Vejo lá no horizonte uma raposa
Uma raposa de pelos laranjas, astuta e gananciosa
Segue rumo ao infinito, buscando pelo tesouro perdido
Ela deixou família e amigos, quebrou o destino e desfez compromissos
Não há coisa mais livre que essa raposa laranja na Terra
O anseio dela por liberdade me faz querer ser um pouco do que ela é
Mas sei que forte não sou, já a raposa é
Queria saber por quanto tempo ela treinou antes de sair atrás do que quer
A verdade qual é? Raposa-laranja me diga como que cê é o que é
Diz ela que, quando saiu em sua jornada não era nada além de uma peça estragada
Uma pedra mal lapidada, não buscou ser a mais forte antes de ir para as terras do norte
A real é que foi lá que se tornou tão forte, a raposa não estava pronta, preparada, por isso saiu em uma jornada em busca daquilo que precisava.
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- Gato Preto -
A noite é fria e escura, o breu me causa repulsa
Somente observo o céu, a lua e as estrelas da janela
Eis que um gato pousa nela, cheio de ideias e uma face bela
Conta ele sobre grandes epopeias e lendas da Terra
Me pergunto se é mesmo assim, lugares com monstros de gelo e peixes extensos
Jamais saberei, nunca irei a tais planícies, sendo que a noite logo vem
Entretanto, o gato preto insisti, persisti! Afinal, a noite não o deprime
Com uma visão noturna como a dele, é dia sempre!
É quando o sol sai que o bicho vem, assim que a lua sobe o crime se explode
Temo por mim, posso ver fácil o meu fim se sair a tal horário
O gato diz-me que exagero, sou paranoico! Fala que meu medo é fútil!
Que necessito de coragem, senão chegará o tempo em que até o dia rejeitarei
Esse gato preto, de pelos tão cuidados e belos, se oferece para ser o meu guia
Diz que irá me proteger do frio do inverno e do mal do inferno da noite
Pergunto porque tanta insistência comigo! Nem somos conhecidos!
Diz aquele gato que com ele sou parecido, o “ele” antigo, de tempos já vividos
Mas, pode esse felino tão exibido ter sido isso que sou?
Conta-me que até hoje tem medo, que é normal, ele apenas não se deixa dominar por tal
Infla o peito de coragem e saí no meio de tempestades
Eu posso, então, chegar em tal pedestal? Ser tão forte como tal?
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- Corvo Azul -
Na gélida manhã ou no frio da tarde ele surge pelas matas e árvores
Sem manias e gosto, come de tudo
Ele voa pelos quatro cantos do mundo
Esse corvo, que pousa do meu lado direito
É arrogante e tagarela, de mim zomba
Pois enquanto leio e escrevo sobre aventuras fantásticas, ele as vivencia
Que vida! Só voar e voar com o abrir e o fechar de suas asas azuladas
Do Sul ao Norte, do Oeste ao Leste, tudo conhece!
Esse corvo azul me conta suas falhas e façanhas
Tudo que viveu, o que vive e o que ainda busca viver
Mesmo após viajar tanto, ele ainda busca mais, diz que o mundo é um lugar grande demais
Já eu, sou um simples coelho, em minha toca está o meu aconchego.
Me sinto curioso sobre muitas coisas, mas o corvo tudo me conta
Ainda que ele insista para que eu veja por mim mesmo, prefiro ficar por aqui
Já desceu para o inferno e já ascendeu aos céus, viu o mal e o bem
O corvo me diz para tentar ao menos uma vez, sair em busca da aventura, do desconhecido, quem sabe, um dia, irei.
Comprei um peixinho, ele é dourado! Como o ouro, como o fogo!
Em seu pequeno oceano ele nada de um lado para o outro
É um bom ouvinte, um amigo! Agora já não me sinto mais sozinho
Uma pena que ele tenha morrido
Sua vida acabou, me perdi nos pensamentos malignos após perder o meu único amigo
Desde que o peixinho veio para cá, as noites de choro se transformaram em risos de alegria
Hoje tudo já voltou ao normal, meu travesseiro se encheu de lágrimas, a solidão outra vez me assolava
Quando ainda era vivo, me fazia esquecer dos maus momentos, do medo e da ideia de me jogar de cima de um prédio
Não tenho nada, passei as últimas noites dormindo abraçado com o desejo de morrer
Mas o peixinho me disse em seu leito de morte para mim viver e agora já não consigo mais criar coragem para “certas coisas” fazer
Viver para que? Para quem? Você me deixou mal acostumado, peixinho dourado
Antes de ti a solidão até era suportável, mas agora que eu experimentei a companhia de um outro alguém, como vivo sem?
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//É isso. 4 poesias em um capítulo! Esperem pelos próximos!!

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