Os portões da cidade são de ferro puro, pintados de um marrom bem escuro. Uma parte do portão fica aberta e por ali passam as carroças, carruagens e as pessoas simples. Todos devem se identificar, afinal, a cidade é a capital de Jinhai e todo cuidado é pouco para com os inimigos do império. Chegando na vez de serem checados, uma surpresa espera a família Liang.
__ Não estou entendendo, soldado.
__ Senhor, são as ordens que tenho. - responde de maneira ríspida o soldado.
__ O que acontece? - pergunta o capitão que estava mais atrás.
__ Não sei, capitão. O soldado diz que devemos seguir a nova escolta até nosso destino. - responde Yongliang.
O capitão que está muito feliz por estar de volta, vai até o posto onde se encontra com um soldado, que é o comandante da patrulha do portão, conversam por minutos e volta para junto da carruagem.
__ É algo bem simples, afinal. O imperador quer que a família Liang vá para o palácio imperial e se hospede lá até a hora da festa do casamento.
__ O quê? - grita tia Shuchun em entusiamo. - Para o palácio imperial?
__ Porque isso, capitão? - pergunta Yongliang.
__ O imperador dará uma festa de casamento ao filho reconhecido, é isto, senhor.
Começa um pequeno frenesi de alegria no grupo. Tia Shuchun quer comprar roupas novas, porque acha que as que trouxe não são adequadas, para se apresentar na frente do imperador, enquanto que Yongliang pensa que será a primeira vez que entrará no palácio imperial. Enfim, todos estão empolgados, menos o capitão que pelo pouco que entendeu, sua escolta continua. Outras duas pessoas empolgadas são Jingfei e Xiuying, mas de uma maneira diferente, uma está ansiosa para ver o palácio e suas belezas e a outra está emocionada por que até agora o plano está caminhando bem.
Em frente ao portão do palácio, Xiuying não está impressionada, os portões do Reino das Águas são muito mais bonitos, mas esse portão impressiona Jingfei que olha encantada para ele. O portão deve medir pelos menos uns quatro metros de altura, supõe ela, que gosta muito de engenheira e conhece construções como ninguém ali, tudo fruto dos ensinamentos da mãe. O portão também é de ferro, assim como o da entrada da cidade, mas esse é pintado de verde-escuro e em cada folha do portão está um círculo que contém o emblema da família imperial, uma ave, mas não é uma ave qualquer, como pensou a princípio Jingfei, é uma Fênix e em suas garras está uma cobra gigante. O símbolo imperial é feito de ouro, a Fênix foi feita em ouro queimado e a cobra foi feita em jade. Ouro parece ser algo comum no palácio, pois assim que entram todos veem a frente um pátio enorme e lá ao fundo, distante quinhentos metros, está o palácio que brilha sob a luz do sol, seu telhado é forrado com folhas de ouro. É uma pena que a carruagem é direcionada para outro lado, assim Jingfei não poderá ver o exterior luxuoso do palácio.
A família Liang foi conduzida para o pavilhão dos hóspedes e para se ter uma idéia da grandiosidade da propriedade, a carruagem e a escolta levam vinte minutos para chegar até lá. O pavilhão dos hóspedes é uma casa com três cômodos, toda pintada de branco e janelas e portas pintadas de azul, tem um pequeno, mas florido, jardim a frente e dois servos esperam na porta principal.
Tia Shuchun está em êxtase, é hóspede no palácio imperial e vai participar da festa de casamento de sua enteada, festa essa oferecida pelo imperador. Vai contar para todas aquelas mulheres estúpidas, da cidadezinha onde mora, sobre tudo isso.
Um quarto para as mulheres e um quarto para os homens, a sala da frente é para refeições e receber visitas. No quarto para mulheres, tia Shuchun e a filha banham-se na enorme banheira, usando toda a água quente. Enquanto isso, Jingfei espera sua vez, mas isso não a aborrece, a Isa dentro da garota vê o pôr do sol mais lindo de sua vida e admira a arquitetura da construção. Tudo que sempre quis ver e que sempre admirou.
__ Xiuying, mesmo para um pavilhão de hóspedes, o luxo é grande. Os tapetes, as cortinas leves, os vasos são delicados, tudo é muito harmonioso, tudo é delicado e confortável.
__ A mansão do marechal também é luxuosa.
__ Você tem que me lembrar o motivo de minha presença aqui. - diz aborrecida Jingfei, sentando no sofá coberto com almofadas forradas com cetim de várias cores. - Você sabe como ele é?
__ Não, só conheço a história da família dele.
__ Isso é algo que pode me contar?
__ Claro que sim! É melhor saber alguma coisa sobre ele, afinal, está aqui para lutar ao lado dele e derrotar o mal.
__ Isso é outra coisa que não gosto de lembrar.
__ Não se preocupe, você vai conseguir.
__ Que bom que você acredita nisso. - fala Jingfei com certa dúvida a respeito de sua participação nos eventos que desconhece e que estão por vir. - Me fale sobre ele, o marechal.
__ A história do marechal é de conhecimento publico, não existe nada de misterioso, só muita luta e desafios a vencer.
__ Como assim? - pergunta Jingfei curiosa.
__ A mãe do marechal, era uma mulher muito bonita. Um rosto delicado, uma voz suave, um temperamento amigável. Uma mulher que fazia alguns homens pensarem na felicidade conjugal, mas o imperador, que já era casado e com uma mulher também muito bela, que foi sua companheira em várias guerras e deu a ele um filho, não podia casar com Zhang Annchi. Então o imperador, movido por sua paixão, pressiona o pai de Annchi, que era um de seus generais, e a tomou como concubina, para desespero do pai dela. Annchi sabia que se não aceitasse, colocaria o pai em uma situação muito ruim e assim a senhorita Zhang Annchi aceitou ser a concubina do imperador Guang ChenGong. - Xiuying respira um pouco. - Esse imperador que está aí, que agora está velho, cansado e doente. A esposa oficial morreu no parto do segundo filho e a amada concubina também morreu no parto do único filho.
__ Porque ele está reconhecendo o filho somente agora?
__ A inveja e o ciúme das outras concubinas e outros do palácio, influenciaram o imperador que não se sentia seguro no amor, ele sabia que Annchi não o amava e quando o marechal estava para nascer, o imperador repudiou sua concubina favorita, baseado em uma acusação duvidosa, a exilou na Mansão das Esquecidas e lá sem nenhuma ajuda ou recurso, morreu ao dar a luz o filho amado. Tudo o que aconteceu trouxe vergonha para a família Zhang e quando ela morreu no parto, o imperador sentiu a tolice que cometeu, mas já era tarde, ele não podia voltar atrás no seu decreto, que mandou a amada embora e não podia reconhecer o filho. - novamente Xiuying faz uma pausa. - O bebê foi entregue ao avô que amava o neto e ensinou ao marechal tudo o que ele sabia sobre lutas, a cavalgar e sobre estratégias de batalhas. Com oito anos o menino despertou seu Ki, mas como era um bastardo, não podia frequentar a escolas dos nobres para aprender a cultivar seu poder. O avô mandou o neto para as terras do oeste, onde dizem que vive um mestre muito poderoso e parece que ensinou bem ao marechal. O imperador, com remorso pelo que aconteceu com Annchi, deu ao velho general a mansão, onde hoje vive o marechal, mas isto não foi o suficiente para o general perdoar o imperador, o general abandonou o exército e se dedicou a criar cavalos. Quando o marechal completou dezesseis anos, ele voltou, foi direto ao exército e foi aceito. Ele era desprezado por muitos, mas o marechal mostrou seu valor nas várias batalhas que esteve e na guerra para conquistar outros reinos, foi aí que o marechal brilhou intensamente e estava pronto para se tornar o marechal de todo o exército do império. Com tudo isso acontecendo, o imperador enviou uma solicitação ao conselho para revogar o próprio decreto, que expulsou Annchi e assim poder confirmar para todos, que Zhang Huizong é seu filho legítimo e dar a ele o posto que é dele por direito de nascença, o de ser o príncipe e comandante de todo exército.
__ Fofocas palacianas destruíram duas vidas.
__ Essas fofocas são constantes, mesmo hoje em dia, muitos boatos correm dizendo que o marechal não é digno …
__ O homem fez tudo pelo país!
__ Fofocas palacianas, como diz você.
__ Xiuying, porque o imperador colocou uma condição?
__ O marechal já tem trinta anos e nunca se casou. Tem duas concubinas e não se envolve com ninguém. O imperador quer herdeiros para o trono. A esposa do filho mais velho, não consegue segurar um bebê em seu ventre e o filho caçula não é casado, portanto, o imperador espera que o marechal dê a ele um neto para ser herdeiro do trono no futuro, já que o filho mais velho, o príncipe herdeiro Guang GangGuang é que será o futuro imperador.
__ Nossa que história incrível.
__ Uma história de superação.
__ O avô dele, ainda vive?
__ Não, o velho general Zhang morreu a muito tempo. - Xiuying para e olha para Jingfei. - Vou contar mais uma coisa para você e isso é para prepará-la, tudo bem?
__ Não gostei desse tom de voz. O que vem agora?
__ Zhang Huizong mora naquela mansão com a tia, irmã da mãe dele e com suas duas concubinas …
__ Ah, não! Concubinas!
__ Sim e você deve ser bem atenta a essas mulheres …
__ Por quê?
__ Jingfei, deixe de conversa com esta serva e venha banhar-se! Quer se atrasar para o banquete do imperador? - grita tia Shuchun.
Como Jingfei adivinhou, não tem mais água quente, mas a que sobrou dá para um bom banho, depois se trocou, percebendo que os panos mais bonitos as duas, mãe e filha, pegaram para elas.
__ Calma, eu fazer algo que a deixará muito bonita.
__ Usando o que tem aqui?
__ Jingfei, confie em mim.
A palavra confiança faz Isa estremecer, ela não tem um bom relacionamento com a confiança.
A família Liang está pronta, a carruagem aguarda do lado de fora e para surpresa de tia Shuchun, Jingfei está linda. Xiuying cumpriu a palavra e usando o que tinha a mão, fez um vestido simples ficar fabuloso. O tecido é vermelho, a cor das núpcias, leve e pouco transparente. Um cinto vermelho com pequenas pedras preciosas, joias da mãe de Jingfei, completam o traje nupcial.
__ Para quê um traje nupcial, você já se casou!
__ Tia Shuchun, aquele foi um casamento por procuração. Hoje devo me apresentar como uma noiva real.
Tia Shuchun envia a enteada o olhar e o sorriso de desprezo. Pensa que talvez tenha se precipitado, deveria sua filha ser a esposa do primeiro marechal e não essa garota estúpida, mas agora é tarde, vai procurar para a filha alguém tão valoroso quanto é o marechal.
A carruagem segue pela estrada de pedregulhos, gemendo. O cocheiro e os cavalos continuam cansados. A escolta se mantêm desanimada. Isa está nervosa, como no dia de seu casamento. Ela está nervosa pelo futuro que desconhece, em um mundo que desconhece.
__ Como será esse marechal? - pergunta-se enquanto olha as lanternas vermelhas penduradas em todo o percurso. O imperador está saudando a noiva, razão teve Xiuying ao insistir no traje vermelho, mesmo Isa odiando a cor vermelha, vai mostrar a todos, que respeita o compromisso assumido com o marechal Zhang Huizong.
A carruagem para na entrada do palácio, que está todo iluminado com as lanternas vermelhas, um cheiro gostoso no ar, o som de música leve e suave.
O pai de Jingfei entrou na frente, cercado por sua esposa e enteada. Sua filha biológica caminha sozinha pela enorme entrada iluminada e é o centro de atenção de todos os convidados. Lá na frente, em um trono postado acima do piso para que o imperador possa ver todas as pessoas por cima, está o próprio imperador, um homem velho, com a aparência cansada, mas que olha para o homem a seu lado com um brilho de orgulho, aquele, sem dúvida é o Primeiro Marechal Zhang Huizong, seu marido.
__ Poderosa Vênus! Que homem lindo da po**a!
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