O número da Movicel só tocava quando uma nova missão super-secreta e, por norma, excessivamente perigosa lhes era atribuída. Ikono e Meso87 vão buscar os seus envelopes para desvendarem a razão daquele bip.
A 25 de Maio de 2003, dia de África, pelas 18h, um boeing 727 fez-se a pista e levantou vôo sem autorização e total estupefação da torre de controlo do Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, Angola. O avião foi roubado e nunca mais foi visto, criando um dos maiores mistérios da história da aviação.
Vinte anos depois, Isis Hembe e Ikonoklasta decidiram recuperar esta história, reciclando-a e transformando-a numa obra de arte, reforçando a ideia cíclica da vida que inspira arte, que, por sua vez, inspira vida.
Na sua estória Isis e Ikono encarnam personagens contratados pela Aerospace, uma empresa americana com sede na Florida, que é a verdadeira dona da aeronave, sendo-lhes incumbida a missão de o roubar para devolvê-la aos seus legítimos donos, uma vez que as autoridades angolanas (via TAAG) estariam, depois de manifestarem interesse em adquiri-la, propositadamente a retardar o negócio para avolumar a dívida de estacionamento do piupiu.
Isis, aqui Meso87, é um perito informático introvertido e solitário que vai criar os corredores e guiar Ikono, ex-funcionário dos serviços de inteligência que se afastou por se antagonizar com a sua cooptação pelo partido-estado, para este manejar fisicamente o avião e materializar o seu roubo. Ambos ladrões de elite, aceitando ocasionais encomendas de serviços ilícitos de risco, sobretudo aqueles em que as vítimas são os oligarcas prepotentes que tratam o país como se este fosse sua propriedade. A remuneração, sendo importante, não é o principal critério que os leva a aceitar uma missão, havendo subjacente uma necessidade ética robin hoodiana de lixar a vida a gente poderosa e provocar-lhes a ira.
Os autores propõem aqui um desfecho para a incógnita que mantém o mistério acerca do que terá sucedido com o avião e a sua magra tripulação depois de levantar vôo para cima do Atlântico.
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