O alto-falante do aeroporto de Haneda anunciou novamente o voo para Osaka.
Ainda faltavam trinta minutos.
E ninguém ali estava pronto pra dizer adeus.
Muitos dos amigos de Ryotaro, bem como sua família, estavam reunidos para se despedir dele. Dentre eles, estavam Kaito, Mahina, Yuta, Jun, Natália, Mika, Ayase e, obviamente, Aiko e sua família. Ninguém ali queria falar sobre aquilo. Como se ignorar impedisse ele de embarcar.
Yuta chorava as pitangas.
Jun tentava se manter sério e falhava miseravelmente.
Natália estava abraçada a Mika e Ayase, e as três choravam juntas.
Mahina ainda mantinha o olhar astuto, mas ela apertava as mãos com muita força.
Kaito conversava com Ryotaro sobre o que ele faria na faculdade.
E então tinha Aiko. A menina estava quieta desde o momento que havia chegado ao aeroporto. Não conseguia nem olhar direito para ele.
— Kaito — Ryotaro sussurrou. — Você… deixa eu falar com a Aiko, rapidinho?
— Deixo sim — Kaito respondeu, ao ver como Aiko estava. — Vai lá.
Ryotaro caminhou até a namorada, e ela, ao ver ele se aproximando, levantou um pouco o olhar.
— Aiko, meu amor — Ryotaro chamou. — Tá tudo bem? Por que tá tão cabisbaixa?
— É que… — ela sussurrou, desviando o olhar. — Eu não consigo fazer isso.
— Fazer o que?
— Te ver indo embora. Eu não tô pronta pra dizer adeus. Eu… não quero dizer adeus.
Ryotaro entendia bem aquele sentimento de despedida. Era o mesmo sentimento que ele sentiu quando teve de se despedir de Yahiko, seu amigo de infância. Então, ele segurou as mãos dela, e disse:
— Olha pra mim, por favor. Faz um esforcinho.
Aiko levantou o olhar, e seus olhos já estavam cheios de lágrimas. Seus lábios também tremiam.
— Eu sei que é triste — Ryotaro continuou, com um sorriso triste. — Eu queria te dizer que tá tudo bem, mas… eu sei que não tá. Olha, eu venho te visitar nas férias, e vou manter contato durante o ano letivo.
— Não é a mesma coisa — Aiko disse, sua voz embargada.
— Eu sei que não é. Mas eu prometo que vai durar pouco. Quatro anos… parece muita coisa agora. Mas a gente vai passar por isso!
A menina fungou algumas vezes, e então o abraçou com toda a força, como se quisesse memorizar cada detalhe dele, cada curva e cada osso. Ryotaro também a abraçou forte, e sentiu suas próprias lágrimas começarem a brotar. Então, ecoou a última chamada para o voo para Osaka. Com dificuldade, ele se separou de Aiko, e a beijou nos lábios.
— Eu prometo que falo contigo — ele disse, encostando sua testa na dela. — Que eu vire um guaxinim se não fizer isso. Mas agora eu tenho mesmo que ir.
— Tá bom — Aiko sussurrou, enxugando as lágrimas. — Tchau, Ryo-chan. Vou sentir saudades.
— Eu também vou. Tchau Aiko. Tchau, meus amigos! Tchau, mãe e pai! Nos vemos nas férias!
— Tchau, Ryotaro! — todos disseram em uníssono.
Assim, Ryotaro pegou sua mala e caminhou até o portão de embarque. A última coisa que Aiko viu do namorado foi seus cabelos médios adentrando na multidão antes de desaparecerem. As lágrimas voltaram aos seus olhos, e ela chorou de novo. Misao e Kenji a abraçaram, dizendo:
— Tá tudo bem, filha. Ele vai visitar a gente.
— Meu Ryo-chan… foi embora — ela balbuciou, entre soluços.
Já dentro do avião, Ryotaro se sentava em uma cadeira solitária. Seus pais fizeram questão de comprar dois lugares para que ele tivesse um momento a sós. Pegou o celular, e entrou na galeria. Lá, olhou para as inúmeras fotos que ele havia tirado com Aiko e seus amigos. O portão se fechou com um som seco.
Pela primeira vez em muito tempo, ele se sentiu sozinho.
Parou em uma foto de Aiko, no festival do colégio, vestindo um yukata azul marinho com desenhos de flores, com uma maçã do amor na mão direita e um sorriso bobinho no rosto.
— Eu tô mesmo fazendo isso… — ele sussurrou, colocando o celular contra o peito. — Indo para um lugar longe dos meus amigos e da minha família.
Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto. Olhou para Tóquio, que começava a ficar menor e menor, e suspirou.
— Já que tô aqui… vamos nessa até o fim — ele disse, a determinação voltando a seus olhos.
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Parece que o nosso casal favorito se separou! E agora? Como eles irão lidar com isso? Comente aí o que você acha!

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