfregando levemente. Ele ouviu um grunhido baixo do garoto mais novo, mas não foi afastado. Sua mão deslizou até a nuca de Shi Jiu, arranhando levemente seu couro cabelo com as unhas curtas.

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